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3/11/2016

Estação Cocal


“NÃO TENHO CARA DE QUEM VAI RENUNCIAR”, DIZ DILMA. NÃO. TEM CARA DE QUEM VAI SOFRER IMPEACHMENT!
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Fonte: GLOBO
Fonte: GLOBO
Fonte: GLOBO
Pressionada pela oposição e às vésperas de um protesto contra o seu governo, a presidente Dilma Rousseffdecidiu falar com a imprensa em entrevista coletiva nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto. A exemplo do que falou mais cedo a reitores de universidades federais, a presidente afirmou que não há elementos para seu impeachment e voltou a dizer que não irá renunciar ao cargo.
Segundo ela, nunca lhe passou pela cabeça renunciar e que esse gesto seria uma “ofensa” à sua trajetória de vida. Dilma criticou a oposição e disse que faltam argumentos aos que pedem sua renúncia. A presidente declarou também que teria o “maior orgulho” em ter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu governo como ministro e criticou o pedido de prisão preventiva do MP a Lula nesta quinta-feira, afirmando que o pedido “passou de todos os limites”. Ela pediu serenidade nas manifestações de domingo.
— Nunca. Nunca (sobre a renúncia). Isso é uma invenção. Não tenho o menor interesse, a menor propensão. E não há nenhuma justificativa. Para mim isso inclusive é uma ofensa… Agora, por favor, pelo menos testemunhem que eu não estou com cara de quem vai renunciar — afirmou a presidente.
— Quem quer minha renúncia precisa proceder de acordo com a Constituição. Não renuncio sem que haja motivo para tal — disse ao garantir que não há base para nenhum ato contra a sua pessoa.
A entrevista em si já foi uma vergonha. Quando os jornalistas faziam perguntas, o áudio sumia para o telespectador. É típico de governo autoritário, comunista. A presidente não veio explicar nada, apenas defender um réu e afirmar o que todos já sabem: que ela não vai renunciar.
Alguns românticos ainda sonham com tal ato nobre, fruto de um resquício de dignidade da presidente. Se ela se preocupasse minimamente com os brasileiros, com os pobres sofrendo com a inflação, com os desempregados, com todos que estão fechando suas empresas, ela renunciaria, ou melhor, já teria renunciado faz tempo. Mas ela é Dilma, turrona, “autista”, guerrilheira.
Vai até o fim enquanto não for impedida, feito uma mula obstinada, uma anta brigona. Dilma está disposta a destruir de vez o Brasil para não renunciar. Ela prefere ver o país em chamas a reconhecer seus erros. Ela adoraria que o Brasil se transformasse na Venezuela, mas sair por conta própria, jamais!
E é por isso mesmo que ela será alvo do impeachment. Dilma não vai renunciar. Ela pergunta se tem cara de quem está disposta a isso, e eu respondo: não tem! Tem cara de quem roubaria um banco, sequestraria um empresário, pegaria em armas para impor o comunismo, mas não de quem renunciaria para salvar o Brasil.
Você será enxotada do poder, Dilma, para o bem da nação. Não vai sair de fininho, nem mesmo resgatando alguma dignidade num ato louvável. Vai ser escorraçada a ponta-pés da população brasileira, cansada de tanta incompetência, tanto cinismo, tanta roubalheira, tanto abuso de poder. Pode se preparar para se resignar com tal destino. É o que te espera…
Rodrigo Constantino

