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11/14/2019

Após Previdência, parlamentares aguardam liberação de recursos de emendas



(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)

O anúncio de que o governo vai descontingenciar R$ 14 bilhões do orçamento foi comemorado no Congresso. A medida do Ministério da Economia, que zera o bloqueio de verbas, vai permitir que o Palácio do Planalto honre uma série de compromissos, incluindo a liberação de recursos de emendas parlamentares em troca aprovação da reforma da Previdência. A demora no cumprimento da promessa causou mal estar entre muitos deputados e senadores que votaram pelas mudanças nas aposentadorias.    
Na Câmara, a expectativa é pela liberação dos R$ 3 bilhões prometidos pelo governo a um grupo de deputados ainda antes da votação da reforma em primeiro turno, concluída em julho. O Executivo chegou a enviar ao Congresso, em agosto, um projeto de crédito suplementar nesse valor, mas o desbloqueio só agora foi autorizado pela equipe econômica.
Com o Senado, o Planalto se comprometeu a liberar, em troca da aprovação da reforma, R$ 5 bilhões em emendas parlamentares. O senador Izalci Lucas, 1° vice-líder do PSDB no Senado e coordenador da bancada do DF no Congresso, disse, em entrevista ao Correio, ter recebido do Planalto a informação de que está pronto para ser enviado ao Legislativo um projeto de crédito suplementar para o pagamento das emendas.

"Existe um certo preconceito na sociedade, alimentado pela mídia, em relação à liberação de verbas para emendas parlamentares. Mas a verdade é que quem conhece as verdadeiras necessidades dos cidadãos é o senador, o deputado. É através das emendas que o parlamentar pode atender à população no que é importante", disse o senador, que tem, entre as emendas, uma de R$ 35 milhões, para obras e equipamentos em 200 escolas do DF.

O preconceito citado por Izalci se refere às críticas de muitos setores da sociedade à prática que ficou conhecida como "toma lá, dá cá", ou seja, uma troca de favores entre o governo e o Congresso. O presidente Jair Bolsonaro se elegeu prometendo aposentar a velha política, acabando, inclusive, com essa barganha com o Legislativo. No entanto, o que se viu foi um governo sem uma base de apoio que acabou recorrendo às práticas que condenava.

Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, divulgado em julho, o Executivo empenhou, nos primeiros cinco dias daquele mês, às vésperas da votação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara, R$ 2,55 bilhões em emendas a congressistas. O valor é superior ao observado no período de janeiro a junho de 2019 (R$ 1,77 bilhão). É também o mais alto empenhado para meses de julho pelo menos desde 2016,

A demora do governo em honrar os compromissos gerou um mal estar no Congresso, enquanto rumores davam conta de que algumas pautas-bomba - como são chamados os projetos que aumentam as despesas do Executivo - estavam sendo preparadas para serem detonadas a qualquer momento.

Um líder partidário que preferiu não se identificar disse ao Correio que os reflexos do não cumprimento de compromissos por parte do Executivo podem ir além das propostas de aumento de despesas. Ele afirmou que “esse é um dos motivos de a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito das Fake News estar indo para frente”, referindo-se à decisão da comissão de convocar assessores do presidente Bolsonaro para prestarem esclarecimentos sobre o suposto uso da estrutura do Palácio do Planalto para a difusão de notícias falsas.

11/08/2019

Lula em liberdade: parlamentares, líderes e imprensa mundial reagem

(foto: AFP / JUAN MABROMATA - Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - Reprodução/The Guardian)

Liberado da prisão nesta sexta-feira (8/11), após 580 dias de encarceramento, o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva movimentou a fala de parlamentares, líderes mundiais e a imprensa internacional.

Pelo Twitter, o presidente argentino Alberto Fernández celebrou a libertação de Lula: “Mova a força de @LulaOficial para enfrentar essa perseguição (apenas essa definição se encaixa no processo judicial arbitrário ao qual foi submetida). Sua força demonstra não apenas o compromisso, mas a imensidão daquele homem”. 


Cesa hoy una de las aberraciones más grandes del Lawfare en Latinoamérica: la privación ilegítima de la libertad del ex Presidente de la República Federativa de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.




