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7/07/2015

Estação Cocal

Ministro do Supremo libera Barusco de ir à CPI e inviabiliza acareação

Acareações entre Barusco e outros acusados ocorreriam quarta e quinta.
Presidente da CPI cancelou sessões com investigados na Lava Jato.

Mariana Oliveiira e Nathalia PassarinhoDa TV Globo e do G1, em Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello liberou nesta terça-feira (7) o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco de participar das sessões de acareação marcadas para esta semana na CPI da Câmara que investiga irregularidades na estatal investigadas pela Operação Lava Jato. Com a decisão, as sessões da comissão poderão ocorrer, mas as acareações ficam inviabilizadas.
Na quarta-feira, estava prevista acareação entre Barusco e o ex-diretor de Serviços da PetrobrasRenato Duque. Na quinta, a CPI havia marcado acareação entre Barusco e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Barusco é um dos colaboradores da investigação da Operação Lava Jato e admitiu fraudes. Os outros dois são acusados de participação em desvios na Petrobras, mas negam irregularidades.
Após tomar conhecimento da decisão de Celso de Mello, o presidente da CPI, Hugo Motta, afirmou que as sessões previstas para esta quarta e quinta serão canceladas, já que a acareação pressupõe a presença de duas pessoas. Para ele, não adiantaria trazer o tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-diretor de Serviços Renato Duque para depor, sem a participação de Barusco. “As acareações marcadas perdem a finalidade”, afirmou.

Hugo Motta também disse que “respeita” o ministro Celso de Mello, mas destacou que a decisão prejudica os trabalhos de investigação da comissão parlamentar de inquérito. “Ninguém pode dizer que é uma decisão simpática ao nosso trabalho. Pedro Barusco não pode estar doente só para comparecer ao Congresso Nacional. Ele depôs em Curitiba. Quero registrar aqui a nossa tristeza.”

Celso de Mello, que está de plantão no Supremo durante o recesso do Judiciário nesta semana, entendeu que a defesa conseguiu comprovar que a situação de saúde do ex-gerente é delicada.
"Ocorre, no entanto, que não posso desconhecer as informações contidas no 'relatório médico' produzido pelos impetrantes e que contém a descrição das gravíssimas condições de saúde que efetivamente afligem o ora paciente, que sofre “de câncer ósseo denominado Osteossarcoma Multifocal Metacrônico Esclerosante de Baixa intensidade”, que constitui 'doença raríssima'."
O ministro ressaltou que a ausência de Barusco na comissão não poderá causar prejuízos jurídicos ao ex-gerente. "Defiro o pedido de medida liminar e, em consequência, dispenso o ora paciente de comparecer às sessões de acareação que a CPI da Petrobras designou para os próximos dias 08 e 09 de julho de 2015, sem que de sua ausência possa resultar-lhe qualquer restrição ou prejuízo de ordem jurídica."
A decisão de Celso de Mello valerá até que o caso seja julgado em definitivo pelo tribunal.
Pedido da defesa
A advogada Beatriz Catta Preta juntou laudos médicos ao pedido e afirmou que a situação do câncer ósseo de Barusco piorou no último mês.

"O paciente sofre de câncer ósseo, grave moléstia que, por haver piorado no último mês, dificulta o seu deslocamento e permanência nas audiências de acareação designadas pela referida CPI. [...] Tendo em vista o agravamento da doença, não há como Barusco enfrentar horas de deslocamento e de audiência, além de stress emocional - o que inclusive não é recomendado pelo seu médico", afirma a advogada Beatriz Catta Preta.
Conforme a defesa, a presidência da comissão foi informada da situação de saúde, mas disse que "não pode prescindir das acareações, que são consideradas fundamentais para o alcance dos objetivos da investigação".
Por conta da recusa da CPI em adiar o depoimento a pedido da defesa, a advogada pede habeas corpus para suspender as acareações até quando Pedro Barusco tenha "condições físicas que lhe permitirem passar tanto tempo sentado, na mesma posição, respondendo às questões dos parlamentares, bem como que suas condições psicológicas lhe permitam passar por tamanha situação de stress."
A defesa lembrou ainda que Barusco, como colaborador da Operação Lava Jato, já participou de uma sessão da CPI por seis horas e já relatou o que sabe.
"Não é demais lembrar que o ora peticionário já participou de Sessão na Câmara dos Deputados, sendo o primeiro convocado a ser ouvido perante a CPI, ocasião em que ficou por mais de 6 (seis) horas sentado, respondendo a todas as perguntas que lhe foram dirigidas, trazendo todos os detalhes de que dispunha de todos os fatos por ele conhecidos, não dispondo, no momento, de mais informações para compartilhar com os parlamentares."
Em março, Barusco afirmou à CPI que repassou US$ 300 mil à campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010 – o que o PT nega – e que acumulou, desde 1997, US$ 97 milhões em propina, quantia a ser devolvida aos cofres públicos.

