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9/25/2015

Estação Cocal

O prefeito Rubens Vieira homenageia o ex-prefeito Anastácio França.

 Fonte: Tropical Noticias

   Raimundo Martins
                           
  Anastácio Gomes França




O ex-prefeito de Cocal Anastácio Gomes França será homenageado no dia 12 de Outubro de 2015, pelos seus saberes, competências e relevantes serviços prestados ao município, este reconhecimento será feito pelo o atual prefeito do nosso município Rubens de Sousa Vieira, que vai inaugurar a mais nova praça no centro da cidade que será intitulada de “Anastácio Gomes França”.

 Esta homenagem a este grande homem que sempre lutou   com o objetivo de promover o bem estar da sua cidade, foi um grande político como vereador e prefeito, um momento especial de renovação de seu espírito, que dentro de sua sabedoria soube desenvolver sua cultura humana, exercendo o trabalho de administrador, usando a sua capacidade para ver o seu município crescer.

 Anastácio Gomes França nasceu no dia 21 de Abril de 1933 em Buriti dos Lopes – Piauí, um homem de conduta ilibada, trabalhador, exemplo de liderança político, sempre destemido, dotado de uma inteligência admirável, de origem humilde, que aos 11 anos chegou a Cocal na procura de trabalho, e logo iniciou a sua vida profissional trabalhando como marceneiro.

Sua primeira participação na política de Cocal foi em 1958, disputando a eleições com êxito, elegendo-se ao cargo de vereador com 236 votos, e reeleito em 1962 com 301 votos.
Elegeu-se a prefeito por duas vezes de 1973-1976 pelo Partido Arena 2, e de 1983 a 1988 pelo PMDB, se candidatou a Deputado Estadual pelo PMDB, ficando como segundo suplente, assumiu a cadeira de deputado estadual por duas vezes em 1993/94. Ao longo de sua carreira política fez muito e desejava fazer muito mais para tornar Cocal próspera.

Anastácio passou pela experiência de dois casamentos, sua primeira esposa foi Maria Amélia Moreira França, e  segunda, a qual permanece até os dias de hoje, Leda Maria e Vasconcelos França, do primeiro casamento tem uma filha, e do segundo quatro filhos.


O ex-prefeito Anastácio Gomes França ao longo dos seus 82 anos está se sentindo feliz e lisonjeado por esta grande homenagem. “Sonho que não pude realizar na minha administração, e hoje vejo um jovem talentoso, competente e empreendedor que dentro de três anos tem-me surpreendido pelo o belo trabalho a frente da prefeitura, podemos observar uma cidade em franco desenvolvimento, bem administrada com obras magníficas necessárias a população, recuperando e construindo estradas, escolas, postos de saúde, pavimentação urbana, isto é um verdadeiro canteiro de obras.” Finalizou o homenageado.

 A praça ainda em construção






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9/01/2015

Estação Cocal

Na homenagem ao Meio Norte, deputado destaca Arimatéia Azevedo


  • Da Redação do Portal Az

A Câmara dos deputados realizou nesta terça-feira (1) uma sessão solene em homenagem ao Sistema Meio Norte de Comunicação. 

Estiveram presentes o Governador do Estado, Wellington Dias (PT), o presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, Themistocles Filho, o presidente da Ordem dos Advogados, Marcus Vinicius Furtado Coelho além dos familiares do empresário Paulo Guimarães e demais parlamentares piauienses. 



Em seu discurso o deputado federal Heráclito Fortes (PSD) falou sobre a fundação do sistema, destacando o jornal Meio Norte e  lembrando que o seu primeiro editor foi o jornalista Arimateia Azevedo. O primeiro exemplar do Meio Norte circulou no dia primeiro de janeiro de 1995.  

“O Jornal Meio Norte nasceu de um embrião chamado “O Estado”, fundado pelo jornalista Hélder Feitosa, assassinado em 1987 e, posteriormente, passou a se chamar “Meio Norte” em 1995, sob o comando do jornalista Arimateia Azevedo que deixou àquela época o Jornal O Dia para entrar nessa nova missão jornalística", destacou Heráclito Fortes. 

