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12/21/2015

Estação Cocal

Oficial: Blatter e Platini são banidos
do futebol pela Fifa por oito anos

Informação é confirmada no site da entidade por dirigente do Comitê de Ética. Liberação de pagamento de R$ 8 milhões do suíço ao francês sela punição

Por Zurique, Paris
Joseph Blatter e Michel Platini banidos pela Fifa (Foto: Reuters)Joseph Blatter e Michel Platini são banidos do futebol por oito anos pela Fifa (Foto: Reuters)
O comitê de ética da Fifa anunciou nesta segunda-feira que o ex-presidente da entidade Joseph Blatter e o ex-mandatário da Uefa Michel Platini foram banidos de todas as atividades relacionadas ao futebol por oito anos. A punição aos dirigentes entrou em vigor no mesmo momento em que foi divulgada pela federação internacional.
Os dois dirigentes foram punidos por conta de um pagamento autorizado por Blatter para Platini no valor de R$ 8 milhões por um trabalho realizado no fim de 1999 e no início dos anos 2000, mas com o pagamento efetuado apenas em 2011. Apesar de todas as explicações dadas pelo ex-presidente da Fifa, o Comitê de Ética não aceitou os esclarecimentos e bateu o martelo em relação à suspensão. 
Logo após o anúncio, Blatter concedeu entrevista coletiva em Zurique (veja no vídeo abaixo a chegada do dirigente). Na conversa com a imprensa, o dirigente pediu desculpas pelo desenrolar do caso investigado pelo Comitê de Ética e avisou que vai apelar no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). 
- Sinto por ter sido um saco de pancadas. Sinto muito por ver que toda a equipe da Fifa esteja passando por isso. Ainda assim dou os parabéns porque o futebol continua, ao Barcelona, que foi campeão do mundo - afirmou o dirigente ao terminar o seu pronunciamento. 
Joseph Blatter na sede da Fifa em Zurique (Foto: Reuters)Blatter chega para coletiva (Foto: Reuters)
No caso de Blatter, o Comitê não conseguiu evidências concretas para enquadrá-lo no artigo 21, parágrafo 1, do Código de Ética da Fifa (suborno e corrupção). Porém, o dirigente não escapou da punição por ter ferido o artigo 20, parágrafo 1 (oferta e aceitação de presentes e outros benefícios). O suíço também se encontrou numa situação de conflito de interesses. Mesmo assim, ele continuou como presidente da entidade. 
Blatter ainda violou outro artigo do Código de Ética, o 19, parágrados 1, 2 e 3 (conflito de interesses), ao não colocar os interesses da Fifa em primeiro lugar. O dirigente ainda foi enquadrado em outros dois artigos: 13 (regras gerais de conduta) e 15 (lealdade). O suíço ainda será obrigado a pagar uma multa de R$ 200 mil. 
- As ações do Sr. Blatter não demonstraram compromisso com atitude ética, deixando de respeitar todas as leis e regulamentações aplicáveis. Demonstrou execução abusiva de sua posição como presidente da Fifa - diz o comunicado da Fifa. 
Montagem Joseph Blatter e Michel Platini (Foto: Reuters)Blatter e Platini tiveram a oportunidade de se defender diante do Comitê de Ética (Foto: Reuters)

O inquérito que investigou a conduta de Blatter foi conduzido por Robert Torres, membro da câmera de investigação do Comitê de Ética. A investigação resultou num relatório que foi apresentado à Fifa no dia 20 de novembro. O processo formal foi aberto três dias depois e o ex-presidente da entidade teve a oportunidade de depor no dia 17 de dezembro. Porém, de nada adiantaram as explicações dadas pelo suíço. 
Sinto por ter sido um saco de pancadas 
Joseph Blatter
Platini foi investigado no mesmo processo. Porém, por ter recebido os valores da Fifa. Segundo o comunicado da Fifa, o depoimento de defesa do francês não foi convincente e foi rejeitado pelo comitê. O ex-mandatário da Uefa foi enquadrado nos seguintes artigos do Código de Ética: 20, parágrafo 1 (oferta e aceitação de presentes e outros benefícios), 19, parágrafos 1, 2 e 3 (Conflitos de interesses), 13 (regras gerais de conduta) e 15 (lealdade). Além disso, o dirigente ainda terá que pagar multa de R$ 320 mil. 
O inquérito relacionado a Platini foi conduzido por Vanessa Allard, também membro da câmera de investigação do Comitê de Ética. Assim como Blatter, o francês teve oportunidade de depor em Zurique. Porém, os esclarecimentos foram rechaçados.