5/05/2015

Estação Cocal

Justiça manda devolver R$ 157 mi de corrupção à Petrobras

A devolução foi pleiteada pelo Ministério Público Federal, de quem a Petrobras passou a ser assistente nas acusações desde o último dia 25


 postado em 05/05/2015 18:31 / atualizado em 05/05/2015 19:17
O juiz Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná, autorizou a transferência de R$ 157 milhões para a Petrobras em despacho nesta terça-feira, 5. Os recursos são provenientes da colaboração premiada do ex-gerente da estatal Pedro Barusco Filho.
Os valores desviados por Barusco e repatriados pela investigação somam R$ 204.845.582,11. Segundo a decisão judicial, devem ser depositados na conta da estatal R$ 157 milhões. De acordo com Moro, "não há problema em promover a devolução de parte substancial antes do fim dos processos, já que o acusado colaborador era o controlador das contas secretas e renunciou a qualquer direito sobre o produto da atividade criminosa".

Ele disse ainda que a manter parte dos valores depositado em juízo é "razoável" a fim de verificar "se há outros danos sofridos por terceiros a serem cobertos". O juiz também diz esperar que parte do dinheiro seja usada para reforçar e aprimorar "sistema de controle e compliance" dentro da Petrobras para prevenir novos desvios.

A devolução foi pleiteada pelo Ministério Público Federal, de quem a Petrobras passou a ser assistente nas acusações desde o último dia 25. Segundo o juiz, é positivo que a estatal tenha reconhecido "os prejuízos da corrupção em seu balanço", mas ressalvou que "há não mais de um ano sequer admitia a ocorrência de corrupção em seu meio".

O MPF, que considera a Petrobras uma vítima de um esquema de corrupção e cartel, realizará uma cerimônia na próxima segunda-feira, 11, para a devolução do dinheiro. No despacho, Moro destaca "os trabalhos de investigação e persecução efetuados pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, com auxílio de outros órgãos públicos, como a Receita Federal, para o êxito da recuperação desses ativos".

"Foi a eficiência, a integridade, a perseverança e a firmeza deles que propiciaram a recuperação desses valores milionários. Não se previne de fato corrupção dessa magnitude sem esses atributos", afirmou, ressaltando ainda a colaboração da Suíça, onde Barusco mantinha parte do dinheiro desviado.

5/04/2015

Estação Cocal

Petrobras entrega à CPI gravações de apenas 12 reuniões do conselho


 postado em 04/05/2015 18:01
Brasília, 04 - A Petrobras entregou nesta segunda-feira, 04, à CPI que investiga corrupção na estatal apenas as gravações das 12 últimas reuniões do seu Conselho de Administração, realizadas a partir de setembro do ano passado. A companhia informou oficialmente à comissão que registros em áudio e vídeo de outros encontros do colegiado foram destruídos, como antecipou o portal do

Estado

na última quinta-feira, 30.

A CPI requisitou gravações do período entre 2005 e 2015. No material deletado pela Petrobras, estavam registradas as reuniões em que o conselho aprovou obras investigadas na Operação Lava Jato, além da compra da Refinaria de Pasadena, em 2006, sob o comando da presidente Dilma Rousseff, então chefe da Casa Civil do governo Lula e presidente do colegiado.