O deputado acrescentou: "Participaram desse primeiro momento, Marcos Teixeira, Walcy Vieira, Severino Gomes, Claudio Barros, Marlon Teixeira e muitos outros. Esta comemoração além de justa é oportuna, porque nada mais importante do que a liberdade de imprensa, nada mais importante que uma empresa livre”, afirmou.

A homenagem foi proposta por Silas Freire e teve também como oradores Daniel Guimarães, da família dona do sistema, o governador Wellington Dias, Assis Carvalho e o deputado maranhense Alexandre Almeida.

6/15/2015

Estação Cocal

Faleceu um dos icones importante na historia politica de Cocal

Bernardo Lucas

 Faleceu
ontem dia 13 de junho 2015 com 95 anos  na Cidade de Parnaíba, Domingos Alves Gomes popularmente conhecido como Domingos Cassiano,comerciante, que depois de prestar relevantes exemplo de honestidade e homem publico, na cidade de Cocal.Mudou-se para parnaiba onde morou até os dia atuais trabalho como comerciante
Nasceu no dia 2 de Dezembro de 1919, casou-se com Francisca Oliveira Gomes no dia 31 de Maio de 1944 e tiveram 7 filhos, Foi Juiz Preparador Eleitoral e de Paz, em 1958, foi escolhido como candidato a Prefeito de Cocal em 31 de Janeiro de 1963 assumia o cargo de Prefeito,tendo como Vice Francisco Raimundo Fontenele, conhecido como Chico Guelherme teve um mandato perseguido e vigiado pelos adversários, por varias vezes foi obrigado a abrir a prefeitura de madrugada para que fiscais federais examinassem as finanças do Município, nunca encontraram irregularidades, entregou o cargo em 31 de Janeiro de 1967.

Hoje na Cidade  Cocal seu nome ainda é lembrando  quando  uma das principais  Escola Municipais leva seu nome. Unidade Escolar Domingos Alves Gomes


Fonte: Estação Cocal

5/09/2015

Estação Cocal

Homenagem

Viemos por meio de este  homenagear a todas as mães.

Desejamos  um feliz dia das Mãe a todas as mães.


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Mãe, princípio de tudo e sinônimo de amor.
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Mãe, Mulher

Um garotinho perguntou à sua mãe: - Mamãe, por que você está chorando? E ela respondeu: - Porque sou mulher... - Mas... eu não entendo. A mãe se inclinou para ele, abraçou-se e disse: - Meu amor, você jamais irá entender! Mais tarde o menininho perguntou ao pai: - Papai, porque mamãe às vezes chora sem motivo? - Todas as mulheres sempre choram sem motivo... Era tudo o que o pai era capaz de responder... O garotinho cresceu e se tornou um homem. E, de vez em quando, fazia a si mesmo a pergunta: "por que será que as mulheres choram, sem ter motivo para isso?" Certo dia esse homem se ajoelhou e perguntou a Deus: - Senhor, diga-me... por que as mulheres choram com tanta facilidade? E Deus lhe disse: - Quando eu criei a mulher, tinha que fazer algo muito especial. Fiz seus ombros suficientemente fortes, capazes de suportar o peso do mundo inteiro... porém suficientemente suaves para confortá-lo. Dei a ela uma imensa força interior para que pudesse suportar as dores da maternidade e também o desprezo que muitas vezes provem de seus próprios filhos! Dei-lhe a fortaleza que lhe permite continuar sempre a cuidar de sua família, sem se queixar, apesar das enfermidades e do cansaço, até mesmo quando outros entregam os pontos! Dei-lhe sensibilidade para amar seus filhos, em qualquer circunstância, mesmo quando esses filhos a tenham magoado muito... Essa sensibilidade lhe permite afugentar qualquer tristeza, choro ou sentimento da criança, e compartilhar as ansiedades, dúvidas e medos da adolescência! Porém, para que possa suportar tudo isso, meu filho... eu lhe dei as lágrimas, e são exclusivamente, para usá-las quando precisar. Ao derramá-las, a mulher verte em cada lágrima um pouquinho de amor. Essas gotas de amor desvanecem no ar e salvam a humanidade! O homem respondeu com um profundo suspiro... - Agora eu compreendo o sentimento de minha mãe, de minha irmã, de minha esposa.