3/08/2016

Estação Cocal


A VERDADE SUFOCADA SOBRE O DIA INTERNACIONAL DA MULHER
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Por Vivian Vicentini, publicado pelo Instituto liberal
Há dias que ando incomodada com uma propaganda no canal GNT, do grupo Globo, sobre o dia internacional da mulher. É o tal “Compromisso eles por elas”, defendendo a igualdade de gênero, seguido por todo aquele “blá-blá-blá” de sempre. A ironia dá o tom do comercial, que termina dizendo que feliz será o dia que não haverá desigualdade salarial, que a divisão de tarefas será justa e não haverá mais violência dentro ou fora de casa e nem assédio, configurado pela cantada de pedreiro ou o “fiu-fiu”. Só achei curioso que na parte da divisão de tarefas o homem está com o aspirador em uma mão e o bebê na outra, enquanto a mulher segura apenas o espanador de pó. Seria justo?!
A rede Globo também está com uma campanha onde aparecem as “mulheres olímpicas” falando sobre igualdade salarial; “ter voz e ser ouvida”; ser a primeira mulher da família a se formar na faculdade; ser dona da própria vida; ser mãe, esposa, amiga e trabalhadora; suar a camisa todos os dias e fazer valer os seus direitos; pois estes são os sonhos de todas as mulheres.
Acho que esses discursos que começam a pipocar mais intensamente no início de todo mês de março têm maior relação com certo ódio aos homens do que com “empoderamento” das mulheres. É sempre o mesmo discurso: Mulheres ganham menos do que os homens, não podem levar uma cantada na rua, têm jornada dupla e por aí vai.
Vamos falar primeiro dessa questão de salário. Se mulheres realmente ganhassem menos em comparação com os homens, será que todas as empresas, visando diminuição de custos, não passariam a contratar apenas as mulheres? Essa frase feita – salário menor na mesma função – não faz o menor sentido. Exemplifico. O cargo de engenheiro júnior em uma empresa contempla desde o recém-formado até aquele com vários anos de trabalho, prestes a ser promovido a engenheiro pleno. Eles estão na mesma função? Sim. Afinal, os dois ocupam o cargo de engenheiro júnior. Eles têm o mesmo salário? Claro que não! Todo mundo sabe que para uma mesma função existem diferentes faixas salariais, dependendo de seu desempenho e/ou da sua experiência.
No ano passado, a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul[1] concluiu que apenas 7% das diferenças salariais entre homens e mulheres não poderiam ser explicadas pela diferença de produtividade. Os economistas Guilherme Stein e Vanessa Sulzbach analisaram 100 mil salários e apontam que “a diferença de rendimentos que se deve às características distintas observáveis entre os indivíduos não pode ser atribuída a um possível preconceito que o empregador tenha em relação a uma determinada característica individual. Por exemplo, anos de experiência é um fator que justifica um salário maior. Tudo o mais constante, se as mulheres têm, em média, menos anos de experiência que os homens, não se pode afirmar que os contratantes estão discriminando as mulheres ao pagar, em média, um salário proporcionalmente menor do que o que os homens recebem em função do diferencial médio de experiência”.
Estes resultados estão na mesma linha dos encontrados pela economista Claudia Goldin[2], de Harvard, uma grande especialista em diferença salarial. Nos Estados Unidos, esta porcentagem que não é explicada pela produtividade é um pouco menor (5%). A economista ainda aponta os salários não, necessariamente, têm uma relação linear com as horas de trabalho. Um horário flexível de trabalho, uma opção para mulheres especialmente depois do nascimento dos filhos, é uma opção viável, mas ele cobra o seu preço especialmente no mundo corporativo, financeiro e jurídico.
Além dessas questões salariais, a bandeira sempre levantada é de que as mulheres são menos favorecidas no mundo do que os homens. Mas alguém já considerou que em 90% das ações judiciais que requerem a guarda de filhos, esta é concedida às mulheres? Em cada 11 mortes por violência, 10 são homens. Os homens já não são maioria nas universidades, são apenas 40%. E isso sem contar que áreas tradicionalmente ocupadas por homens como a engenharia vêm atraindo cada vez mais mulheres.
Os homens não têm um dia internacional ou hospitais e delegacias especializados em atendê-los. Muito menos leis que os beneficiem pelo fato de serem homens. O câncer de próstata, proporcionalmente, mata o mesmo que o câncer de mama, mas a esmagadora maioria dos recursos é gasta com a prevenção e campanhas para o câncer de mama. Apenas recentemente, começou uma campanha do “novembro azul” alertando para o problema do câncer de próstata.
Dos moradores de ruas, 80% são homens. O serviço militar é obrigatório apenas para os homens. Quando um filho nasce, a licença maternidade é de 120[3] dias e a paternidade, de apenas 5 dias. Os homens têm que trabalhar 5 anos a mais para se aposentar e morrem, em média, 8 anos antes das mulheres.
Lembra do Titanic? Quando ele afundou, 80% dos homens morreram e 80% das mulheres sobreviveram. O feminismo diz que existem apenas 5% de mulheres nas empresas, mas ninguém está bradando por aí que são os homens que ocupam 95% dos cargos de lixeiros, pedreiros e nas minas de carvão. Em geral, ninguém diz nada quando a mulher vive “às custas do marido”. Mas, se o homem não trabalhar fora ele é vagabundo e preguiçoso.
É claro que não estou defendendo o estupro ou que eu ache a cantada no meio da rua, muitas vezes com palavras de baixo calão, uma coisa legal. Todavia, acredito que antes dessa “luta de classes” ou “guerra dos sexos” (ou gênero, para ser mais politicamente correto), o que deve predominar é o respeito ao outro. Não é possível continuar com esse discurso de que homens e mulheres devem ser iguais, quando são fisiologicamente diferentes. São cromossomos, hormônios, estruturas musculares, tudo diferente. Mulheres podem conceber, homens não. O que não significa que não tenham que ajudar em casa e com os filhos. Caro leitor, já deve ter ouvido em vários lugares que algumas empresas preferem contratar mulheres porque elas são mais detalhistas e acabam desempenhado algumas funções melhor do que os homens. Não ouvi nenhum homem reclamando disso.
Sou umas das defensoras de que mulheres trabalharem fora, que as tarefas em casa sejam divididas e que todos, homens ou mulheres, enquanto indivíduos encontrem o seu lugar ao sol. Então, antes de ficar com esse vitimismo de “ai como nós somos coitadinhas” porque ganhamos menos e temos jornada dupla, vá à luta e mostre com resultados a que veio. O mundo está mudando, sim. A realidade hoje é diferente da que muitas de nós ou dos homens da nossa geração foram criados. E temos, sim, todas as condições de lutarmos pelo que acreditamos e pela vida que desejamos ter. Apenas temos que ser responsáveis por desempenhar um bom trabalho e preparar as futuras gerações para um mundo onde homens e mulheres trabalhem lado a lado, seja em casa ou dentro da empresa.
Se existe preconceito? Óbvio. Preconceito é inerente ao ser humano e baseia-se nas experiências que cada um teve ou deixou de ter. Ao passo que ninguém, absolutamente ninguém, pode ou tem o direito de controlar as suas opiniões. Claro que há homens que pensam que mulheres são inferiores, assim como há mulheres que consideram os homens dessa mesma forma. Mas o erro não está se é homem ou mulher, homossexual ou heterossexual. O erro está em considerar o outro ser humano inferior a você. Todos são dignos de respeito.
E, só para terminar, ainda falando em ‘empoderar’ as mulheres, que tal chamar as amigas, o marido ou namorado, filhos ou quem mais quiser, e ir para rua no domingo para tirar a incompetente do poder? Ou acha que ela tinha que estar lá só porque é mulher? Por fim, então, feliz “dia da mulher” para você que, assim como eu, está preocupada com o futuro da nação ao invés de só querer saber de você mesma.
http://www.fee.rs.gov.br/wp-content/uploads/2015/04/20150504relatorio-sobre-o-mercado-de-trabalho-do-rio-grande-do-sul-2001-13.pdf
 http://scholar.harvard.edu/goldin/publications/grand-gender-convergence-its-last-chapter
 Pela Consolidação das Leis do Trabalho no Brasil, a licença-maternidade é de 120 dias. Empresas que aderem ao programa ‘Empresa Cidadã’ concedem 180 dias de licença maternidade, abatendo do imposto de renda os valores dos dois salários extras. A regra só vale para as empresas que têm tributação sobre lucro real. Empresas que declaram pelo lucro presumido ou estão integradas no Simples Nacional podem aderir, mas não terão direito à dedução.
* Vivian Vicentini é Engenheira Química pela UFSM e Doutora em Ciências pela UFRJ.

