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4/19/2018

Estação cocal

Por 6 votos a 5, STF rejeita pedido da defesa para apresentar mais um recurso, e Maluf segue em prisão domiciliar

Após ministros negarem novo recurso contra condenação, Edson Fachin, relator do processo, decidiu conceder 'de ofício' permissão para Maluf continuar em casa, em razão do estado de saúde.


Por Renan Ramalho e Fernanda Calgaro, G1, Brasília

Por 6 votos a 5, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) negaram nesta quarta-feira (19) um pedido do deputado afastado Paulo Maluf (PP-SP), atualmente em prisão domiciliar, para apresentar mais um recurso contra a condenação que sofreu no ano passado por lavagem de dinheiro.
No final da sessão, "de ofício" (por iniciativa própria), o ministro Edson Fachin permitiu ao deputado, em razão do estado de saúde, continuar cumprindo em casa a pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão que iniciou em dezembro do ano passado – havia possibilidade de ele voltar ao regime fechado. Desde o dia 6, Maluf está internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Maluf foi condenado depois de ter sido acusado pelo Ministério Público Federal de usar contas no exterior para lavar dinheiro desviado da Prefeitura de São Paulo quando foi prefeito da capital, entre 1993 e 1996.
Na sessão desta quinta-feira, a maioria dos ministros estabeleceu que a defesa só pode apresentar um recurso contra a condenação numa das duas turmas do STF (composta, cada uma, por cinco ministros) se, no julgamento, tiverem sido dados ao menos dois votos pela absolvição. No julgamento de Maluf, houve cinco votos unânimes pela condenação.
O julgamento começou nesta quarta-feira (18), quando votaram sete ministros, e teve continuidade nesta quinta (19), com os votos dos outros quatro.

Prisão domiciliar

Antes do intervalo da sessão, o relator do processo de Maluf, Edson Fachin, propôs ao plenário a concessão da prisão domiciliar “de ofício”, isto é, por iniciativa da própria Corte, independentemente de pedido da defesa. A decisão ficou para a segunda parte da sessão, que se iniciou às 17h08, após um intervalo.
Na volta do intervalo, o ministro comunicou ao plenário a concessão da prisão domiciliar a Maluf, em razão do grave estado de saúde do deputado, conforme documentos apresentados pela defesa.
Com a decisão individual de Fachin, se tornou desnecessária a deliberação, pelo conjunto dos 11 ministros, sobre outra decisão do ministro Dias Toffoli, do início de abril, que também havia concedido a prisão domiciliar de forma liminar (provisória) a pedido da defesa.
Caso essa decisão de Toffoli fosse levada à votação, poderia ser discutida a possibilidade de um ministro do STF derrubar a decisão de outro colega da Corte dentro de um processo penal ou uma investigação. Com a decisão de Fachin, porém, a discussão acabou não ocorrendo.
Após o julgamento, o advogado de Maluf divulgou a seguinte nota:
A defesa do deputado Paulo Maluf sempre acreditou que o Supremo Tribunal Federal manteria a prisão domiciliar pois esta tem como base razões humanitárias. Repito o que eu disse na Tribuna, esta decisão salvou a vida do Deputado. Esta não é uma vitória da defesa é uma vitória do Poder Judiciário que precisa enfrentar a miserabilidade do sistema penitenciário brasileiro.
Paulo Maluf ao deixar hospital em Brasília, antes de ser transferido para São Paulo no fim de março (Foto: Reprodução/TV Globo)
Paulo Maluf ao deixar hospital em Brasília, antes de ser transferido para São Paulo no fim de março (Foto: Reprodução/TV Globo)

Como votaram os ministros

Votaram a favor da apresentação de recurso:
  • Dias Toffoli
  • Alexandre de Moraes
  • Ricardo Lewandowski
  • Gilmar Mendes
  • Marco Aurélio Mello
Votaram contra a apresentação de recurso:
  • Edson Fachin
  • Luís Roberto Barroso
  • Rosa Weber
  • Luiz Fux
  • Celso de Mello
  • Cármen Lúcia

Ministros que votaram nesta quinta-feira (19)