Autor Desconhecido

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7/25/2014

Estação Cocal

Ariano Suassuna - As armas do Barão assinalado, por *Reinaldo Azevedo




Ariano Suassuna, um gênio da "raça brasileira"
Ariano Suassuna, um gênio da “raça brasileira”
Lamento, e nem poderia ser diferente, a morte do poeta, dramaturgo, romancista e professor, entre tantas outras coisas, Ariano Suassuna, de 87 anos. Era um gigante. Seu corpo será sepultado nesta quinta, às 16h, no cemitério Morada da Paz, em Paulista, na região de Recife.
Em 1998, a revista Bravo!, da qual eu era redator-chefe, dedicou-lhe uma matéria de capa. Escrevi o texto principal, centrado no “Romance da Pedra do Reino”. Ariano me telefonou numa alegria imensa. Havia em homem tão monumental um quê de alegria quase infantil pelo reconhecimento daquela que ele também considerava sua grande obra e que era e é subestimada. Tanto é assim que, numa entrevista, que está reunida num trabalho acadêmico, afirmou: “(…) as pessoas geralmente me aceitam como dramaturgo, mas têm um pé atrás em relação à Pedra do Reino. E, para mim, a Pedra do Reino é minha obra mais importante. Reinaldo Azevedo, da Revista Bravo, pela primeira vez disse que em relação à Pedra do Reino havia uma campanha de silêncio, e há. Há uma má vontade, alguma coisa com o desconhecido, eu não sei (…)”.
Ariano foi durante um bom tempo ensaísta da revista. Era uma honra imensa editar seus artigos.
Em homenagem a Ariano, reproduzo aqui o texto que escrevi para a Bravo!, reunido no meu primeiro livro, “Contra o Consenso” (Editora Barracuda).
*No domingo final deste mês de maio [1998], como em todos os outros, já há seis anos, uma cavalhada no sertão pernambucano consagra o escritor Ariano Suassuna como o inspirador de uma festa popular e celebra alguns dos fundamentos míticos da identidade nacional. Um grupo de cavaleiros paramentados com as alegorias, as armas e as bandeiras de inspiração medieval vai deixar a sede do município de São José do Belmonte (PE), já na divisa com a Paraíba, e andar 30 km até a Pedra do Reino, duas elevações rochosas de trinta e 33 metros de altura, para relembrar, por intermédio da cavalgada sertaneja, os macabros acontecimentos que lavaram as rochas de sangue entre os dias 14 e 18 de maio de 1838, há exatos 150 anos.
Um movimento messiânico, autoproclamado sebastianista, conduziu à morte pelo menos 83 pessoas — trinta delas crianças — em quatro jornadas cruentas. Nas três primeiras, os líderes exortaram os fiéis ao suicídio e ao infanticídio por suposta ordem de d. Sebastião — o rei português desaparecido aos 24 anos na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578 —, que, em paga, não só lhes devolveria a vida como ali desencantaria para instaurar um reino da justiça e da liberdade. Na quarta jornada, fazendeiros e a polícia comandaram uma expedição contra os fanáticos, que resultou na morte de trinta fiéis. É essa a expedição recontada pela cavalhada.
O que deu asas à imaginação do líder do tal movimento, João Antônio dos Santos, foram versos de um folheto de cordel sobre a volta de d. Sebastião. Daí por diante, tudo indica, ele e um cunhado, João Ferreira, usaram toda sorte de pilantragem para extorquir dinheiro dos fazendeiros e juntar uma massa de fanáticos que passaram a incomodar os poderosos e a própria Igreja Católica. Euclydes da Cunha, na parte O Homem, de Os Sertões, assim fala da Pedra do Reino: “O transviado encontrara meio propício ao contágio de sua insânia. Em torno da ara monstruosa, comprimiram-se as mães erguendo os filhos pequeninos e lutavam, procurando-lhes a primazia no sacrifício… O sangue espadanava sobre a rocha jorrando, acumulando-se em torno (…)”. José Lins do Rêgo também explorou o massacre em Pedra Bonita.
Mas foi com o paraibano Ariano Suassuna que aqueles episódios sangrentos serviram de pretexto para uma obra-prima, o seu Romance d’A Pedra do Reino. O livro — um catatau de 623 páginas editado em 1971 pela editora José Olympio — deu origem à festa popular. Tal sucessão é inédita na história do país: a realidade copiou o folhetim popular, pagou seu tributo sangrento em história, voltou à letra impressa pela pena de Ariano e, de novo, ganhou curso entre os homens do povo. É a síntese viva do Movimento Armorial criado pelo autor na década de 1970.