3/05/2016

Estação Cocal


O PIAUÍ E A PIADA DE MAU GOSTO
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Em um destes dias, fiz uma piada envolvendo a “polêmica dos shortinhos” na minha página pessoal no Facebook que envolvia comentários generalizantes sobre a beleza das mulheres do Piauí. Até aí, algo absolutamente normal para quem está acostumado com o conteúdo de humor, deboche e de alta acidez desta página. Mas o que ocorreu em seguida foi digno de um episódio do desenho animado South Park: o post tomou grande repercussão no estado, com direito a matérias de televisão, notícias em jornais, carta de advogada da OAB e pronunciamento de um deputado na Câmara.
Normalmente, sou da política de que piadas não devem ser explicadas, mas, inspirados pelo quadro “Explaning Jokes do Idiots”, do jornalista e humorista americano Bill Maher, vamos a algumas considerações importantes:
1- Como dito, tudo que eu escrevo tem um alto componente de ironia e sarcasmo. Normalmente, julgados politicamente incorretos. Se você não acredita, leia todos os outros posts da página. Curiosamente, o imediatamente anterior era um deboche com os pedalinhos do sítio do Lula e o seguinte o compartilhamento de um ato de stand-up do comediante americano Bill Burr.
2- Eu ainda fui explícito no primeiro comentário do polêmico post, dizendo que tinha ciência de que alguns idiotas levariam o conteúdo a sério. Eu não imaginava, no entanto, que seriam tantos.
3- Logo em seguida, tomei o cuidado de fazer uma nova postagem explicando a piada e reconhecendo o óbvio: existem mulheres bonitas no Piauí e feias no Rio Grande do Sul. Destas, ainda nominei algumas, para ficar claro. Não deveriam haver mais dúvidas, mas alguns brasileiros não conseguem mais interpretar textos. Culpa do país alfabetizado a la Paulo Freire.
4- Não é preciso ser um gênio para entender que um artifício comum do humor é levar características individuais ao limite e fazer generalizações. Já ouviu falar de piadas de português? Ou, que tal, piadas de advogado? Você pode gostar ou não da piada. O meu direito de fazê-la é idêntico ao seu direito de não rir. Mas você não tem o direito de levar uma piada a sério, a não ser que VOCÊ não queira ser levado a sério como pessoa.
5- Tenho total confiança de que a imensa maioria das pessoas entendeu a mensagem. Infelizmente, o mundo de hoje está chato. E não sou eu quem está dizendo, mas alguns dos melhores comediantes do planeta: Jerry Seinfeld, Chris Rock, Bill Maher, Larry the Cable Guy, Bill Burr, Louis CK estão reclamando por não conseguirem mais fazer piadas em alguns círculos por conta da patrulha da Praga Politicamente Correta, para usar a expressão do filósofo Luiz Felipe Pondé. Nas palavras do Seinfeld “Estas pessoas querem usar essas palavras como ‘sexista’, ‘preconceituoso’, ‘racista’, [ou xenofóbico] mas não tem ideia do que estão falando”. Eu não me considero um Jerry Seinfeld, mas sem dúvidas penso que gozo dos mesmos direitos que ele.
6- Veja, citei apenas comediantes americanos, porque aqui a coisa está bem pior. Qualquer um dos acima mencionados teria que lidar com um destes advogados fracassados em busca de uma “defesa dos oprimidos” que garanta uma aparição nos jornais. Pobre do Danilo Gentili…
7- Meu avô, que ria de todas as inúmeras sátiras que faziam dele na televisão (no tempo em que podiamos satirizar o Presidente da República), dizia que só uma pessoa sadia consegue rir de si mesma. O Brasil já foi assim, mais sadio. No tempo onde o Costinha podia fazer piadas com uma “bichinha pobrezinha”. Na época onde uma trupe de um gay, um nordestino, um negro e um bundão faziam piadas à vontade nos Trapalhões. Ou no tempo em que a TV Pirata e o Casseta e Planeta gozavam das balas perdidas do Rio de Janeiro, enquanto os Mamonas Assassinas e o Falcão satirizavam gaúchos e nordestinos, sem culpas. Abro aspas para o Renato Aragão: “Naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam. Elas sabiam que não era para atingir, para sacanear”. Se uma advogada destas colocar a TV no canal VIVA é capaz de abrir processo contra a Rede Globo.
8- Obviamente, a indignação da Ordem dos Advogados Bolivarianos é seletiva. Esta mesma OAB que está indignada com a minha piada, acha que não há nas “pedaladas fiscais” motivos para o impeachment de Dilma Rousseff. Ou seja: no senso moral deturpado desta gente, fraudar contas públicas pode, fazer piada não.
9- Mais sobre o senso de indignação seletivo: qual foi a postura da OAB quando o Lula disse que Pelotas, no RS, era uma cidade “polo exportadora (sic.) de viados”? Eu ri da piada, mas e a OAB? Seria um caso duplo de preconceito contra os gays e os pelotenses?
10- Fazer piadas com todos os símbolos religiosos cristãos, direito dos quais o pessoal do Porta dos Fundos usa e abusa, pode, segundo o critério da OAB. Afinal, símbolo religioso pode até ser enfiado no fiofó, sem um pingo de indignação da Ordem. A beleza da mulher piauiense é mais sagrada do que a Virgem Maria e Nosso Senhor Jesus Cristo, ao que parece.
11- Apesar de muitos piauienses terem conseguido rir, foram também muitos os que entraram no meu perfil do Facebook para me ofender, xingar a minha família e me ameaçar explicitamente, até mesmo de morte. Onde estava a OAB? Onde está a proporcionalidade do direito de resposta? Não vi nenhuma indignação. De novo, no critério doentio de alguns advogados, ameaça de morte pode, piada não.
12- Onde estava a OAB quando o humorista esquerdista do site de humor Cocadaboa, MrManson (pseudônimo de Wagner Martins) escreveu o livro “Transpiauí: uma peregrinação proctológica”? O conteúdo é bastante pior, considero. Mas eu esqueço que se o humorista for esquerdista, pode tudo e que advogado da OAB não tem o hábito de ler livros. (Dica: de novo, é uma piada).
13- Que pena que eu tenho dos contribuintes compulsórios da OAB. Não apenas pelo conjunto da obra, mas deve ser muito triste ver os seus recursos sendo usados para pagar uma “Presidente da Comissão da Mulher” tão desocupada, mesmo em um estado onde as mulheres sofrem tantos estupros, agressões e crimes sérios. Desocupada, aliás, porque quer, uma vez que a Dra. Eduarda Mourão, poderia fazer melhor uso do seu tempo e recursos em um curso básico de gramática. Assim, evitaria o vexame público de soltar uma nota com pelo menos oito erros de português em apenas quatro parágrafos. (Dica: desta vez não é uma piada…ou é?).