11/03/2015

Estação Cocal

Marin se diz inocente, e Justiça dos EUA determina fiança de R$ 57 mi

Audiência na Corte Federal do Brooklyn é antecipada, ex-presidente da CBF declara inocência e ficará em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico em Nova York

Por Nova York

A Justiça americana decidiu nesta terça-feira o valor da fiança para José Maria Marin: US$ 15 milhões (R$ 57 milhões). Com aparência cansada poucas horas após ter desembarcado em Nova York, Marin permaneceu sentado durante a audiência na Corte Federal do Brooklyn, ao lado da esposa Neusa, e contou com tradução simultânea durante seu depoimento. Acusado de receber propinas em negociações de direitos esportivos, o ex-presidente da CBF se declarou inocente, mas ficará em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Uma nova audiência está marcada para o dia 16 de dezembro.
José Maria Marin deixa corte no Brooklyn (Foto: Reuters)José Maria Marin ao deixar corte no Brooklyn (Foto: Reuters)
Com a prisão domiciliar nos Estados Unidos, ele poderá sair de casa para ir à igreja, ao médico e fazer compras uma vez por semana, desde que o FBI seja devidamente avisado. Nenhuma dessas saídas pode ser noturna. 
Marin estava preso em Zurique desde o dia 27 de maio e foi extraditado para os Estados Unidos nesta terça. Seu voo chegou a Nova York por volta das 16h (de Brasília). A princípio, a audiência com o juiz Raymond Dearie seria na quarta, às 13h (de Brasília, 10h no horário local), mas foi antecipada para esta terça e pegou até a esposa de Marin de surpresa: Neusa chegou à corte de taxi, quando a sessão já havia começado. Foi o primeiro encontro entre Marin e a esposa desde 27 de maio, quando estourou o escândalo que o levou para a cadeia na Suíça. 
Em um determinado momento, o juiz chegou a perguntar se o dirigente estava se sentindo bem. No final, Marin mostrou-se emocionado ao abraçar a mulher. A expectativa é que o ex-presidente da CBF durma em seu apartamento na Trump Tower, um dos prédios mais famosos e badalados de Manhattan, localizado na Quinta Avenida. 
José Maria Marin deixa corte no Brooklyn (Foto: Reuters)José Maria Marin ficará em prisão domiciliar em NY e poderá sair para ir ao médico e à igreja (Foto: Reuters)

Aos 83 anos, Marin é acusado de receber e repartir propinas num esquema de corrupção na venda de direitos de TV de vários torneios realizados no Brasil e na América do Sul. O valor chegaria a US$ 6 milhões, envolvendo as edições da Copa América de 2015, 2016, 2019 e 2023, e também da Copa do Brasil de 2013 a 2022. O dirigente virou alvo das autoridades americanas porque usou empresas e bancos dos EUA para fazer transações financeiras. Em 27 de maio, pouco antes das últimas eleições para presidente da Fifa, o brasileiro foi preso com outros seis dirigentes da entidade.
José Maria Marin deixa corte no Brooklyn (Foto: Reuters)Após se declarar inocente, José Maria Marin evita falar com a imprensa na saída da corte (Foto: Reuters)

Com o acordo para pagar US$ 15 milhões, Marin poderá ficar na prisão domiciliar em seu apartamento. O valor é uma garantia que ele vai cumprir o acordo feito com a justiça americana - todos os detalhes ainda não foram revelados. Em julho, Jeffrey Webb - ex-presidente da Concacaf e ex-vice da Fifa envolvido no mesmo escândalo de corrupção - fez acordo de US$ 10 milhões. Já o empresário argentino Alejandro Burzaco, também indiciado no processo, teve fiança de US$ 20 milhões.
corte do brooklyn - Marin - NY (Foto: Martin Fernandez)Corte Federal do Brooklyn é o local da audiência de José Maria Marin com a justiça americana (Foto: Martin Fernandez)
No caso de Webb, ele também ficaria em Nova York, mas acabou recebendo autorização para mudar de cidade. Sua defesa alegou que os custos de morar em Nova York e ainda ter que pagar pela empresa de segurança que fazia sua vigilância estava "causando muitos danos" para a família do cartola. O juiz Raymond Dearie aceitou o pedido e Webb está em outra residência no estado da Georgia.
A investigação que resultou na prisão de Marin afetou também a vida de outros cartolas  brasileiros - cujos nomes não foram apontados na denúncia - mas que estão sendo investigados - como o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. e o atual presidente, Marco Polo Del Nero.
Após as prisões de maio em Zurique, os hábitos mudaram para boa parte da elite do futebol mundial. O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, que viajava pelo mundo inteiro, praticamente não saiu da Suíça. E Marco Polo Del Nero não deixou mais o território brasileiro.
Entrada Trump Tower apartamento José Maria Marin Nova York (Foto: GloboEsporte.com/Martin Fernandez)Apartamento de Marin fica na Trump Tower, prédio badalado em Nova York (Foto: GloboEsporte.com/Martin Fernandez)