A vice de Fernández  e ex-presidente argentina Cristina Kirchner também se manifestou: “caso foi uma das maiores aberrações da ‘guerra jurídica’ na América Latina”. 

O candidato à presidência norte-americano Bernie Sanders foi outro que parabenizou o ex-presidente. 

Parlamentares também se manifestaram: 
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) também comemorou a saída do ex-presidente da prisão: "emoção por Lula, pela democracia e pelo Brasil. Gratidão pelas pessoas que ficaram em vigília cada dia desta injusta prisão. A verdade sobre o processo falso de Moro foi desmascarada pela #VazaJato por jornalistas livres. Temos um país pelo qual lutar. Um povo para amar".

Deputados da ala antipetista criticaram o ex-presidente e também o Supremo Tribunal Federal (STF). A liberdade a Lula foi concedida a partir da decisão do plenário da Corte, tomada nesta quinta-feira (7)de que condenados pela Justiça só poder cumprir pena após seus processos transitarem em julgado, alterando a jurisprudência que levou Lula e outros condenados da Lava-Jato à prisão.

"Lula sai da cadeia, discursa e ataca o que chama de 'lado podre' da PF, MPF, PF e judiciário, referindo-se à Lava Jato. É o coice na cara do brasileiro consumado. Valeu STF!", provocou a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). A deputada Dayane Pimentel (PSL-BA) disse que Lula terá de enfrentar "uma política com uma renovação estrondosa no Congresso Nacional" que mostrará a "Lula e sua corja o que é patriotismo e compromisso com a população: leis, manifestações, discursos, reflexões... Lula, você ouviu falar de nós, agora vai ter que nos enfrentar", publicou.

Kim Kataguiri (DEM-SP), criticou o PT pela militância contra o fim da prisão após condenação em segunda instância: "Cunha livre, Eduardo Azeredo livre e Sérgio Cabral livre. Parabéns, petistada, soltaram o ladrão de vocês (que não vai servir de nada porque está com os direitos políticos cassados) e ainda fizeram a alegria dos corruptos dos outros partidos. Golaço!"
Imprensa internacional 
A imprensa europeia, que já tinha noticiado desde a madrugada a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a prisão em segunda instância, agora dá destaque à liberação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Praticamente todos os veículos dão ênfase ao fato de que a decisão da Suprema Corte também abre as portas para a libertação de quase 5 mil detidos, incluindo condenados pela Operação Lava-Jato, que envolveu políticos e alguns dos empresários mais poderosos do País.

Na página principal do jornal britânico The Guardian se lê que Lula foi libertado da prisão, onde cumpria uma sentença de corrupção de 12 anos, após uma decisão da Suprema Corte que "encantou seus apoiadores e deixou os seguidores do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro enfurecidos". "Lula foi recebido nesta sexta-feira por apoiadores delirantes do lado de fora da sede da polícia federal na cidade de Curitiba, onde ficou preso por 580 dias", disse o diário.
Notícia do The Guardian
(foto: Reprodução/The Guardian)
Uma foto de Lula com o título: "Brasil: Lula está fora da prisão" é a principal notícia do site do jornal francês Le Figaro. "O carismático líder da esquerda brasileira de 74 anos esperou 580 dias para abrir a porta de sua cela na noite desta sexta-feira na sede da Polícia Federal em Curitiba, no sul do Brasil", relata o periódico, lembrando que ele está a 1,4 mil quilômetros de distância de Brasília, onde a decisão do STF foi tomada.

No também francês Le Monde, a notícia está com um destaque de "alerta" escrito em vermelho. "Justiça brasileira autoriza libertação do ex-presidente Lula", avisa, citando novamente que se tratou de um julgamento "controverso", fruto da Operação Lava Jato. O jornal informa que Lula foi acusado de ter desfrutado de um triplex no balneário do Guarujá, perto de São Paulo, em troca de contratos concedidos a uma construtora.

No português Diário de Notícias, não só se trata da notícia principal, como acrescenta que, aguardado por milhares de apoiadores, Lula fará um tour pelo Brasil. "Recebeu o primeiro abraço da filha mais velha. Lurian, depois da noiva, Rosângela, de netos, e de Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e outros dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT). E em seguida discursou", descreveu a publicação.

Com informações da Agência Estado.