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12/17/2015

Estação Cocal

Janot pede ao Supremo que Cunha seja afastado do cargo de deputado federal




O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, protocolou no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (16) um pedido de afastamento cautelar do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do cargo de deputado federal e de presidente da Casa.
Para Janot, segundo a PGR, Cunha "vem utilizando o cargo em interesse próprio e ilícito unicamente para evitar que as investigações contra ele continuem e cheguem ao esclarecimento de suas condutas, bem como para reiterar nas práticas delitivas".
Janot diz que Cunha ultrapassou "todos os limites aceitáveis" de um "Estado Democrático de Direito" ao usar o cargo em "interesse próprio" e "unicamente para evitar que as investigações contra si tenham curso e cheguem ao termo do esclarecimento de suas condutas, bem como para reiterar nas práticas delitivas".
O peemedebista é investigado em três inquéritos sob suspeitas de corrupção, sendo que um deles já virou denúncia ao Supremo Tribunal Federal, acusado de receber propina de contrato com a Petrobras.
Além disso, acusa a PGR (Procuradoria-Geral da República), ele tem usado seu mandato de deputado e o cargo de presidente "para constranger e intimidar testemunhas, colaboradores, advogados e agentes públicos" para dificultar a investigação contra si.
Como o deputado preside uma Casa do Parlamento, seu caso terá de ser analisado pelo plenário do STF. Como nesta quinta (17) a sessão do STF será tomada pela análise do rito de impeachment da presidente Dilma Rousseff, restará o encontro de sexta-feira (18) —o último do ano para os ministros da corte antes do recesso do Judiciário.
No início da tarde, ao chegar para a sessão do Supremo, Janot procurou Teori e informou que faria o pedido de afastamento de Cunha. O relator da Lava Jato procurou o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, para repassar a decisão da Procuradoria.
O pedido contra Cunha vinha sendo especulado desde que surgiu contra ele uma delação no escopo da Operação Lava Jato, mas só veio mesmo após a fase da ação desta terça (15), que apreendeu documentos e aparelhos eletrônicos na casa do deputado.
A especulação é se já houve alguma análise do material apreendido para embasar o pedido ou se ele se baseia em alguma informação apurada nos inquéritos sob sigilo contra Cunha.
A PGR estudava pedir o afastamento de Cunha desde outubro, após o STF autorizar o sequestro de R$ 9,6 milhões depositados em contas na Suíça atribuídas a ele.
À época, assessores de Janot afirmaram estar reunindo indícios que apontariam que Cunha utilizou o cargo para atrapalhar os desdobramentos da Lava Jato. Eles disseram, em outubro, que se isso ficasse comprovado, a Procuradoria formalizaria o pedido —exatamente o que ocorreu nesta quarta.

'AÇÕES ESPÚRIAS'