  • Gilmar Mendes - Votou em favor de mais um recurso para Maluf. Justificou que o recurso contra condenação numa das turmas do STF permite que o caso seja reavaliado pelo plenário, composto pelos 11 ministros. Defendeu que bastaria apenas um voto diferente entre os cinco ministros da turma para permitir a apresentação dos embargos infringentes. “Pouco importa se a questão é material ou processual [...] Traçar uma linha entre o material e o processual não me parece um critério seguro”, disse o ministro, ao explicar que qualquer tipo de divergência – seja na questão da culpa ou num aspecto processual – pode levar a novo julgamento.
  • Marco Aurélio Mello - Também votou pelo direito de Maluf a mais um recurso. Disse que pelo Código de Processo Penal, a defesa recorre na segunda instância “quando não for unânime” a condenação do réu. No STF, disse que deve valer a mesma regra nas turmas – o atual entendimento é que no plenário são necessários 4 votos pela absolvição entre os 11 ministros. “É claro que esse preceito não se aplica no âmbito da turma, porque se há quatro divergentes beneficiando o acusado, obviamente o favorecem e se tem a maioria na turma. [...] Não posso cogitar da necessidade de ter-se dois votos vencidos”, disse o ministro – ele também considera que qualquer tipo de divergência pode levar à apresentação dos embargos infringentes.
  • Celso de Mello - Votou de modo a impossibilitar a Maluf um novo recurso. Para o ministro, só cabem embargos infringentes no STF quando a decisão pela condenação tiver ao menos dois votos pela absolvição entre os cinco ministros da turma. Para ele, isso não seria possível em votos pela prescrição, como ocorreu no caso de Maluf. “A exigência de dois votos vencidos reveste-se de grande peso em cinco juízes da turma, a restar a plausibilidade jurídica e probabilidade do direito, e o relevo da pretensão jurídica de quem impõe os embargos infringentes no julgamento de ação penal originária”, disse o ministro.
  • Cármen Lúcia - A presidente do STF, desempatou o julgamento ao rejeitar o pedido de Maluf por um novo recurso. Citou decisão da Corte no processo do mensalão que condicionou embargos infringentes ao plenário somente quando houvesse quatro votos pela absolvição – no caso das turmas, portanto, seriam necessários 2. “Voto no sentido de, em primeiro lugar considerar cabível o recurso de embargos infringentes, e, no caso concreto, negar provimento ao agravo porque a análise do eminente ministro Edson Fachin coaduna-se com a melhor conclusão, com o melhor fundamento”, afirmou a ministra.

Ministros que votaram na quarta-feira (18)

  • Edson Fachin - Defendeu sua decisão de rejeitar o segundo recurso, chamado “embargos infringentes”. Explicou que o recurso só poderia ser apresentado se, no julgamento que condenou Maluf, houvesse algum voto pela absolvição do deputado – o que não ocorreu. Na sessão desta quarta, Fachin citou outras decisões do STF que não reconhecem a possibilidade de se apresentarem embargos infringentes com base em voto por prescrição – por isso, concluiu recomendando a rejeição do pedido da defesa para apresentar mais um recurso.
  • Dias Toffoli - Divergiu de Fachin, defendendo a possibilidade de Maluf poder apresentar mais um recurso. Entendeu que, para isso, basta que no julgamento da condenação haja ao menos um voto “favorável” ao réu, não necessariamente pela absolvição. Argumentou que isso se torna mais necessário quando o processo é julgado “originariamente” no STF, isto é, tramita somente na própria Corte, em razão do foro privilegiado do deputado. Nesse caso, explicou o ministro, não há possibilidade de recurso a uma instância superior. “Sou pela ampla admissibilidade desse recurso”, disse.
  • Alexandre de Moraes - Também votou pela possibilidade de Maluf apresentar mais um recurso, com base num voto favorável que obteve no julgamento que o condenou, proferido por Marco Aurélio, em favor da prescrição do processo. “O direito de defesa inclui todos os recursos inerentes ao devido processo legal. O acesso aos recursos legalmente estabelecidos é integrante do direito à tutela judicial efetiva”, disse o ministro.
  • Luís Roberto Barroso - Acompanhou o relator, Edson Fachin, para rejeitar o pedido de Maluf. No voto, considerou que, para apresentação de mais um recurso, seriam necessários ao menos dois votos pela absolvição do deputado na Primeira Turma, composta por cinco ministros. “Não vejo qualquer motivo para essa altura da vida, em que o ideal seria suprimirmos embargos, alagarmos seu recebimento”, afirmou o ministro, ao propor regras mais rígidas para o recebimento de recursos no STF.
  • Rosa Weber - Também votou contra Maluf, para rejeitar novo recurso contra a condenação. Assim como Barroso, considerou que para isso seriam necessários dois votos pela absolvição do deputado, o que não ocorreu na época da condenação. “Como houve apenas um voto vencido e como a divergência nos dois temas não pertinem a juízo absolutório, concluo pela inadmissibilidade dos embargos infringentes”, disse a ministra.
  • Luiz Fux - Foi o quarto a votar contra o pedido de Maluf, para não aceitar um novo recurso. Argumentou que a condição para apresentação de embargos infringentes é a existência de uma divergência quanto à culpa ou inocência do acusado, não uma questão processual. “Foi 5 a 0 pela condenação [...] Em caso concreto [de Maluf], como entendo que não houve divergência, estou acompanhando o voto do relator”, disse o ministro.
  • Ricardo Lewandowski - Votou em favor do direito de Maluf apresentar mais um recurso. Disse que o país vive uma “situação excepcional”, lembrando o recente impeachment de Dilma Rousseff e a intervenção federal no Rio de Janeiro. “Temos que analisar com a maior amplitude possível, generosidade possível [...] No caso, o réu foi julgado em última e única instancia. Por isso entendo que a via recursal deve ser potencializada e não restringida”, disse o ministro.

