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2/23/2016

Estação Cocal

Polícia Civil pede prisão de sete por rompimento de barragem em Mariana

Presidente licenciado da Samarco Ricardo Vescovi está entre os indiciados.
Funcionários da empresa e engenheiro responderão por homicídio.

Thais PimentelDo G1 MG

A Polícia Civil indiciou e pediu a prisão preventiva, nesta terça-feira (23), de sete pessoas pelorompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Entre elas está Ricardo Vescovi, presidente licenciado da empresa que pertence à Vale e à australiana BHP Billiton.
O acidente ocorreu em 5 de novembro do ano passado, causando uma enxurrada de lama que destruiu o município de Bento Rodrigues, além de poluir o Rio Doce até a foz, no Espírito Santo. O inquérito, que apurou as 19 mortes causadas pelo rompimento da barragem, possui 13 volumes, 2.432 páginas e cerca de 100 depoimentos.
Veja lista dos indiciados:
Samarco
Ricardo Vescovi, presidente licenciado
Kléber Terra, diretor-geral de operações
Germano Lopes, gerente-geral de projetos
Wagner Alves, gerente de operações
Wanderson Silvério, coordenador técnico de planejamento e monitoramento
Daviely Rodrigues, gerente

VogBR
Samuel Paes Loures, engenheiro

O delegado Rodrigo Bustamante, responsável pela investigação, disse que os pedidos de prisão preventiva – sem prazo pré-determinado – foram apresentados à Justiça para estabelecer a ordem pública, no sentido de acalmar a população em relação aos responsáveis pelo desastre.
Em nota, a Samarco informou que "considera equivocados os indiciamentos e as medidas cautelares de privação de liberdade propostas pela autoridade policial, e vai aguardar a decisão da justiça para tomar as providências cabíveis". 

A empresa informou ainda que vai analisar o inquérito e "reitera que continua colaborando com as autoridades competentes".

O diretor presidente da VogBR, André Euzébio de Souza, disse que a empresa não vai se posicionar sobre o indiciamento do engenheiro Samuel Paes Loures.

Crimes
Em entrevista coletiva na tarde desta terça, Bustamante disse que todos foram indiciados por homicídio qualificado pelo dolo eventual, quando não há intenção, mas se assume o risco. A pena pode variar de 12 a 30 anos para cada uma das 19 mortes.

Também responderão pelo crime de causar inundação e de poluição de águas potáveis. No primeiro, a pena varia de 3 a 6 anos de prisão mais multa. No segundo, de 2 a 5 anos de prisão.  
Para o delegado, todos os indiciados se omitiram após o rompimento da barragem, além de terem assumido o risco de causar um possível acidente.
Bustamante disse ainda que o crime ambiental e as validades das licenças da Samarco serão analisadas em um segundo inquérito.
Ao fim da apresentação, o deputado estadual Agostinho Patrus (PV), presidente da Comissão de Barragens, destacou que o inquérito da Polícia Civil mostrou que o rompimento de Fundão não se tratou de um acidente, mas de um crime.
"Hoje, nós vimos que não foi um acidente, foi um crime. E nós esperamos, e vamos cobrar, que este crime seja cumprido. Que aqueles responsáveis pelas mortes de 17 pessoas e pelo desaparecimento de outras duas, desalojaram, criaram uma série de problemas na água de tantos mineiros, que eles sejam punidos. Para que, eventos como este não se repitam", disse  Agostinho Patrus.
Causa
A causa do desastre, segundo a polícia, foi excesso de água nos rejeitos. A polícia explicou que houve elevada saturação de rejeitos arenosos depositados em Fundão, além de falhas no monitoramento, equipamentos com defeito e número reduzido de equipamentos de monitoramento.

A polícia também apontou entre as razões do acidente a elevada taxa de alteamento anual da barragem – obra para aumentar a capacidade de acomodação de rejeitos –, o assoreamento do dique 2 e a deficiência do sistema de drenagem.
Para Bustamante, este foi "o maior desastre ambiental da história do país". O inquérito foi aberto no dia 6 de novembro de 2015, um dia após o rompimento da barragem de Fundão. A investigação durou três meses.
O perito da Polícia Civil de Minas Gerais, Otávio Guerra Terceiro, explica como se deu o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (Foto: Reprodução/TV Globo)O perito da Polícia Civil de Minas Gerais, Otávio Guerra Terceiro, explica como se deu o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (Foto: Reprodução/TV Globo)

1/14/2016

Estação Cocal


PF indicia Vale, Samarco, executivos e técnicos por tragédia em Mariana

Entre os indiciados está o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi.
Outros seis profissionais foram responsabilizados pelo rompimento.

