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11/20/2014

Estação Cocal

Congresso Nacional comemora Dia da Bandeira

Da Redação | 19/11/2014, 20h19 - ATUALIZADO EM 19/11/2014, 21h56  


Em solenidade realizada na área externa do Palácio do Congresso Nacional, o Dia da Bandeira foi comemorado nesta quarta-feira (19), com a presença de militares da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira.
O coral do Colégio Militar de Brasília se juntou ao Coral do Senado para cantarem, juntos, o Hino Nacional e o Hino da Bandeira, ao som da banda do Batalhão da Guarda Presidencial.
Após o desfile das 12 bandeiras que representaram o país no passado, a senadora Vanessa Grazziotin ( PCdoB-AM)  e o deputado Weliton Prado (PT-MG) hastearam as bandeiras nos mastros do Senado e da Câmara dos Deputados.
Os 27 jovens senadores empossados esta semana, pelo programa Jovem Senador, desfilaram com as bandeiras dos estados e do Distrito Federal.
Elaine Carvalho, mãe da jovem senadora Anna Rita de Cascia (MG), assistiu o evento com os professores orientadores. Ela destacou a importância da participação dos jovens na cerimônia.
- Hoje, com a tecnologia, os adolescentes estão muitos distantes e não se interessam por momentos cívicos, pela política. E esse é o momento de trazê-los para essa realidade. Ela vivenciando vai passar para os colegas, assim como os professores que vieram — explicou Elaine.
Seiscentos alunos de escolas da rede pública e privada do Distrito Federal foram convidados a assistir ao evento. A professora Maria Aparecida, do Centro Educacional Expoente, de Santa Maria, acredita que a educação precisa de incentivos com relação ao civismo.
- Os alunos não conhecem mais símbolos, então é interessante para que eles possam aprender sobre a cultura e o patriotismo. - afirmou a professora.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado

11/18/2014

Estação Cocal

"É uma forma da presidente manipular a mídia", diz Heráclito sobre regulação da imprensa

"Coitado do país em que a presidente acha que a liberdade de imprensa depende da parte econômica. Isso é horrível", disse o deputado federal eleito em entrevista ao GP1.

GERMANA CHAVES, DO GP1
Atualizada em 18/11/2014 - 19h07
O debate sobre a democratização da mídia do Brasil é antigo, mas deve voltar à luz da discussão no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff que defende a regulação econômica da mídia, sem a interferência de conteúdo.

Contudo, a justificativa dada pela presidente não convenceu o deputado federal eleito, Heráclito Fortes (PSB/PI) que garantiu que Dilma tenta manipular a mídia quando propõe a regulação econômica.
Imagem: Bernardo Marçal / GP1Heráclito Fortes (PSB)(Imagem:Bernardo Marçal  / GP1)Heráclito Fortes (PSB)
“Coitado do país em que a presidente acha que a liberdade de imprensa depende da parte econômica. Isso é horrível. É a mesma coisa de dizer que pra ter a mídia a favor tem que comprar. Não tem meia brasa e nem meia sola. A liberdade de imprensa é constitucional. Não tenho dúvida de que essa é uma forma da presidente tentar manipular a mídia”, garantiu.

Ao falar sobre o assunto, Heráclito Fortes abriu um parêntese a respeito do papel da mídia e alertou para a necessidade de haver mais cautela com o conteúdo divulgado.

“A imprensa também deve ter responsabilidade com que publica pra que haja harmonia e a liberdade permaneça. As calúnias e matérias infundadas devem ser evitadas. A pior coisa na liberdade de imprensa é quando desvirtuam o fato. Para ajudar quem quer ser oposição, a mídia deve fazer uma autofiscalização”, alertou.

A pretensão da presidente Dilma de retomar o diálogo sobre a regulação da mídia, tem causado furor em alguns setores que insinuam que essa seria uma maneira de censura e controle do setor.

Segundo Dilma Rousseff, a medida servirá para impedir o monopólio e os oligopólios regionais dos meios de comunicação do Brasil.