14- Falando em dinheiro de contribuintes forçados, é uma desgraça ver meus impostos sustentando deputados como Silas Freire, do PR-PI, que pediu a palavra na câmara para chamar de idiota o empresário Flávio Figueiredo (sic.) e dizer que o povo do Piauí não precisava usar saco na cabeça porque tinha fama de…… honesto e trabalhador (?!?!). Se a incoerência e a dificuldade em acertar um simples nome não provam quem é o verdadeiro idiota, eu não sei o que provam.
15- Ainda, sobre o idiota acima: não tenho ideia de quem seja. O que vi, é que é deputado pelo PR, partido coligado com o PT nas últimas duas eleições presidenciais e com integrantes acusados em virtualmente todos os escândalos de corrupção no Brasil desde sua fundação. Talvez por isso, ao contrário do povo do Piauí, seus políticos não tenham lá toda essa fama nem de honestos, nem de trabalhadores.
16- Seguindo a linha de sugestões sobre melhor uso do tempo pago com recursos alheios, fico muito feliz que o deputado Silas Freire esteja focado em resolver as prioridades do povo que o elegeu. Afinal, o que importa que seu estado tenha um Índice de Desenvolvimento Humano inferior ao do Gabão e um dos piores da federação, quando alguém está por aí fazendo piadas impunemente? E por que pedir a palavra na Casa do Povo para falar sobre os desvios bilionários do Petrolão, quando a reputação da beleza das mulheres do seu estado está sendo questionada? (Dica: é uma piada.)
17- É um bom resumo do Brasil: Em anos de profunda depressão, em um país parado investigando a extensão do desvio de bilhões de reais dos cofres públicos, a OAB está pedindo que o Ministério Público perca tempo de um promotor, pago com o erário, para combater…. uma piada. Enquanto isso, um deputado, também pago com o erário, perde tempo na Câmara, com…. uma piada. E ainda, uma horda de mimimis da geração 7×1 que deveriam estar capinando um terreno, lavando uma louça e contribuindo com o PIB, mostram a sua indignação com… uma piada. Multiplique tudo isso pelo número de casos do tipo espalhados pelo país e verá porque não precisamos de ajuste fiscal ou CPMF.
18- É bom ressaltar que não sou o primeiro a arrumar briga com parte do povo do Piauí. Sugiro a leitura para os mais jovens do espetacular Nelson Rodrigues e a crônica essencial “Salvando o Piaui do seu ufanismo”. Me sinto em excelente companhia. Mas, de novo, no país alfabetizado pelo Paulo Freire, acho que peço demais recomendando a leitura de Nelson Rodrigues.
19- Não estou nem um pouco preocupado do ponto de vista jurídico, não por me achar acima da lei, mas por, mesmo bem assessorado, me sentir amplamente amparado pela Constituição Federal. Mas, me pergunto se a advogada parou para pensar na bobagem que disse quando me acusou publicamente de cometer um crime. Ora, mesmo que eu estivesse falando sério – o que deixei claro que não estava – o que há de errado em chamar alguém de feio? Beleza é subjetiva e pessoal. Feiúra para o meu gosto ainda não constitui crime ou demérito como ser humano. Não seria tal postura pautada no preconceito com as feias e, portanto, uma violação dos “princípios da ética e da urbanidade e dignidade da mulher [feia] e das condições humanas que preveem as relações sociais de respeito mútuo e valorização do ser humano” (sic. sic. sic. sic.)?. Feios, uni-vos! Onde está a OAB para defender os feios de discriminação? Se bem que, no caso da Dra. Eduarda Mourão, isto talvez fosse considerado por alguns advogar em causa própria. (Dica: é uma piada)
20- Apesar de estar acostumado, ainda me causa repulsa o comportamento de todos os palhaços deste circo. Toda esta repercussão acontece, não pelo conteúdo do que eu disse, que é inocente e cotidiano, mas por QUEM o disse. Não fosse, não teria sido necessário deturpá-lo. Tenho absoluta certeza de que se não fosse o “neto do último ditador” (volto a isso adiante), a imprensa ou a OAB perderiam um segundo sequer para repercutir o assunto. Porém, na cabeça dos abutres, “netos de ditadores” possuem direitos constitucionais diferentes, desde que seja necessário cumprir alguma agenda ideológica ou aparecer um pouquinho na televisão.
21- Aproveito para corrigir os noticiários, que divulgam amplamente duas informações falsas: primeiro, não sou sócio do Donald Trump (quem me dera!). Segundo, não sou neto de ditador, uma figura que segundo os dicionários (olha eu, exigindo leitura de dicionários!) “reúne em si todos os poderes públicos.” Como João Figueiredo foi eleito indiretamente, com mandato fixo, com o Congresso e governadores eleitos diretamente e de maioria oposicionista, governou sem atos institucionais, sem censura, sem medidas provisórias, sem presos políticos e entregou o governo pacificamente para um opositor, não se enquadra nem de longe nesta definição. Considero, estas sim, informações falsas, injuriosas e, portanto, criminosas e sujeitas a processo. OAB, me ajude!
22- Não foram apenas estes os equivocos dos noticíarios. A imensa maioria dos jornais divulgou os fatos pela metade, com ênfase onde quiseram e sem sequer me ouvir. Em suma, publicaram uma notícia FALSA, prestando um desserviço aos seus leitores, espectadores e consumidores (Alô OAB, onde estão os direitos dos consumidores?)3. Depois reclamam que se tornaram irrelevantes e estão falidos. Podem espernear, mas provavelmente eu tenho mais leitores do que qualquer jornal do Piauí.
23- Por fim, quero reafirmar algo que também está claro a todos os que me conhecem ou frequentam a minha página: o respeito às pessoas pelo que elas são e pela maneira como se portam, independente de sua origem, cor, credo, opção sexual ou até beleza. Ser piauiense, assim como ser carioca, gaúcho, brasileiro, americano ou o que quer que seja não deve, por si só, ser motivo de orgulho ou vergonha para ninguém. Ser honesto, trabalhador, bom e justo, sim. E talvez, só talvez, ser bem humorado também valha alguma coisa.
Quod erat demonstrandum, o Brasil em que vivemos é a maior das piadas de mau gosto.