Substantivo em português, adjetivo na releitura de Ariano, o termo armorial designa o conjunto de bandeiras, insígnias e brasões de um povo. Ariano diz à Bravo!, em entrevista a Bruno Tolentino, que a heráldica, no Brasil, é, antes de tudo, popular. É o homem do que ele chama “quarto estado” que tem paixão por esses signos, expressa, por exemplo, nas bandeiras de futebol. Daí a escolha do nome “armorial” para um movimento que busca “as raízes populares da cultura brasileira para chegar a uma arte erudita”.
Mas aqui começam os problemas. Das suas origens — filho de latifundiário — às pelejas intelectuais ao longo da vida, o autor, que jamais viajou ao exterior, tem sido vítima de uma espécie de patrulha cosmopolita, que se manifesta pelo silêncio. Se seu teatro mereceu a acolhida da crítica, sua prosa foi e tem sido estupidamente ignorada. Esgotado há mais de 20 anos, A Pedra do Reino é um monumento da literatura moderna de expressão portuguesa dificilmente igualável por qualquer critério que se queira e faz de Ariano o maior prosador brasileiro vivo. Mas o que tanto incomoda a tal vigília nada cívica?
Ariano é um autor que bebe cristalinamente nas fontes da literatura ibérica e do catolicismo medievais. Para entender o seu teatro, por exemplo, é preciso penetrar no universo picaresco e no catolicismo popular em que o Bem e o Mal (Calderón de la Barca, Gil Vicente, Padre Anchieta) disputam a alma humana e lhe ditam nortes éticos distintos. Estamos no mundo da queda e da redenção. A queda se revela em linguagem farsesca, conivente com o público em sua malandragem. À redenção expressa o fundamento da remissão dos pecados, geralmente pela intervenção divina. As personagens de Ariano, no entanto, não são as mesmas da pequena burguesia ordinária da Trilogia da Barca do Inferno, de Gil Vicente, por exemplo. Seu universo é o do homem do Nordeste, da cultura sertaneja. A forma de seus autos se deixa influenciar pelo teatro de bonecos, pelo mamulengo.
Há nesse arranjo tudo de intenção. Ariano faz escolhas, patentes também em sua prosa. É ele quem diz: “Toda cultura universal é primeiramente local. Dom Quixote, de Cervantes, expressa a realidade de Castela. Shakespeare é elisabetano. Quando leio Dostoiévski, encontro ali os dramas do homem segundo o ponto de vista e a cultura da Rússia. Eu, então, me baseio na cultura popular brasileira para fazer meu teatro, meus romances, minha poesia”. Ocorre que Ariano escreve sobre o Brasil em língua de origem inequivocamente portuguesa sem jamais flertar com qualquer vanguarda ideológica ou formalista que lhe desculpe essa herança. Não se vê nele nem mesmo um herdeiro da Geração de 30, como às vezes se quer.
Não se lê em Ariano a preocupação de ideologizar o romance nordestino ou, mais amplamente, a prosa ou a cultura nordestinas, no mesmo tom de denúncia ou de recaída naturalista que marcaram a geração de escritores do Nordeste emigrados para o Rio. Ele também não flertou com realismos socialistas ou morenices sensualistas. E, nem por isso, falou de um ponto de vista menos compromissado. E é em seus compromissos que estão sua grandeza e seu assumido limite. N’A Pedra do Reino, já observou o crítico Wilson Martins no ensaio “Romance Picaresco?” [in Pontos de Vista, vol. 9, T. A. Queiroz Editor, pp. 175-80], Ariano não optou pela farsa ou pelo picaresco em busca do norte moral. O texto costura os traços fundadores da cultura brasileira e em seu percurso confronta teorias diversas sobre a terra e a gente do Brasil.