9/12/2014

Estação Cocal

Marina Silva, a carranca e o estado laico

carranca
(A carranca do rio São Francisco no saguão do ministério da Cultura)
Não tenho medo da vitória de Marina Silva. O povo é sábio e soberano. O que ele decidir, será. Irei respeitar e torcer para que dê certo, porque o País é o mesmo. Mas não voto em Marina. Obviamente, como pessoa de esquerda, me preocupa uma possível guinada neoliberal no governo com sua chegada ao poder assessorada por economistas que seguem esta cartilha. Existe, porém, uma razão mais forte que me impede de votar nela. O projeto de Brasil de Marina não é o meu, mas não voto nela principalmente porque não sinto confiança de que governará, sendo evangélica da Assembleia de Deus, a partir da concepção de um estado laico, como promete.
Há uma história que circula no ministério da Cultura desde a época de Gilberto Gil que para mim é emblemática. Gil ganhara uma carranca de madeira, daquelas que ficam na proa dos barcos no rio São Francisco, e chamou Marina, sua colega de prédio e ministra do Meio Ambiente, para “inaugurar” a obra, no hall de entrada comum a ambos ministérios. As carrancas são utilizadas pelos pescadores do rio como adorno e com a crença de que espantam maus espíritos. Marina teria se recusado a participar da cerimônia dizendo que a obra representava o “diabo”. Teria inclusive pedido para que fosse retirada do saguão. Se foi assim que ocorreu, o episódio não abalou sua proximidade com Gil, porque ele vai votar na ex-colega para presidente.
Em outra versão da história, contada em reportagem da revista Época de maio de 2008, a própria Marina teria sido presenteada pelos prefeitos da região do rio São Francisco com a carranca e teria se negado a receber o regalo, que ficou coberto até o final da cerimônia. Na mesma reportagem, uma bióloga do ministério do Meio Ambiente conta que, com Marina Silva à frente da pasta, reuniões técnicas chegavam a ser interrompidas para a realização de cultos evangélicos. Seu assessor Pedro Ivo, um dos coordenadores da campanha de Marina atualmente, negou os cultos durante o expediente, mas admitiu que, na hora do almoço, “funcionários se juntavam para rezar nas salas de reunião” (leia aqui).
Marina não me assusta. Fundamentalistas, sim. Estamos assistindo atônitos, nos últimos anos, à forte investida deles contra as bandeiras progressistas: a descriminalização do aborto como questão de saúde pública, a defesa dos direitos dos cidadãos LGBTs, a descriminalização das drogas. No segundo turno da última eleição, em 2010, os fundamentalistas jogaram as trevas sobre nós ao acusar Dilma Rousseff de ser “abortista”, levando a campanha ao mais baixo nível da história.
Eleita Dilma, não lhe deram trégua: à base de ameaças e chantagens, conseguiram barrar um kit educativo anti-homofobia por eles batizado como “kit gay”. Depois, no Congresso, os fundamentalistas lançaram sobre a Nação a praga de projetos medievais como o da “cura gay” e o Estatuto do Nascituro, apelidado de “bolsa-estupro” por seus críticos, porque prevê o pagamento de uma pensão à mulher que, vítima de estupro, decidir não abortar.
Por que falo em “fundamentalistas” e não “evangélicos”? Porque existem evangélicos progressistas. Gente cristã de verdade, que segue na vida o preceito de amar ao próximo como a si mesmo, e não odiar, como pregam alguns destes pastores insanos. É preciso separar o joio do trigo, distinguir os fiéis destes falsos “servos do Senhor”, interessados apenas em poder e dinheiro. Tenho certeza que muitos evangélicos não os suportam e conseguem enxergar com clareza a falta de cristianismo em suas palavras.
Marina é evangélica, mas honestamente não acredito que seja fundamentalista. De qualquer maneira, a história da carranca me deixou com o pé atrás. Também me chama a atenção o fato de nunca ter visto Marina em uma só foto que seja junto a representantes das religiões de matriz africana, alvos frequentes da intolerância dos fundamentalistas, embora tenha participado de uma campanha presidencial inteira em 2010. Eduardo Campos, sim. Inclusive sancionou em 2012, quando governador, um projeto que tombou terreiros de candomblé em Pernambuco.
Nos últimos dias, tivemos a notícia de que a campanha de Marina Silva voltou atrás e apagou do seu programa de governo o trecho que defendia o casamento gay e justamente após um dos fundamentalistas mais fanáticos e repulsivos, o pastor Silas Malafaia, tê-la criticado no Twitter. Malafaia, aliás, declarou voto na candidata. Marina também ganhou a declaração de voto no segundo turno de outro pastor fundamentalista, o deputado federal Marco Feliciano, já defendido por ela como “vítima” de hostilidades por ser evangélico e não por ser o autor de frases de cunho homofóbico e racista.
Se, ameaçada por esta gente, a presidente Dilma Rousseff foi capaz de recuos em projetos importantes para a comunidade LGBT, como acreditar que, tendo eles a seu lado e professando do mesmo credo, Marina Silva não fará igual? Ou pior?
O fundamentalismo religioso e sua perseguição aos homossexuais, à esquerda e aos progressistas de maneira geral são a minha maior preocupação no Brasil hoje. Tenho falado constantemente sobre a importância de o PT aproveitar este momento histórico para se livrar deles, definitivamente até porque preferem Marina. E conquistar a simpatia dos evangélicos que pensam de maneira diferente, mais condizente com o mundo moderno do que com preceitos ultrapassados ou mal interpretados propositalmente por pastores manipuladores.
Se Marina ganhar, espero de todo coração que eu esteja errada e que ela saiba de fato diferenciar Estado de religião. Que consiga domar os fundamentalistas a seu redor. Que lute pela tolerância com os gays e os adeptos de religiões de matriz africana com tanto fervor quanto prega por tolerância em relação aos evangélicos. E que cumpra sua promessa de fazer o governo laico que eu, infelizmente, não acredito que seja capaz de fazer.
Publicado em 5 de setembro de 2014