3/02/2016

Estação Cocal


DEVEM OS POLÍTICOS DE OPOSIÇÃO SUBIR NOS PALANQUES DIA 13 DE MARÇO?





A revolta com o PT é tão grande que tem levado uma parte considerável das pessoas a buscar alternativas mais, digamos, radicais. Jair Bolsonaro vem à mente, crescendo nas pesquisas. O fato de nossa “oposição” ser pusilânime demais, frouxa demais, em nada ajuda. O PSDB não soube assumir o papel de líder de um movimento organizado antipetista, até porque tem viés de esquerda e encontra dificuldade em adotar um discurso mais direitista, necessário para o país hoje.
Nesse ambiente, alguns seguidores de Bolsonaro chegaram a atacar Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, por ter “tucanado” demais. O mesmo valeria para Rogério Chequer, do Vem Pra Rua. A aproximação entre esses movimentos pró-impeachment e os políticos vistos como fracos tem gerado muitas críticas. Mas será que o melhor é manter os políticos de oposição, mesmo oportunistas, longe das manifestações?
Acredito que não, que esse “purismo” é contraproducente, e que é hora de algum pragmatismo para todos aqueles que entendem qual a verdadeira prioridade no momento: tirar o PT do poder. Nesse contexto, a aparente mudança de postura de Aécio Neves é bem-vinda:
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), usou o termo “pós-Dilma” para defender a construção de uma agenda para o país e defendeu a atuação da oposição no apoio aos protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff convocados para o dia 13 de março.
— A saída para o Brasil no pós-Dilma, que eu espero que se dê o rapidamente possível, terá que ser dada com diálogo, com a construção de uma nova agenda, que passe por confiança, por credibilidade, que a presidente, infelizmente para todos nós brasileiros, já perdeu — disse Aécio.
O termo foi usado ao comemorar a filiação do senador Ricardo Ferraço, que deixou o PMDB fazendo críticas ao apoio daquele partido ao governo Dilma Rousseff.
— Ricardo Ferraço terá um papel estratégico, ao lado da liderança da minoria aqui no Senado Federal, mas também ao meu lado na direção nacional, não apenas na construção da agenda do pós-Dilma, mas também de uma articulação política que dê estabilidade ao país quando essa triste página da nossa história protagonizada pelo PT e pelos aliados seja definitivamente virada — disse o presidente do PSDB.
As manifestações do próximo dia 13 foram convocadas por movimentos que se autointitulam apartidários, mas Aécio afirmou que a oposição está se “incorporando” a esta ação. Ele e demais lideranças da oposição se reuniram nesta terça-feira com representantes dos movimentos.
— Nós não vamos nos omitir. O PSDB e os demais partidos de oposição estão convocando os brasileiros para que possam ir às ruas no próximo dia 13 de março e dar um basta definitivo a isso que vem acontecendo no Brasil. A presença dos brasileiros nas ruas certamente pode abreviar o sofrimento de tantos com alto desemprego, inflação sem controle e com a falta de esperança — disse o tucano, antes da reunião.
Ora, sejamos realistas: para tirar o PT logo do poder, toda ajuda é necessária, principalmente a dos políticos que podem votar pelo impeachment! Tentar manter uma postura purista e afastar os tucanos dessa luta é bobagem. Primeiro, porque eles têm a máquina partidária para colocar em funcionamento e ajudar a mobilizar manifestantes. Segundo, porque só eles podem articular no Congresso o acordo para levar ao impeachment.
Carla Zambelli representou a Aliança, grupo que reúne 45 movimentos, e afirmou que foi uma decisão dos manifestantes buscar apoio político. A argumentação é de que não dá para ser “hipócrita” e negar que é preciso ter apoio do Congresso para conseguir aprovar o impeachment de Dilma.
– Quando o pedido de impeachment foi aceito e começou a tramitar, nós precisamos do apoio do Congresso. Diante disso que se decidiu unir as ações – afirmou Carla.
Ela ressaltou que a união a grupos políticos para a defesa da saída de Dilma não significa um apoio dos movimentos para um momento posterior, seja com o vice Michel Temer assumindo ou no cenário de uma nova eleição.
– A ideia é uma união pelo impeachment. Se no day after qualquer um dos que teve aqui aparecer envolvido em corrupção, na Lava-Jato ou outra questão, se tiver que bater, nós vamos bater – disse a representante da Aliança.
Está certa! Alguns desses líderes das manifestações poderão encarar a fama como trampolim para uma carreira política no futuro? Sem dúvida! Lindbergh Farias em à mente, mas com uma importante diferença: ele era um esquerdista atacando Collor para defender algo ainda pior. Os jovens do MBL são liberais, que atacam o PT (e também o PSDB, diga-se de passagem) para defender um modelo bem melhor. Não seria bom tê-los na política no lugar do PT e do PSOL?
Todos precisam compreender a urgência do momento. Não é hora de preciosismo, de dogmatismo, de purismo. É hora de uma ampla aliança nacional contra o PT, pois o país não aguenta mais três anos de Dilma. E os tucanos são fundamentais nesse processo, como grande parte do PMDB. Depois poderemos voltar nossas energias contra eles. Mas só depois que o PT estiver derrotado, afastado do poder, parado de destruir nosso país. Até lá, todo foco no combate ao lulopetismo!
Rodrigo Constantino