A destruição das gravações torna mais difícil saber, em detalhes, como se deram as discussões ao aprovar os investimentos da companhia. Também compromete a investigação de eventuais irregularidades cometidas por eles no exercício dessas funções.

A explicação da Petrobras vem após o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), contatar representantes da estatal e informar que, se o material não fosse entregue até o fim da manhã desta segunda-feira, requisitaria uma busca da Polícia Federal na sede da companhia, no Rio de Janeiro.

No documento entregue à CPI, a Petrobras explicou que a destruição está embasada no Regimento Interno do Conselho de Administração. Segundo a empresa, a norma autoriza a eliminação de áudios e vídeos após a "lavratura da ata da reunião".

A Petrobras não informou à CPI desde quando a regra está em vigor. Diante disso, Motta disse hoje que vai questionar a empresa sobre eventuais alterações no regimento que possam ter "protegido" conselheiros de investigações. "Se o regimento tiver sido alterado para encobrir a atuação do conselho, vamos tomar providências para responsabilizar todos aqueles que deram prejuízo à Petrobras", afirmou.

A oposição apresentará amanhã requerimento pedindo perícia em equipamentos da estatal para confirmar se, de fato, as gravações foram apagadas e se, eventualmente, é possível recuperá-las.

Conforme conselheiros da Petrobras ouvidos pelo estadão.com, a estatal decidiu preservar as gravações das reuniões após a Operação Lava Jato, para evitar eventuais problemas com órgãos de investigação. Por isso, só haveria áudios e vídeos dos últimos oito meses.

4/23/2015

Estação Cocal

Petrobras tem dia de sobe e desce na Bovespa depois de divulgação de balanço

Dólar fecha abaixo de R$ 3 pela 1ª vez desde o início de março, mas ações ordinárias fecham em alta   

 postado em 23/04/2015 18:06 / atualizado em 23/04/2015 18:36
 Marina Rigueira /Estado de Minas
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou a quinta-feira em alta, em dia de forte oscilação nas ações da Petrobras, influenciadas pela divulgação do balanço da estatal, que apontou prejuízo recorde de R$ 21 bilhões em 2014 e perdas de R$ 6 bilhões com corrupção. O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, fechou em alta de 1,95%, a 55.684 pontos, o maior patamar desde 21 de novembro do ano passado, quando o Ibovespa fechou a 56.084 pontos. 
As ações ordinárias da Petrobras fecharam em alta de 5,63%. Já as preferenciais caíram 1,52%. No início do pregão, as ordinárias chegaram a cair mais de 6%, e as preferenciais, mais de 8%. Os papéis da Vale foram o destaque do pregão, diante de novo avanço nos preços do minério de ferro, e puxaram os ganhos da Bovespa. Os papéis ordinários da mineradora fecharam em alta de 8,43%, enquanto os preferenciais aumentaram 6,56%. As ações da Usiminas e da CSN também tiveram destaque, avançando mais de 6% perto do fechamento.

Dólar fecha abaixo de R$ 3 

O dólar terminou a quinta-feira em queda pelo terceiro pregão seguido, terminando a sessão abaixo de R$ 3 depois de quase 2 meses sendo negociado acima deste piso. A moeda norte-americana recuou 0,89%, cotada a R$ 2,9816 na venda. A última vez que o dólar tinha fechado abaixo dos R$ 3 foi em 4 de março, cotado a R$ 2,9807. No mês de abril, a divisa acumula queda de 6,56%, e no ano, a valorização ainda é de 12,15%.