A operação da Polícia Federal realizada nesta terça-feira deu novos elementos para o pedido, mas parte dele é baseada em fatos já conhecidos.
Em seu pedido, Janot faz duras críticas ao presidente da Câmara, diz que ele usava aliados para achacar empresários, e cita 11 fatos nos quais ele usaria indevidamente o cargo.
O procurador-geral sustenta que Cunha "tem adotado, há muito, posicionamentos absolutamente incompatíveis com o devido processo legal, valendo-se de sua prerrogativa de presidente da Câmara dos Deputados unicamente com o propósito de autoproteção mediante ações espúrias para evitar a apuração de suas condutas, tanto na esfera penal como na esfera política".
Em relação a fatos novos, a peça cita conversa obtida no celular apreendido de Cunha com o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, na qual Cunha negocia um projeto de interesse do empreiteiro e pede propina, na avaliação de Janot. "Alguns dias depois Cunha cobrou o pagamento de valores, que, pelo teor das conversas anteriores, era em duas partes: R$ 1.500.000,00 e R$ 400.000,00".
Também cita conversa com o então presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, na qual Cunha acerta emendas de seu interesse. Por isso, Janot diz que Cunha transformou a Câmara em "balcão de negócios".
Foram encontrados ainda na busca nas residências de Cunha documentos referentes às suas contas na Suíça, documentos referentes à Petrobras e dossiê da CPI da Petrobras, e documentos sobre requerimentos e emendas de deputados aliados.
Dentre os fatos já conhecidos, como o uso da ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ) para, por meio de requerimentos em uma comissão, pressionar o lobista Julio Camargo a lhe pagar propina da Petrobras, e o uso de parlamentares para apresentar requerimentos contra o grupo Schahin, que tinha uma disputa com o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, pessoa próxima a Cunha.
Policiais federais inclusive encontraram uma pasta com nome "requerimentos de autoria da Dep. Solange Almeida" na busca na casa de Cunha, o que reforço a relação entre eles.
No caso de Funaro, a PGR aponta que ele pagou veículos no valor de R$ 180 mil para a empresa de Eduardo Cunha, a C3 Produções Artísticas e Jornalísticas.
Janot também cita fatos envolvendo a CPI da Petrobras, patrocinada por Cunha e que se encerrou em meados desse ano. Diz que a convocação da advogada Beatriz Catta Preta foi para intimida-la porque o lobista Julio Camargo implicou Cunha em sua delação premiada e que a contratação da empresa Kroll, por cerca de R$ 1 milhão, foi para buscar ativos financeiros dos delatores da Lava Jato que pudessem comprometer suas delações premiadas.
A peça também usa como argumento as manobras de Cunha para evitar a abertura de seu processo de cassação no Conselho de Ética, citando inclusive a entrevista do ex-relator do processo Fausto Pinato à Folha publicada na semana passada, na qual ele disse ter recebido oferta de propina.

CRÍTICAS A JANOT

Em diversas ocasiões, Cunha centrou fogo em Janot e na PGR. Em outubro, diante do agravamento das denúncias envolvendo ele, o peemedebista soltou nota à imprensa em que denominava o procurador-geral da República de "acusador do governo geral da República".
Segundo ele, a intenção de Janot era "constrangê-lo politicamente", ao divulgar um dossiê entregue pelo Ministério Público da Suíça, com informações sobre contas bancárias controladas pelo presidente da Câmara, à PGR.
O documento mostrava, entre outras informações, que Cunha e sua mulher, a jornalista Cláudia Cruz, fizeram gastos em cartões de crédito vinculados às contas. De acordo com investigadores, o dinheiro nas contas era proveniente de propinas pagas em troca de contratos na Petrobras.
"O procurador-geral da República divulgou dados que em tese deveriam estar protegidos por sigilo, sem dar ao presidente da Câmara dos Deputados o direito de ampla defesa e ao contraditório que a Constituição Federal assegura", criticou.
"[A divulgação foi feita] tendo como motivação gerar o constrangimento político da divulgação de dados que, por serem desconhecidos, não podem ser contestados", acrescentou.
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OS MOTIVOS PARA O AFASTAMENTO

Ministério Público Federal lista 11 razões para que Eduardo Cunha seja afastado do cargo
1 Requerimentos feitos por aliados de Cunha, como a ex-deputada Solange Almeida, para pressionar pagamento de propina da Mitsui
2 Requerimentos e convocações feitos na Câmara a fim de pressionar donos do grupo Schahin
3 Convocação da advogada Beatriz Catta Preta à CPI da Petrobras para "intimidar quem ousou contrariar seus interesses"
4 Contratação da empresa de espionagem Kroll pela CPI da Petrobras, "empresa de investigação financeira com atuação controvertida no Brasil"
5 Utilização da CPI da Petrobras para pressão sobre Grupo Schahin e convocação de parentes do doleiro Alberto Youssef
6 Abuso de poder, com a finalidade de afastar a aplicação da lei, para impedir que um colaborador corrija ou acrescente informações em depoimentos já prestados
7 Retaliação aos que contrariam seus interesses, caso da demissão do ex-diretor de informática da Câmara que revelou a autoria de requerimentos feitos por aliados de Cunha
8 Recebimento de vantagens indevidas para aprovar medida provisória de interesse do banco BTG, de André Esteves
9 "Manobras espúrias" para evitar investigação no Conselho de Ética Câmara, com obstrução da pauta com intuito de se beneficiar
10 Ameaças ao deputado Fausto Pinato (PRB-SP), ex-relator do seu processo de cassação

11 Novas ameaças e oferta de propina ao ex-relator Pinato 

12/16/2015

Estação Cocal

Banda toca 'Amigos para sempre' em evento com Dilma e Temer


A presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer participaram nesta quarta-feira (16) de cerimônia militar no Clube do Exército, em Brasília. Durante a cerimônia, a banda militar tocou a música “Amigos para sempre”, após o momento em que Dilma e Temer cumprimentaram os oficiais generais das Forças Armadas.