2/25/2016

Estação Cocal


“DISCRIMINAÇÃO POSITIVA”: APENAS UM NOME BONITO PARA UMA GRANDE INJUSTIÇA


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O sociólogo Demétrio Magnoli tem sido uma das vozes mais ativas no Brasil contra o regime de cotas. Já escrevi vários textos sobre o assunto também, pois entendo que tais medidas sejam coletivistas ao extremo, ineficazes na melhor das hipóteses, e perigosas na mais provável delas. Na era do “mimimi” vitimista, grupos organizados encontraram na narrativa das injustiças passadas uma oportunidade de ouro para vender novas injustiças e acumular privilégios indevidos. É o que mostra Demétrio em sua coluna de hoje, após comentar os problemas que isso tem causado na Índia:
O princípio da igualdade legal assenta-se na promessa de que todos os indivíduos terão oportunidades decentes na vida. A política da “discriminação positiva” repousa, pelo contrário, na distribuição de privilégios para grupos sociais definidos segundo uma classificação oficial. Os Jat de classe média tendem a ser os principais beneficiários da reserva de vagas no funcionalismo público que seus líderes reivindicam. “Discriminação positiva” é o nome bonito que se dá à opção por uma dupla injustiça. De um lado, ela eterniza a baixa qualidade dos serviços públicos destinados à maioria da população, prometendo compensá-los pelo recurso às cotas. De outro, cria facilidades extraordinárias para o escalão superior da casta alegadamente retardatária.
A cor da pele não distingue as castas. Na Índia, a “discriminação positiva” legitima-se sobre uma marca social invisível. No Brasil, a política de cotas raciais legitima-se sobre uma marca individual mais ou menos visível, que é a cor da pele. A outra diferença é que, entre nós, o princípio legal da igualdade foi renegado por iniciativa da própria corte constitucional. No mais, o Brasil segue a via trilhada pela Índia. Aqui, como lá, a marca da distinção exige classificações dos cidadãos que reduzem os indivíduos à condição de exemplares de grupos sociais tipificados por meio de atos oficiais. Além disso, crucialmente, a película da “ação afirmativa” disfarça uma persistente exclusão no âmbito educacional que discrimina negativamente os pobres de todas as “castas”.
Enxergar o indivíduo, com seus méritos e deméritos, encarar a péssima qualidade de educação geral, entender que não é a cor da pele que determina o caráter de uma pessoa, tudo isso dá muito trabalho e vai contra o discurso coletivista dos “oprimidos”. Tal discurso atende apenas à demanda de uma minoria que fala em nome das “minorias”, de uma patota que se aproveita da elite culpada para extrair vantagens imerecidas. Quando todos, inclusive o próprio estado, passam a ver a cor da pele como a característica determinante, então o racismo só pode ser fomentado.
Os liberais pregam a igualdade de todos perante as leis, independentemente de cor e “raça”, de sexo, de credo e de renda. Eis um ideal nobre a ser perseguido, ao contrário dessa visão coletivista que mata o indivíduo, pois ele só passa a existir como referência ao grupo.