4/13/2015

Estação Cocal

Conselho da Petrobras apreciará balanço auditado de 2014 no dia 22

Divulgação dos balanços do 3º trimestre e de 2014 está atrasada.
Resultado contábil será divulgado após decisão do conselho
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Do G1, em São Paulo

A Petrobras informou nesta segunda-feira (13) que seu Conselho de Administração vai se reunir no próximo dia 22 de abril para apreciar as demonstrações contábeis auditadas do 3º trimestre, que será revisado, e de 2014.
A publicação dos dois resultados está atrasada, devido às investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, sobre o esquema de corrupção envolvendo a empresa estatal.
A Petrobras contratou a auditoria independente PricewaterhouseCoopers (PWC) para assinar seu balanço, mas ela havia se negado a prestar o serviço devido ao escândalo de corrupção.
Pelo contrato de dívida com credores, o balanço anual auditado da empresa deve ser entregue até o final de abril. Após essa data, a Petrobras teria de 30 dias a 60 dias para cumprir essa obrigação.
"A companhia espera divulgar essas demonstrações contábeis ao mercado, após a decisão do Conselho de Administração", afirmou a petroleira em comunicado ao mercado.
Balanço não auditado
No dia 28 de janeiro, a Petrobras divulgou o balanço não auditado do 3º trimestre da companhia, após dois adiamentos. Mas o documento deixou de fora as perdas esperadas pelas denúncias de corrupção na estatal investigadas na Lava Jato, conforme era aguardado pelo mercado.
De acordo com o balanço, que não teve o aval da auditoria independente PwC, a petroleira teve lucro líquido de R$ 3,087 bilhões no terceiro trimestre do ano passado. O valor representa uma queda de 38% em relação ao trimestre anterior em 2014, "refletindo o menor lucro operacional", segundo a Petrobras.
Já em relação ao terceiro trimestre de 2013, quando o lucro havia sido de R$ 3,395 bilhões, o recuo foi de 9,9%. No acumulado de janeiro a setembro, o lucro foi de R$ 13,439 bilhões, uma queda de 22% frente ao mesmo período do ano passado.

3/26/2015

Estação Cocal

Murilo Ferreira deve suceder Coutinho na presidência do conselho da Petrobras

Com a vaga aberta pela saída do ex-ministro Guido Mantega, o próximo integrante do Conselho de Administração da Petrobras deve ser Murilo Ferreira, presidente da Vale. 

Ele deve ser indicado em abril para, em seguida, na reunião ordinária marcada para dia 29, ser eleito presidente do conselho. 

Até lá, permanece na presidência Luciano Coutinho, presidente do BNDES, que já era membro do conselho e foi eleito nesta quinta-feira para substituir Mantega.

O tão aguardado balanço da Petrobras, no qual deverão ser registrados os desvios do escândalo de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, deve ser apresentado ao conselho durante o período de Coutinho na presidência.

A orientação da presidente Dilma Rousseff é de um rearranjo do papel do conselho, para que o órgão tenha mais peso na gestão da Petrobras.

A escolha de Murilo Ferreira, que já é presidente da Vale, demonstra a dificuldade de Dilma para encontrar nomes no mercado que aceitem a indicação para a cúpula da Petrobras.

2/10/2015

Estação Cocal

Petrobras começa a apurar corrupção com 150 funcionários em lista de 2 mil



O comitê criado pela Petrobras para acompanhar as apurações internas sobre corrupção listou 2 mil funcionários da companhia que devem ser alvo dos investigadores contratados pela empresa, ao longo deste ano. Desses, 150 tiveram apuração considerada prioridade e já estão sendo avaliados.
O grupo menor é composto de pessoas que prestam ou prestaram informações à PwC, auditoria da Petrobras, nos últimos anos, para elaboração dos balanços trimestrais da companhia.
Todos os 2 mil funcionários serão alvo de verificação por parte dos escritórios TRW, brasileiro, e Gibson Dunn & Crutcher, americano, contratados pela Petrobras para tentar entender a extensão do esquema de corrupção revelado na Operação Lava Jato.
Eles foram identificados por terem atuado na assinatura de contratos com as 23 empreiteiras apontadas pela Operação Lava Jato como participantes do esquema. Tais funcionários terão e-mails e ligações telefônicas rastreados. Seus objetos de trabalho serão alvo de vistorias.
Para assinar o balanço, a PwC quer que a Petrobras dê baixa de valores lançados indevidamente como investimentos, mas que, na verdade, foram usados para pagamento de propina, dentro do esquema de corrupção, revelado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e de outros delatores da Lava Jato.
A lista de 2 mil pessoas foi apresentado pelo novo comitê durante a reunião de conselho de administração da Petrobras da última sexta-feira, quandoAldemir Bendine foi anunciado em substituição à Graça Foster.
O comitê é composto pela ex-presidente do STF, Ellen Gracie, o consultor de governança Andreas Pohlmann e pelo diretor de Governança da Petrobras, João Elek. 