Do G1 MG

Diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, na saída de depoimento na Delegacia de Meio Ambiente, em BH (Foto: Pedro Ângelo/G1)Diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, está entre os indiciados pela PF (Foto: Pedro Ângelo/G1)
A Polícia Federal informou na tarde desta quarta-feira (13) que indiciou a Samarco, a Vale (dona da Samarco), a empresa VogBR e mais sete executivos e técnicos por crimes ambientais provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.
Segundo a corporação, entre os indiciados está o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi.
Também foram indiciados o coordenador de monitoramento das barragens, a gerente de geotecnia, o gerente geral de projetos e responsável técnico pela barragem de Fundão, o gerente geral de operações, o diretor de operações, e o engenheiro da VogBR – consultoria responsável pela declaração de estabilidade da barragem, emitida em laudo de julho de 2015.
De acordo com a Polícia Federal, eles foram indiciados por causar poluição em níveis que “resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”, como previsto no artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais.
A polícia especificou cargos, mas não mencionou os nomes dos indiciados em nota enviada à imprensa.
Desastre ambiental
A barragem de Fundão se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, destruindo o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e afetando Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce.

Os rejeitos também atingiram mais de 40 cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo. O desastre ambiental, considerado o maior e sem precedentes no Brasil, deixou 17 pessoas mortas e duas desaparecidas.
Empresas
Em nota, a Samarco afirmou que não concorda com o indiciamento dos profissionais "porque até o presente momento não há uma conclusão pericial técnica das causas do acidente".

Inicialmente, a Vale disse que não iria comentar o indiciamento da empresa. Depois, argumentou que, no ponto de vista da empresa, o indiciamento reflete um entendimento pessoal do delegado e ocorre em um momento em que as reais causas do acidente ainda não foram tecnicamente atestadas. A VogBR disse que não foi comunicada oficialmente do indiciamento. A empresa disse não ter informações técnicas que baseiam o indiciamento e que aguardam a notificação para tomar as providências cabíveis.
A Polícia Federal investiga crimes ambientais relacionados ao rompimento da barragem de Fundão, como a devastação do Rio Doce, que é um bem da União. A corporação informou que outros indiciamentos podem ocorrer durante a investigação.
A investigação sobre as mortes no rompimento da barragem é feita pela Polícia Civil de Minas Gerais.
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11/23/2015

Estação Cocal


Ministra diz que chuvas farão lama continuar se movendo pelo Rio Doce

Izabella Teixeira disse que monitoramento no ES será feito por até 120 dias.
Ministra ainda falou que está sendo feito um acompanhamento da fauna.

Do G1 ES

Reunião aconteceu em um hotel em Linhares, no Norte do Espírito Santo (Foto: Secom/ Governo do Estado)Reunião aconteceu em um hotel em Linhares, no Norte do Espírito Santo (Foto: Secom/ Governo do Estado)
A Ministra do Meio Ambiente Izabella Mônica Vieira Teixeira disse nesta segunda-feira (23) que o governo irá monitorar os impactos do vazamento da barragem da Samarco por até 120 dias na região do Rio Doce, no Espírito Santo. Segundo a Izabella, a época de chuvas poderá agravar a situação, já que a lama que está depositada no rio poderá se misturar à água e continuar descendo o leito. A ministra esteve no ES nesta segunda e sobrevoou a região afetada pela lama de rejeitos de minério no Espírito Santo e também a parte do mar que já foi atingida.
mas tenho que lembrar que ficou muita pelo caminho e essa lama ainda está descendo. Com as chuvas, essa lama vai levantar e continuar seguindo. Não posso dizer se os impactos foram menores em Minas Gerais ou Espírito Santo", disse Izabella.
A Ministra disse que no sobrevoo percebeu um impacto muito expressivo nas cidades capixabas e que há um empenho em ajudar as pessoas mais afetadas pelo acidente ocorrido em Mariana (MG).
"Medidas precisam ser adotadas emergencialmente, como o atendimento às populações isoladas, que vivem ao longo do Rio Doce e estão sem informações. Também precisamos olhar pelos trabalhadores que tiram seu sustento do rio, como os pescadores. Eles precisam de ajuda e estamos providenciando isso", falou.
Izabella lembrou das intervenções já feitas, antes da chegada da lama ao estado e ao oceano, como a retirada de espécies animais do Rio Doce e de tartarugas das praias. O Ministério do Meio Ambiente também está acompanhando a dispersão de sedimentos no mar.
"Fizemos ações de mitigação, capturamos espécies, que estão sendo protegidas para futura reintrodução ao sistema. Sobre as tartarugas, o Tamar conseguiu tirar todos os ovos que já estavam depositados e colocados em áreas de segurança. Estamos acompanhando também o que está acontecendo com os peixes que estão morrendo, qual o motivo da morte deles", explicou.
Uma equipe da Marinha do Brasil chega ao Espírito santo nesta terça-feira (24) para fazer testes na lama que já está no mar. "[A lama] Não está dando impacto ao estado da Bahia, não está dando impacto a Vitória, não está dando impacto em Abrolhos", garantiu a Ministra.
Ministra com as equipes dos governos federal e estadual percorrendo a praia de Regência (Foto: Secom/ Governo do Estado)Ministra com as equipes dos governos federal e estadual percorrendo a praia de Regência (Foto: Secom/ Governo do Estado)
Lama no mar
A lama da barragem da Samarco, cujos donos donos são a Vale a anglo-australiana BHP Billiton, já adentrou mais de 10 quilômetros no mar do Espírito Santo, de acordo com o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema). Nesta segunda-feira (23), a prefeitura de Linhares, no Norte do Espírito Santo, orientou a população para que não entre em contato com a água.