Rodrigo Constantino

2/24/2016

Estação Cocal


ILUMINISMO & ILUSIONSIMO – PARTE I
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Por Mônica Lustosa, publicado pelo Instituto Liberal

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Recentemente, eu passava um final de semana na praia de Muro Alto, a vizinha rica de Porto de Galinhas. Sob guarda-sóis brancos, estávamos reunidos à beira daquele delicioso mar de águas cristalinas, quando eu fiz um comentário trivial: “a esquerda reinou absoluta por décadas, mas, agora, a direita está voltando”. Eu não falei mais alto do que ninguém, mas foi como se tivesse dado um grito de guerra. Subitamente, todas as conversas paralelas – éramos cerca de nove pessoas –, foram suspensas, e eu pude constatar que, atrás dos óculos escuros, os dezoito olhinhos atônitos voltaram-se para mim. Uma amiga de infância virou o rosto em minha direção e exclamou: “Moniquita”! Está bem, eu exagerei; ela não disse nada, mas, com aquele olhar, foi como se dissesse.
A palestra de Luiz Felipe Pondé, no 27º Fórum da Liberdade, serve para ilustrar o assunto introduzido pelo parágrafo anterior. “O pensamento antiliberal ou de esquerda conseguiu, no Brasil, e não só no Brasil, conseguiu colar (sic) em si uma etiqueta que [indica que] ele é humanista, que ele é do bem e que ele está preocupado com os seres humanos. E quem é contra esse pensamento, cabe a ele uma espécie de pecha de que ele é egoísta, anti-humanista, malvado e cruel. A gente pode empurrar isso pra debaixo do tapete, a gente pode pensar que esse tema não existe, ou não é importante, mas isso é um fato”.
Sim, isso é um fato, e é a razão pela qual os meus amigos ficaram estupefatos ao testemunhar-me comemorando a volta da direita, que, no Brasil, ainda é vinculada à ditadura militar. Ora, a política econômica brasileira, sob o comando dos generais, assemelhava-se muito mais ao modelo celebrado pela esquerda – com suas empresas estatais, ampla regulação econômica e censura à imprensa –, do que ao modelo liberal, regido pela liberdade econômica. Meus companheiros de praia – vale ressaltar que nenhum deles é simpatizante dos partidos da base governista –, consideram-se de esquerda, sem sê-los de fato, vez que eles aclamam valores e princípios incompatíveis com a prática esquerdista.
Ao olharmos pelo retrovisor da história, poderemos constatar que dissensões conceituais não são exclusividades da nossa era. Voltaire, inclusive, já advertia para essa questão muito antes do surgimento das doutrinas fraudulentas que hoje nos assediam – “se queres conversar, define primeiro os termos que usas”, dizia ele. – Uma vez que a confusão, que atualmente só beneficia o coletivismo, tem poderoso impacto nas nossas escolhas políticas, como ensinou o iluminista, precisamos definir nossos termos, por mais óbvios que eles pareçam, pois os ilusionistas da esquerda andam à espreita.
O maior dos equívocos, mantido até hoje como se tivesse o aval da ciência, foi forjado por Marx, o ilusionista mor, no século dezenove, quando toda essa balbúrdia terminológica começou. De 1815 a 1914, entre as guerras napoleônicas e o início da Primeira Guerra, não houve nenhuma grande guerra na Europa, que colhia os frutos da liberdade econômica cuidadosamente semeada no século anterior, por Milton, Locke, Hume, Smith, Humboldt, entre outros ícones do liberalismo clássico. A Inglaterra removera, unilateralmente, suas barreiras artificiais ao livre comércio, e o mundo começava a conhecer um pouco do que a liberdade pode fazer pela economia. Marx, no entanto, para se referir ao modelo liberal, forjou o termo “capitalismo”, como uma forma pejorativa cuja intenção era denegrir o sistema livre, ao passo que destinou à sua vã doutrina o título de “socialismo”, expressão de valoração positiva.
O que ele pretendia, além de desvincular o sistema vitorioso da época ao seu verdadeiro nome – liberalismo –, era entronizar no inconsciente coletivo que o capitalismo estava a serviço do capital, ou daqueles que o possui; o socialismo, a serviço do social, ou melhor, da imensa parcela da sociedade que não tem acesso ao capital. Olha a jogada do ilusionista! O que ninguém percebeu — e se percebeu não lutou contra, e se lutou, não logrou êxito — foi que, com esse uso destorcido da linguagem, o vendedor de sonhos armou uma arapuca para os amantes da liberdade.

Segundo o ilusionista mor, no “capitalismo”, a propriedade dos bens de produção é privada; no socialismo, pública. Todo mundo sabe que, por uma questão de sobrevivência, a teoria marxista teve que fazer essa concessão à atividade prática, pois, uma vez que o governo não tinha condições de produzir tudo que a população precisava, até no regime soviético, grande parte das empresas eram particulares. No entanto, para demonstrar a incoerência do termo “capitalismo” como denominação do sistema baseado no livre mercado, vale considerar a premissa marxista. Ora, se capital é, por definição, bem econômico utilizado para a produção de outros bens ou serviços, então, tanto nos países “socialistas” quanto nos “capitalistas”, há capital, seja de propriedade do Estado ou da iniciativa privada. Nesse sentido, o Estado detentor de capital é capitalista, da mesma forma que o é um indivíduo.
Portanto, analisando a dinâmica da economia, o que podemos constatar é que a bipolarização se dá entre ocapitalismo liberal e o capitalismo estatal. O primeiro é o sistema econômico cuja atividade produtiva, exercida livremente pelos indivíduos, orienta-se pela dinâmica de um mercado livre; enquanto que, no capitalismo estatal, a atividade produtiva é submetida à autoridade de um Estado despótico. Feitas essas considerações óbvias, uma breve reflexão é suficiente para concluir que os termos indicados para nominar os dois modelos é liberalismo e estatismo.