Estação Cocal

Turma do STF mantém ex-diretor da Petrobras Renato Duque em liberdade



A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta terça-feira (10) manter em liberdade o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Preso em novembro passado, na sétima fase da Operação Lava Jato, ele foi solto pelo ministro Teori Zavascki em 3 de dezembro, após passar 19 dias na prisão.
Quando aceitou o pedido de liberdade, Zavascki disse que a única fundamentação do juiz que determinou sua prisão, Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, era o risco de fuga, uma vez que Duque possuiria enorme fortuna no exterior e poderia deixar o país para evitar uma eventual condenação e necessidade de pagar por seus crimes.
De acordo com Teori, há jurisprudência consolidada no STF impedindo que prisões sejam mantidas somente com base no risco de fuga, por isso, determinou a soltura. Nesta terça, ao levar sua decisão para a Turma, que poderia mantê-la ou alterá-la, reforçou tais argumentos. Segundo o ministro, apesar de existirem fortes indícios do cometimento de crimes por parte de Duque, não seria o caso de detenção.
"Há elementos que indicam materialidade para crimes graves, há indícios fortes", disse. "[Mas] a custódia está calcada em presunção de fuga, o que é rechaçado categoricamente pela jurisprudência dessa corte", completou.
O ministro ainda chamou a atenção para o fato de que, apesar de o Ministério Público Federal acreditar que Duque cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro através do recebimento de propina nas obras da Petrobras, ele ainda não havia sido formalmente denunciado pelos delitos.
Por isso, ponderou que o mais correto para seria a aplicação de medidas restritivas – que inclusive foram tomadas em dezembro – tais como a determinação de entrega do passaporte à Justiça.
O voto de Zavascki concordou, em parte, com a defesa feita pelo advogado de Duque, Renato de Moraes. Em sua sustentação, minutos antes do voto do ministro, disse que era inadmissível a prisão de algum investigado com base somente no risco de fuga para evitar a aplicação da lei penal.
Em sua fala, o advogado ainda criticou o juiz Moro. Em sua opinião, as prisões decretadas pelo magistrado aconteciam em "condições muito complicadas", com detidos que, por serem de outros Estados, não pertencem à sua jurisdição e que serviam para forçar delações premiadas.
TRÊS A ZERO
Após ouvirem os argumentos de Teori, votaram no mesmo sentido os ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.
Celso de Mello, que também faz parte da Segunda Turma, não compareceu ao colegiado e, como uma das cadeiras está vazia desde a aposentadoria de Joaquim Barbosa, o julgamento acabou em 3 a 0.
Um dos delatores da Lava Jato, o ex-gerente Pedro Barusco, disse que Duque recebeu entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões em propina em contas na Suíça e entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões no Brasil.
O advogado de Duque, Renato de Moraes, refuta que seu cliente tenha recebido suborno.