4/17/2018

Estação Cocal

Lava Jato deu origem a ações penais no STF contra seis senadores; saiba quais

Supremo já tornou réus Aécio Neves (PSDB-MG), Agripino Maia (DEM-RN), Fernando Collor (PTC-AL), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Romero Jucá (MDB-RR) e Valdir Raupp (MDB-RO).


Por Lucas Salomão, G1, Brasília

Com a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar réu o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por corrupção passiva e obstrução de Justiça, chegou a seis o número de senadores alvos de ações penais na Corte em decorrência da Operação Lava Jato e de seus desdobramentos.
Além de Aécio, são réus no STF os senadores Agripino Maia (DEM-RN), Fernando Collor (PTC-AL), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Romero Jucá (MDB-RR) e Valdir Raupp (MDB-RO).
Veja abaixo o que pesa contra cada senador:
  • O senador Aécio Neves (PSDB-MG) (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Arquivo)

  • Aécio Neves (PSDB-MG): Foi acusado em junho do ano passado, em denúncia da Procuradoria Geral da República, de pedir propina de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono da J&F, em troca de favores políticos; e também de tentar atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato. É réu por corrupção passiva e obstrução de Justiça. O caso é um desmembramento da Lava Jato
  • .
  • O senador Agripino Maia (DEM-RN) (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)

  • Agripino Maia (DEM-RN): Segundo a PGR, teria recebido mais de R$ 654 mil em sua conta pessoal, entre 2012 e 2014, da construtora OAS. A pedido do senador, a empreiteira também teria doado R$ 250 mil ao DEM em troca de favores de Agripino. A acusação diz que ele teria ajudado a OAS a destravar repasses do BNDES para construir a Arena das Dunas, estádio-sede da Copa do Mundo em Natal. É réu por corrupção e lavagem de dinheiro. O caso é um desmembramento da Lava Jato.
  • O senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) (Foto: Agência Senado)

  • Fernando Collor (PTC-AL): Ex-presidente da República, foi acusado de receber mais de R$ 30 milhões em propina por negócios da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras na venda de combustíveis. É réu pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e comando de organização criminosa. Além dessa ação, o senador é alvo de outros cinco inquéritos na Lava Jato.
  • A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

  • Gleisi Hoffmann (PT-PR): Primeira senadora a se tornar ré no STF, ela é acusada de receber propina de R$ 1 milhão, desviados da Petrobras, para a campanha ao Senado em 2010. É ré por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Além dessa ação, a presidente nacional do PT é alvo de outro inquérito na Lava Jato e de uma segunda denúncia, também relacionada à operação.
    • O líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR) (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
    • Romero Jucá (MDB-RR): Segundo a denúncia, ele pediu uma doação de R$ 150 mil à Odebrecht para a campanha eleitoral do filho Rodrigo em 2014, então candidato a vice-governador de Roraima. Em troca, segundo a acusação, a empresa esperava que Jucá a beneficiasse durante a tramitação de duas medidas provisórias no Congresso. É réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Além dessa ação, Jucá é alvo de outros 12 inquéritos no Supremo (seis da Lava Jato), tendo sido denunciado quatro vezes pelo Ministério Público Federal.
  • Senador Valdir Raupp (MDB-RO) (Foto: Waldemir Barreto - Agência Senado)
  • Valdir Raupp (MDB-RO): É acusado pelo Ministério Público de ter recebido propina de R$ 500 mil disfarçada de doação oficial para sua campanha ao Senado em 2010. É réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

4/12/2018

Estação Cocal

PF realiza 2 operações contra desvios em fundos de aposentadoria

Uma é desdobramento da Lava Jato e envolve parceiros do ex-governador Sérgio Cabral; outra mira em fraudes em fundos de servidores municipais.