Estação Cocal




ILUMINISMO & ILUSIONSIMO – PARTE I


Por Mônica Lustosa, publicado pelo Instituto Liberal

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Recentemente, eu passava um final de semana na praia de Muro Alto, a vizinha rica de Porto de Galinhas. Sob guarda-sóis brancos, estávamos reunidos à beira daquele delicioso mar de águas cristalinas, quando eu fiz um comentário trivial: “a esquerda reinou absoluta por décadas, mas, agora, a direita está voltando”. Eu não falei mais alto do que ninguém, mas foi como se tivesse dado um grito de guerra. Subitamente, todas as conversas paralelas – éramos cerca de nove pessoas –, foram suspensas, e eu pude constatar que, atrás dos óculos escuros, os dezoito olhinhos atônitos voltaram-se para mim. Uma amiga de infância virou o rosto em minha direção e exclamou: “Moniquita”! Está bem, eu exagerei; ela não disse nada, mas, com aquele olhar, foi como se dissesse.
A palestra de Luiz Felipe Pondé, no 27º Fórum da Liberdade, serve para ilustrar o assunto introduzido pelo parágrafo anterior. “O pensamento antiliberal ou de esquerda conseguiu, no Brasil, e não só no Brasil, conseguiu colar (sic) em si uma etiqueta que [indica que] ele é humanista, que ele é do bem e que ele está preocupado com os seres humanos. E quem é contra esse pensamento, cabe a ele uma espécie de pecha de que ele é egoísta, anti-humanista, malvado e cruel. A gente pode empurrar isso pra debaixo do tapete, a gente pode pensar que esse tema não existe, ou não é importante, mas isso é um fato”.
Sim, isso é um fato, e é a razão pela qual os meus amigos ficaram estupefatos ao testemunhar-me comemorando a volta da direita, que, no Brasil, ainda é vinculada à ditadura militar. Ora, a política econômica brasileira, sob o comando dos generais, assemelhava-se muito mais ao modelo celebrado pela esquerda – com suas empresas estatais, ampla regulação econômica e censura à imprensa –, do que ao modelo liberal, regido pela liberdade econômica. Meus companheiros de praia – vale ressaltar que nenhum deles é simpatizante dos partidos da base governista –, consideram-se de esquerda, sem sê-los de fato, vez que eles aclamam valores e princípios incompatíveis com a prática esquerdista.
Ao olharmos pelo retrovisor da história, poderemos constatar que dissensões conceituais não são exclusividades da nossa era. Voltaire, inclusive, já advertia para essa questão muito antes do surgimento das doutrinas fraudulentas que hoje nos assediam – “se queres conversar, define primeiro os termos que usas”, dizia ele. – Uma vez que a confusão, que atualmente só beneficia o coletivismo, tem poderoso impacto nas nossas escolhas políticas, como ensinou o iluminista, precisamos definir nossos termos, por mais óbvios que eles pareçam, pois os ilusionistas da esquerda andam à espreita.
O maior dos equívocos, mantido até hoje como se tivesse o aval da ciência, foi forjado por Marx, o ilusionista mor, no século dezenove, quando toda essa balbúrdia terminológica começou. De 1815 a 1914, entre as guerras napoleônicas e o início da Primeira Guerra, não houve nenhuma grande guerra na Europa, que colhia os frutos da liberdade econômica cuidadosamente semeada no século anterior, por Milton, Locke, Hume, Smith, Humboldt, entre outros ícones do liberalismo clássico. A Inglaterra removera, unilateralmente, suas barreiras artificiais ao livre comércio, e o mundo começava a conhecer um pouco do que a liberdade pode fazer pela economia. Marx, no entanto, para se referir ao modelo liberal, forjou o termo “capitalismo”, como uma forma pejorativa cuja intenção era denegrir o sistema livre, ao passo que destinou à sua vã doutrina o título de “socialismo”, expressão de valoração positiva.
O que ele pretendia, além de desvincular o sistema vitorioso da época ao seu verdadeiro nome – liberalismo –, era entronizar no inconsciente coletivo que o capitalismo estava a serviço do capital, ou daqueles que o possui; o socialismo, a serviço do social, ou melhor, da imensa parcela da sociedade que não tem acesso ao capital. Olha a jogada do ilusionista! O que ninguém percebeu — e se percebeu não lutou contra, e se lutou, não logrou êxito — foi que, com esse uso destorcido da linguagem, o vendedor de sonhos armou uma arapuca para os amantes da liberdade.
Segundo o ilusionista mor, no “capitalismo”, a propriedade dos bens de produção é privada; no socialismo, pública. Todo mundo sabe que, por uma questão de sobrevivência, a teoria marxista teve que fazer essa concessão à atividade prática, pois, uma vez que o governo não tinha condições de produzir tudo que a população precisava, até no regime soviético, grande parte das empresas eram particulares. No entanto, para demonstrar a incoerência do termo “capitalismo” como denominação do sistema baseado no livre mercado, vale considerar a premissa marxista. Ora, se capital é, por definição, bem econômico utilizado para a produção de outros bens ou serviços, então, tanto nos países “socialistas” quanto nos “capitalistas”, há capital, seja de propriedade do Estado ou da iniciativa privada. Nesse sentido, o Estado detentor de capital é capitalista, da mesma forma que o é um indivíduo.
Portanto, analisando a dinâmica da economia, o que podemos constatar é que a bipolarização se dá entre ocapitalismo liberal e o capitalismo estatal. O primeiro é o sistema econômico cuja atividade produtiva, exercida livremente pelos indivíduos, orienta-se pela dinâmica de um mercado livre; enquanto que, no capitalismo estatal, a atividade produtiva é submetida à autoridade de um Estado despótico. Feitas essas considerações óbvias, uma breve reflexão é suficiente para concluir que os termos indicados para nominar os dois modelos é liberalismo e estatismo.