MESMO CASO

Advogados de outros réus da Lava Jato que estão presos defendem que a decisão do Supremo seja estendida aos outros 11 executivos que estão presos. "A situação do Duque é idêntica à dos outros executivos presos. Se não há justificativa para a prisão dele, não há para nenhum outro. Todos deveriam ser soltos", diz Antonio Claudio Mariz de Oliveira, que defende Eduardo Leite, vice-presidente da Camargo Corrêa.
O caso de Duque tem uma ligeira diferença em relação aos executivos presos: ele não foi alvo de acusação por parte do Ministério Público Federal.
"O Supremo estabeleceu um freio para as prisões preventivas. É uma reação, ainda leve, aos excessos do juiz", diz o advogado Nelio Machado, que defende o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Segundo ele, as prisões preventivas determinadas pelo juiz são uma espécie de punição antecipada, o que não é admitido pelo Supremo, com o objetivo de forçar os réus a fazerem acordos de delação premiada.
Celso Vilardi, que defende João Auler, presidente do conselho da Camargo Corrêa, também diz que a decisão do Supremo foi um "reconhecimento de que a prisão de Duque foi um equívoco, assim como as prisão dos outros executivos". Vilardi defende a extensão da liberdade aos outros presos.
Segundo ele, no caso da Camargo Corrêa, não há o menor chance de os réus cometerem novos crimes, uma das justificativas do juiz para a prisão. Os três executivos da empreiteira que estão presos assinaram um documento no qual se comprometem a não atuar em negócios que tenham qualquer vínculo com o poder público. 

2/06/2015

Estação Cocal

Três de dez conselheiros da Petrobras votaram contra Bendine


O nome de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras não teve aprovação de todos os integrantes do Conselho de Administração da estatal. O placar ficou em 7 votos a favor contra 3 contra.
A Folha apurou que Mauro Cunha, que representa os acionistas donos de ações ordinárias, José Guimarães Monforte, representante dos donos das preferenciais (ambos representam os acionistas minoritários), e Silvio Sinedino, eleito pelos trabalhadores, deram voto contrário à escolha da presidente Dilma Rousseff para o cargo.
Dentro do colegiado, apenas esses três membros são considerados independentes pelo mercado. Os votos de todos os dez integrantes do conselho têm o mesmo peso.
O nome de Bendine também desagradou o corpo técnico da Petrobras e os investidores. As ações da estatal caíram quase 7%. Para o mercado, a indicação do ex-presidente do BB significa que o governo vai continuar interferindo diretamente na gestão da estatal.
Além disso, o executivo tem sua credibilidade questionada por conta de pendências com a Receita Federal, acusações de um ex-motorista e um empréstimo nebuloso para a socialite Val Marchiori (entenda o caso ).
O governo federal é o acionista controlador da estatal. Presidido pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, o conselho é formado em sua maioria por nomes indicados pelo governo.
Os outros sete membros são: os ex-ministros Guido Mantega e Miriam Belchior; o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann; o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que chegou a ser cotado para o cargo; o general Francisco Roberto de Albuquerque; o vice-presidente da Fundação Getulio Vargas, Sérgio Quintella; além da agora ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, que cedeu sua vaga para Bendine no colegiado.
Os quatro primeiro sempre votam "em bloco". Na última reunião, que avaliou o balanço da Petrobras, Quintella e Graça divergiram do "bloco" em relação à divulgação dos R$ 88,6 bilhões de sobrevalorização dos ativos da Petrobras. A publicação do número irritou Dilma e a levou a aceitar a entrega do cargo feita por Graça, a quarta desde dezembro.
Conforme informou a Petrobras, o nome do ex-presidente do Banco do Brasil para presidir a empresa foi eleito "por maioria" do conselho.
O conselheiro Mauro Cunha, que raramente comenta publicamente a respeito da Petrobras, divulgou nota, no fim da tarde, em que considerou a eleição de Bendine "mais um episódio de desrespeito ao Conselho de Administração". Afirmou, ainda, que "o controlador mais uma vez impôs sua vontade sobre os interesses da Petrobras".
"Os conselheiros tomaram conhecimento do nome do novo Presidente da Companhia pela imprensa, antes do assunto ser discutido. Eu gostaria de dizer em público as verdades que pus em ata, mas correria o risco de sofrer retaliações, como já sofri no passado", disse.
Afirmou, ainda, que foram ignorados "os apelos de investidores de longo prazo". "Como diz o Fato Relevante, a decisão foi por maioria, e não por unanimidade - de onde se pode concluir a posição desde conselheiro".
Também em nota, Sinedino criticou o nome imposto pelo governo. "As indicações por Partidos Políticos, como a Polícia Federal e a Justiça vêm demonstrando, acabam cobrando um alto preço em corrupção e malfeitos".
Ele chegou a sugerir na reunião do conselho que a diretoria da Petrobras fosse escolhida pelo governo federal entre uma lista triplice apresentada pelos trabalhadores.
Mas a proposta, elaborada em conjunto com as associações sindicais do setor, não prosperou.
DIRETORES
A eleição dos demais membros da diretoria, escolhidos para ocupar os lugares deixados pelos diretores que pediram demissão junto com Graça Foster, também foi "por maioria", e não por unanimidade.
Ivan Monteiro, atual vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil, será onovo diretor financeiro da Petrobras, antecipou a Folha. O cargo é chave para enfrentar a atual crise pela qual a petroleira passa.
O conselho também definiu quem serão os novos diretores da Petrobras que ocuparão o lugar daqueles que renunciaram.
Solange da Silva Guedes, atual gerente-executiva de Exploração e Produção Corporativa, será a nova diretora de Exploração e Produção, em substituição a José Miranda Formigli Filho.
Jorge Celestino Ramos, atual gerente-executivo de Logística do Abastecimento, ocupará a diretoria de Abastecimento em substituição a José Carlos Cosenza.
Hugo Repsold Júnior, gerente-executivo de Gás e Energia Corporativo, será diretor de Gás e Energia em substituição a José Alcides Santoro Martins.
Roberto Moro, hoje gerente-executivo de engenharia para Empreendimentos Submarinos, ocupará a diretoria de Engenharia, Tecnologia e Materiais em substituição a José Antônio de Figueiredo.
Dentre todos os problemas da Petrobras, o mais urgente nó a ser desfeito pela nova diretoria da Petrobras é a publicação do balanço auditado com o lançamento das perdas decorrentes da corrupção.
É crucial para a Petrobras ter o balanço auditado por dois motivos: sem o aval da auditora independente PwC (PricewaterhouseCoopers), a estatal fica em risco iminente de perder o grau de investimento para a sua nota de crédito e pode ter parte de sua dívida cobrada imediatamente, antes do vencimento.
No dia 3 deste mês, a agência de risco Moody's deu 30 dias para a estatal publicar os dados, sob o risco de perder a nota de investimento.
A Fitch também rebaixou a classificação de risco da Petrobras para o último passo antes de risco especulativo -muitos fundos não aplicam seus recursos em ações e títulos de empresas com essa avaliação. 