Ainda segundo o Iema, a lama já se espalhou por uma extensão de 40 quilômetros pelas praias de Regência e Povoação.

Pescadores contratados pela Samarco enterraram peixes mortos na praia de Povoação, em Linhares, segundo a agência de notícias Reuters. Questionada sobre o enterro dos peixes na praia, a Samarco não respondeu e disse apenas que eles estão sendo armazenados em bombonas (tambores).
Pescadores contratados pela mineradora Samarco, cujos donos são a Vale e a australiana BHP, enterram peixes mortos da praia de Povoação, no Espírito Santo. O local foi inundado por lama após o rompimento de barragens da empresa em Minas Gerais (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)Pescadores contratados pela mineradora Samarco enterram peixes mortos da praia de Povoação, no Espírito Santo. O local foi inundado por lama após o rompimento de barragens da empresa em Minas Gerais (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
A lama de rejeitos de minério que vazou da barragem da Samarco em Mariana (MG) chegou ao mar neste domingo (22), após passar pelo trecho do Rio Doce no distrito de Regência, em Linhares, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
Resgate de peixes no rio
O Iema informa que os peixes encontrados nas águas, agora barrentas, do rio Doce já não têm mais condições de contribuir para o repovoamento do Doce, de seus afluentes e lagoas próximas. Esses organismos já estão debilitados pela condição severa da água misturada a lama de rejeitos e, provavelmente, não sobreviverão ao transporte e também à diferença de condições que encontrarão nas lagoas, segundo o instituto.

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Biólogo
O biólogo Marcos Vago explicou que as substâncias contidas na lama que avança pelo mar podem ser transferidas de um peixe para outro, por meio da cadeia alimentar.

"O problema maior da lama no mar é que essa lama contém metais pesados, e esses metais serão distribuídos em cadeias alimentares e aí acontece a transferência dessa substância. Esses metais são acumulativos e podem chegar até o homem, que se alimenta de animais marinhos", diz o biológo.
Ainda segundo Marcos, além do risco da contaminação, os metais presentes da lama podem prejudicar a respiração dos peixes. “A quantidade de minério é muito grande, ele acumula nas brânquias dos animais e pode impedir que eles façam a troca gasosa”, explicou.
“Muitos animais têm a região de Regência como berçário. A maioria das espécies vêm para poder se reproduzir na foz, onde há água salobra. Esses animais são os mais ameaçados”, disse.
Foz do Rio Doce é tomada por lama de mineração (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)Foz do Rio Doce é tomada por lama de mineração
(Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
Associação de pescadores
De acordo com a Associação de Pescadores de Regência, peixes mortos estão sendo retirados do mar. “A empresa está pagando pescadores para recolher os peixes mortos e levar para análise, para saber porque morreu, qual é a substância que está no corpo do peixe”, explicou o presidente da Asper, Leoni Carlos.

Ele também comentou a situação dos pescadores da vila. “Está crítica, péssima. Não tem como mais sobreviver do Rio Doce. O pescador hoje que não tem uma esposa empregada ou os filhos empregados não tem como colocar comida na mesa. Tenho 68 anos e criei meus filhos da pesca. Hoje meu neto me pergunta ‘vovô, cadê o Rio Doce?’”, contou.
Leoni Carlos também falou sobre a expectativa em relação ao futuro dos pecadores da região. “Eu não tenho mais esperança. Talvez daqui a uns 10 anos a situação melhore, mas até lá eu já morri”, lamentou.
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23/11 - Versão infográfico barragens Mariana (Foto: Arte/G1)