Em seguida, os participantes do evento seguiram para o salão onde ocorreram os discursos e o almoço. Após as falas e antes da refeição, Dilma e Temer se cumprimentaram com beijo no rosto. Os dois se sentaram lado a lado durante o almoço.

Foi o primeiro evento público em que os dois aparecerem juntos desde que Temer enviou à presidente carta na qual apontou desconfiança da petista em relação a ele. 
O vice-presidente Michel Temer, ao lado da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Defesa, Aldo Rebelo, durante cerimônia no Clube do Exército (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)O vice-presidente Michel Temer, ao lado da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Defesa, Aldo Rebelo, durante cerimônia no Clube do Exército (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Somente dois dias depois do vazamento do conteúdo da carta – e após diversas conversas entre interlocutores da presidente e do vice –, Dilma e Temer se reuniram, por cerca de uma hora, no Palácio do Planalto.

O resultado da conversa entre eles foi o anúncio, por parte dos dois, de que a relação entre eles será "institucional" de agora em diante.

O desgaste na relação entre a presidente e o vice ocorre em meio à maior crise política vivida pelo governo desde que Dilma e Temer chegaram ao Palácio do Planalto, em 2011.

Além do processo de impeachment da petista autorizado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o governo vive as mais baixas taxas de popularidade – segundo pesquisa Ibope, 9% dos eleitores consideram a gestão "boa" ou "ótima", enquanto 70%, "ruim" ou "péssima".

O governo também enfrenta resistência de alas dissidentes do PMDB, que defendem a saída do partido do governo e o impeachment de Dilma.

Sobre o impeachment, a expectativa está em torno do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta quarta, de ação movida pelo PC do B na qual a legenda questionou atos de Eduardo Cunha no processo, como o que autorizou, por votação secreta, a eleição de uma chapa avulsa, composta por deputados da oposição e dissidentes da base, para compor a comissão especial destinada a analisar o processo.

Discurso
No evento, Dilma discursou antes do almoço e afirmou que o país precisa dos projetos estratégicos que estão em desenvolvimento nas Forças Armadas e assegurou que projetos prioritários não serão comprometidos com a necessidade de ajuste fiscal.

“Mesmo em momento de reequilíbrio fiscal, precisamos olhar sempre que revisões de prazos e adaptações não podem interromper um processo que as Forças Armadas têm levado a cabo”, disse.

A presidente afirmou, ainda, que a indústria de defesa ocupa um papel essencial em todos os países desenvolvidos.

O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, discursou antes da presidente e destacou o papel das instituições militares no Brasil.

“São instituições fundadoras da nossa nacionalidade, construtoras do estado brasileiro e criadoras de valores que cimentam a identidade mais profunda e o sentido de permanência da nossa nacionalidade. As instituições que ajudaram a criar a ideia de Brasil quando ela não existia. Ajudaram a fazer a escolha de um Brasil e não de dois, três ou mais Brasis”, afirmou.

Primeiro a discursar, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse que as Forças Armadas não são exaltadas pela busca do protagonismo e que estão “firmemente” dedicadas a contribuir para a estabilidade institucional.

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Estação Cocal

PGR pede afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara


Da Redação do Portal AZ

O procurador geral da república Rodrigo Janot apresentou na tarde desta quarta-feira (16) no Supremo Tribunal Federal o pedido de afastamento do Deputado Eduardo Cunha (PMDB) da presidência da Câmera Federal. Janot quer também que Cunha tenha seu mandato cassado. 

A iniciativa da procuradoria geral da República se dá a partir da ação da polícia federal que resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência oficial de Brasília de Eduardo Cunha e em sua casa na Barra de Tijuca. 

Cunha tem insistido em permanecer no cargo, apesar das pressões dentro da própria Câmera. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que é inocente, está tranquilo e confiante na Justiça, e descartou a possibilidade de renúncia
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