2/03/2015

Estação Cocal

Roger Agnelli e Rodolfo Landim 'circulam' entre boatos para a Petrobras

Os requisitos para a escolha de um novo presidente para a Petrobras passam pela política, pelo petróleo, pela vontade da presidente Dilma, pela influência do ex-presidente Lula no governo atual, pela competência do executivo em virar o jogo da credibilidade perdida e, principalmente, pela disposição do candidato em assumir riscos jurídicos desconhecidos.
Os nomes mais fortes que rondam as mesas de grandes bancos e fundos de investimentos no Brasil são: Roger Agnelli, que esteve no comando da Vale por mais de 10 anos; e Rodolfo Landim, ex-parceiro de Eike Batista e atual desafeto do empresário, com passagens pela Eletrobrás e BR Distribuidora.
Roger Agnelli é amigo e muito ligado ao ex-presidente Lula. Quem não gosta dele é Dilma Rousseff. Agnelli foi demitido categoricamente pela presidente no início do 2011 e seria um nome difícil dela engolir. Ora, mas se ela “engoliu” Joaquim Levy e suas “maldades” na Fazenda, por que não aceitar Roger Agnelli na cadeira da Petrobras para estancar a sangria na estatal?
Rodolfo Landim é um nome conhecido e respeitado no mercado internacional de óleo e gás, com mais de 30 anos no setor. O fato de ter saído brigado com Eike Batista antes mesmo da derrocada do ex-mega-empresário aumenta seu cacife. Hoje, o executivo toca a Mare Investimentos, um fundo de compra de participação em empresas de óleo e gás.
Outros nomes correm pelos boatos, até mesmo o do ex-BC Henrique Meirelles. O banqueiro parece curinga de crises – ele foi super cotado para assumir o ministério da Fazenda e agora aparece novamente na lista de candidatos à Petrobras. Na lista também estão ex-diretores da própria estatal, com histórico de boa gestão e sem filiação política.
A guerra de salvamento da petrolífera tem várias batalhas – por enquanto, o governo vem perdendo a maioria, senão todas. Em momentos de crise aguda, a batalha da comunicação é tão importante quanto a geração de caixa. O vazamento da decisão da presidente Dilma de retirar Graça Foster da Petrobras deveria ser seguido por um nome forte já eleito para assumir a companhia.