Ao voltar aos episódios cruentos da Pedra Bonita (nome original do lugar), Quaderna — o personagem-narrador que pretende, cem anos depois, usar os acontecimentos ali havidos para fazer a grande epopéia nacionalista brasileira — não é outro senão o próprio Ariano. As personalidades com as quais convive estão divididas entre as correntes de pensamento que ditaram as vogas ideológicas na década de 1930: integralistas, comunistas e intelectuais de formação européia. Em suas páginas se debatem temas como a função da arte, o confronto entre o Estado e o indivíduo e entre os valores éticos e os estéticos. Num texto que prefere o universo rural ao urbano, a cultura regional a supostos temas universais, o alter ego de Ariano transita entre Sílvio Romero e Joaquim Nabuco e vai compondo um imenso e fecundo painel da cultura brasileira. Em prosa, talvez a mesma tentativa, mas com divisas assumidamente ideológicas e urbanas e numa dimensão reduzida, tenha sido feita por Paulo Francis em Cabeça de Negro. Nos dois casos, estamos diante de romances de idéias.
E elas mudam. Embora considere a sua principal obra, Ariano afirma a Bravo! que submeteria A Pedra do Reino a mudanças: “Eu gostaria de acrescentar um pouco do urbano. O livro também seria mais curto, como está sendo editado agora em Paris. Eu praticamente o refiz”. Ele se refere à versão francesa — La Pierre du Royaume —, assinada por Ydelette Muzart, publicada em março pela editora Métailé. A capa traz um subtítulo provocativo: “Versão para europeus e brasileiros de bom senso”.
Quem refaz também renega. Ariano rejeita hoje a continuação d’A Pedra: História d’O Rei Degolado, publicada em 1977, o segundo volume da prevista trilogia que se completaria com Sinésio, O Alumioso. E explica a razão: “O elemento pessoal entrou com uma força que eu não desejava”. O autor se refere aos episódios que antecederam a Revolução de 30, que resultaram nos assassinatos de seu pai, João Suassuna, e de João Pessoa, então presidente do Estado da Paraíba, transfigurados e transportados para o texto.
Ariano conta que cresceu lendo nos jornais e nos livros de história que seu pai, representante das forças rurais, era o mal, e que João Pessoa, seu adversário, era o bem. Fez o que um filho de bem pode fazer diante do corpo tombado do pai: tomou o seu partido. Diz um de seus sonetos: “Aqui reinava um rei, quando eu menino/ Vestia ouro e castanho no gibão (…) Mas mataram meu pai. Desde esse dia/ Eu vivo como um cego, sem meu Guia,/ Que se foi para o Sol, transfigurado./ Sua efígie me queima. Eu sou a presa,/ Ele a Brasa que impele ao Fogo, acesa,/ Espada de ouro em Pasto ensanguentado”. O mesmo compromisso que o fez refletir em sua obra a sua própria história também o levou a uma espécie de retiro literário. Já “passando da idade madura para a velhice”, o escritor diz ter entendido que os episódios de 30 estavam longe de refletir a luta do bem contra o mal, mas “o confronto entre privilegiados do campo e os privilegiados da cidade”.
Ariano não é, evidentemente, o primeiro autor brasileiro a incorporar a cultura popular à narrativa com um sentido de estudo. Antes dele, Mário de Andrade fez de Macunaíma uma espécie de síntese dos falares brasileiros. Mas há uma diferença: quando Mário não é apenas o turista descritivo ou o compilador dos cocos, sua visão de Brasil é pessimista. Comparem-se Macunaíma e o João Grilo de O Auto da Compadecida. O primeiro merece o epíteto de anti-herói; o segundo, não. Grilo é um herói de fato, é, como diz Ariano, o quarto estado vencendo a burguesia, o clero e a nobreza. Macunaíma é a melancolia tropical. Que o Mário de Macunaíma seja considerado um gênio em certos círculos acadêmicos, e Ariano, ignorado é compreensível: afinal, o primeiro representa os nossos mais acalentados sonhos de derrota, e o segundo aponta para um futuro possível, para um sonho de vitória.
Com frequência, a inteligência brasileira está preparada para perder, jamais para ganhar (FHC chama a isso de fracassomania…). A alegria é uma espécie de exotismo reservado aos Joões Grilos do povo, que se deve experimentar com o distanciamento crítico de um antropólogo. Ademais, Ariano não aproveitou os seus estudos para alimentar discursos antropófagos de fácil deglutição, não juntou Carmen Miranda e coca-cola para vencer o complexo de autor subdesenvolvido situado na cloaca do mundo. Até porque sempre falou das alturas. 
* Do blog do Reinaldo Azevedo