Fraudes em fundos de pensão são alvo de duas operações que a Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (12) em sete estados e no Distrito Federal.
A Operação Rizoma é um desdobramento da Lava Jato e investiga parceiros do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral; já a Operação Encilhamento apura desvios em 28 fundos de servidores de prefeituras.
Arthur Mário Pinheiro Machado foi preso em São Paulo (Foto: Leandro Cotrim/GloboNews)O empresário Arthur Machado é investigado nas duas frentes. Ele foi preso em São Paulo.
Fundos de pensão são uma opção de investimento para possibilitar uma aposentadoria complementar ao trabalhador. São oferecidos por empresas públicas e privadas aos empregados e também por associações. O Ministério Público investiga desvios desses fundos.

Operação Rizoma

  • Cumpre mandados de prisão preventiva no Rio, em São Paulo e em Brasília. Dos 10 mandados expedidos, 7 já tinham sido cumpridos até as 18h, segundo a Polícia Federal
  • É desdobramento da Lava Jato no Rio
  • Segundo o Ministério Público Federal, os suspeitos fazem parte do esquema criminoso chefiado pelo ex-governador Sérgio Cabral
  • Foram fraudados fundos como o Postalis, dos Correios, e Serpros, da empresa pública Serpro, de tecnologia da informação
  • O MPF estima que o esquema gerou R$ 20 milhões em propina
  • A PF investiga os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção através de fraudes que geraram prejuízos aos fundos de pensão
  • Um dos alvos é o empresário Arthur Pinheiro Machado, que já foi dono de corretora e tem mais de 100 empresas ligadas ao CPF dele. Ele foi preso em São Paulo
  • Também foi preso o economista Marcelo Borges Sereno, ligado ao PT há muitos anos. Ele foi assessor especial da Casa Civil durante o governo Lula, na época em que José Dirceu era ministro da Casa Civil
  • A defesa de Milton Lyra, apontado como operador do MDB no Senado, informou que ele se apresentou "voluntariamente" à PF no Rio no início da noite desta quinta
  • A PF cumpriu um total de 21 mandados e busca e apreensão. Na casa de um dos operadores financeiros investigados foram apreendidos mais de R$ 400 mil em dinheiro

  • A defesa de Arthur Pinheiro Machado e de Patricia Iriarte refuta, de forma veemente, qualquer relação entre os empresários e atos ilícitos. Informa que ambos sempre agiram no mais absoluto respeito à legislação e que não compactuam com práticas ilegais.
  • Os advogados de Milton Lyra informam que "o empresário jamais participou de transações envolvendo o fundo Postalis". Ainda segundo os advogados, "quando passou a integrar o conselho de administração da empresa ATG, o fundo já havia decidido aportar recursos e transferido grande parte do investimento".
  • A defesa afirma, ainda, que "Lyra confia que, ao analisar com serenidade as provas e os relatos, o Judiciário concluirá que a sua atuação empresarial em nada se relaciona às práticas investigadas".

Operação Encilhamento

Dos 20 mandados de prisão temporária expedidos em SP, RJ, MG, PR, MT, SC e GO, ao menos 12 foram cumpridosA fraude, segundo as investigações, envolveria R$ 1,3 bilhão

É a segunda fase da Operação Papel Fantasma

Arthur Machado, preso em SP na Rizoma, também é investigado na Encilhamento

As investigações identificaram 28 Institutos de Previdência Municipais que investiram em fundos que, por sua vez, direta ou indiretamente, adquiriram os papéis sem lastro

O ex-prefeito de Uberlândia Gilmar Machado foi preso na cidade mineira

Entre os presos também está Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef

A defesa de Gilmar Machado diz que ele está tranquilo "porque não possui qualquer envolvimento com atos ilícitos praticados por terceiros" e que tem a convicção de que é uma perseguição política.

Os advogados de Meire Poza informam que ela "não tem qualquer relação com os fatos investigados". "Essa situação ficará esclarecida no curso do inquérito policial, inclusive em seu depoimento já agendado para amanhã."