O vácuo entre os nomes não provocou preocupação imediata, ao contrário. As ações da Petrobras sobem como foguete nesta terça-feira. Mas o tempo corre contra o governo e a escolha precisa ser tão rápida quanto forte. Bata saber o que vai guiar a decisão da presidente Dilma – a emoção ou a razão.

Estação Cocal


Em conversa sincera, Dilma acertou saída de Graça assim que encontrar substituto


Na longa reunião na tarde dessa sexta-feira (3), a presidente Dilma Rousseff e a presidente da Petrobras, Graça Foster, tiveram uma conversa sincera. Não houve uma solução de imediato. Mas Dilma colocou como prioridade a substituição do comando da Petrobras e de sua diretoria, o que deverá ocorrer nos próximos dias. 

Segundo um interlocutor da presidente, ela vai se dedicar a encontrar um nome do mercado para enfrentar o desafio de presidir a estatal. O governo está em busca de um nome testado e reconhecido, para presidir a empresa. O objetivo é resgatar a credibilidade. A diretoria deverá ter gente do setor privado e de carreira. Essas mudanças deverão ocorrer em fevereiro, se os profissionais forem encontrados - não necessariamente todos de uma vez.

Na conversa, Graça foi direta e disse que não tinha mais condições de comandar a estatal e que, portanto, teria que deixar o cargo. Foi a terceira vez que Graça colocou o cargo à disposição num prazo de dois meses. 

O desfecho só não aconteceu hoje porque ainda não há um nome para substituir Graça. “Sem dúvida, esses devem ser os piores dias da vida da Graça”, observou um auxiliar de Dilma. A sugestão de colocar um diretor interinamente no cargo foi descartada pela própria Dilma na conversa com Graça. “Isso seria muito pior. A repercussão seria péssima no mercado”, explicou outro integrante do governo. 

A situação de Graça Foster ficou insustentável na semana passada, quando Dilma demonstrou irritação com a intenção do conselho de administração da Petrobras de divulgar balanço com prejuízos de R$ 88 bilhões por causa de desvios em corrupção. A presidente da República atuou pessoalmente para retirar esse dado do balanço.

Graça ligou ontem para Dilma, pedindo uma conversa. A presidente da República não pode atendê-la ontem e marcou para hoje. No Planalto, Graça disse que não tem condições emocionais de continuar. O carnaval, máscaras e manifestações em frente à casa dela produziram um estresse irreversível. E Dilma, depois da contrariedade com o balanço da semana passada, consentiu que realmente a diretoria não pode ficar.

Dilma está irritada, porque acha que Graça poderia ter perguntado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o que significa um número final sobre corrupção. Poderia ter lançado o número do Paulo Roberto Costa (R$ 4 bi), ou do Ministério Publico (R$ 2,8 bi), ou uma média entre eles, dizendo que ao término da investigação a empresa ressarciria os prejudicados. Algo que tirasse a Petrobras do impasse. Graça foi a público dizer que não tinha condição de encontrar esse número. 

A presidente também reclamou do abatimento de cerca de R$ 89 bilhões de ativos da empresa. Cobrou que pelo menos R$ 27 bilhões seriam ativos bons, relativos ao valor do petróleo. Num próximo balanço, esses dados serão revisados.

A presidente Dilma considerou uma lástima a divulgação dos dados feita pela diretoria na semana passada. E consentiu que Graça e diretores próximos perderam condição politica de permanecer.


Fonte:G1