8/01/2019

Dallagnol buscou dados para ofensiva contra Toffoli: “Quem aposta que ele cai até o fim da Lava Jato?”



O presidente do STF, Dias Toffoli.NELSON JR
O procurador da República Deltan Dallagnol buscou ativamente informações e dados na investigação da Operação Lava Jato que pudessem constranger o ministro do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli, em um momento em que o atual presidente da Corte começava a ser visto como um adversário pela operação. Ainda que ministros do Supremo não possam ser investigados por procuradores de primeira instância (como Dallagnol e seus colegas) —a Constituição determina que eles só podem ser investigados pelo Procurador-geral da República com autorização do próprio STF—, mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil e analisadas com a Folha de S. Paulo mostram que o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba solicitou informações sobre as finanças pessoais de Toffoli e sua mulher e a respeito de uma possível ligação de ambos com empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras.
A nova reportagem, feita com base no material vazado ao The Intercept e cuja origem está em investigação na Polícia Federal, acirra o embate entre os procuradores de Curitiba e o Supremo no dia da retomada dos trabalhos do Judiciário. O STF tem na fila de espera julgamentos a respeito da Lava Jato, o mais esperado deles o que retoma a análise do pedido da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, que acusa o então juiz da Lava Jato —e também alvo dos vazamentos— Sergio Moro de parcialidade  Em declarações à Folha nesta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes afirmou que as revelações dos diálogos reforçam a certeza de que "o Brasil está diante da maior crise que se abateu sobre o aparato judicial desde a redemocratização". Segundo Mendes, as conversas provam que os procedimentos da Operação Lava Jato "atingiram, num só ato, dois pilares do sistema: a PGR e a Justiça Federal" e "e explicitam os abusos perpetrados pela denominada força-tarefa", além de reclamar "as providências cabíveis por parte de órgãos de supervisão e correição". "Como eu já havia apontado antes, não se trata apenas de um grupo de investigação, mas de um projeto de poder que também pensava na obtenção de vantagens pessoais", criticou Mendes.
As mensagens publicadas na nova reportagem também sugerem que, além de recorrer aos colegas para obter informações sobre Toffoli, Dallagnol sabia que a Receita Federal tinha dados sobre ele e sua cônjuge na Receita Federal, especificamente, sobre o escritório de advocacia de Roberta Rangel. Nesta quinta-feira, o ministro do Supremo Alexandre Moraes determinou a suspensão da investigação na Receita Federal sobre 133 contribuintes, entre os quais Gilmar Mendes e Roberta Rangel, e mandou afastar dois servidores do órgão que atuaram nessa investigação.
O procurador pôs a mira sobre o ministro do STF em julho de 2016, quando a empreiteira OAS negociava um acordo para colaborar com a Lava Jato em troca de benefícios penais para seus executivos. Poucos meses antes, Toffoli tomou duas decisões no Supremo que contrariaram os interesses da Lava Jato: votou para afastar de Curitiba as investigações sobre corrupção na Eletronuclear e soltou o ex-ministro petista Paulo Bernardo, poucos dias após sua prisão pelo braço da Lava Jato em São Paulo.
De acordo com a reportagem de The Intercept e da Folha, no dia 13 de julho, Dallagnol perguntou aos procuradores que negociavam com a OAS: "Caros, a OAS trouxe a questão do apto do Toffoli?". O promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, de Brasília, respondeu que não. Duas semanas depois, Dallagnol procurou Eduardo Pelella, chefe do gabinete do então procurador-geral Rodrigo Janot, para repassar informações que apontavam Toffoli como sócio de um primo num resort no interior do Paraná e perguntar sobre "o apartamento que foi reformado". Pelella passou-lhe, então, o endereço da casa de Toffoli. “Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com vocês com alguma informação [sobre Toffoli], acessando umas fontes”, ofereceu-se Dallagnol na conversa com Pelella.
Dallagnol interessou-se no imóvel porque, nas primeiras reuniões com os procuradores da Lava Jato, os advogados da OAS contaram que a empreiteira havia participado de uma reforma na casa de Toffoli em Brasília. Os serviços tinham sido executados por outra empresa indicada pela construtora ao ministro, e ele fora o responsável pelo pagamento. O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que disse ter tratado do assunto com Toffoli e era réu em vários processos da Lava Jato, afirmou a seus advogados que não havia nada de errado na reforma, mas o caso despertou a curiosidade dos procuradores mesmo assim.   
Quando a revista Veja publicou, em agosto de 2016, uma reportagem de capa sobre o imóvel de Toffoli, indicando a delação de Leo Pinheiro como fonte das informações. O vazamento causou um mal estar no STF e levou a Procuradoria-Geral da República a suspender as negociações com a OAS, para evitar conflitos prejudicariam o andamento de outras investigações. “Qdo chega no judiciário, eles se fecham”, reagiu Dallagnol no chat com os colegas um dia após a publicação da reportagem sobre Toffoli. “Corrupção para apurar é a dos outros.” Até hoje a delação de Leo Pinheiro, da OAS, está pendente de homologação do Supremo.
Em outro momento, o procurador Orlando Martello sugeriu que os colegas pedissem à Secretaria de Pesquisa e Análise (SPEA) da Procuradoria-Geral da República um levantamento sobre pagamentos da OAS ao escritório da mulher de Toffoli. "A respeito do Toffoli, peçam pesquisa para a Spea de pagamentos da OAS para o escritório da esposa do rapaz q terão mais alguns assuntos para a Veja”, disse no Telegram. “Não é nada relevante, mas acho q da uns 500 mil”. Em resposta ao colega, Dallagnol disse que a Receita Federal já pesquisava o tema, mas que ele desconhecia os pagamentos que teriam sido feitos pela OAS. “A RF tá olhando", escreveu. “Mas isso eu não sabia”.
Quando o também ministro do STF Gilmar Mendes saiu em defesa de Toffoli, após a publicação da Veja, Dallagnol voltou a procurar Orlando Martello em busca de novidades sobre a mulher de Toffoli e sugeriu que ele também buscasse informações sobre a mulher de Gilmar, Guiomar Mendes. “Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar”, escreveu Dallagnol. “Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?”. Martello negou as suspeitas, mas passou informações sobre a atuação do escritório da mulher de Toffoli na defesa da empreiteira Queiroz Galvão, no Tribunal de Contas da União. O informante de Martello, não identificado na conversa, dizia ter encontrado uma procuração na qual apareciam Toffoli e a esposa como representantes da empresa no TCU e sugeria que essa ligação obrigava o ministro a se afastar dos processos da Lava Jato.
De fato, Toffoli e a mulher foram sócios do escritório de advocacia até 2007, quando ele saiu para assumir a chefia da Advocacia-Geral da União. Em fevereiro de 2019, O Estado de São Paulo publicou que tanto a esposa de Toffoli unto a de Gilmar Mendes foram alvo da Receita Federal: elas fizeram parte de um grupo de 134 contribuintes investigados por uma equipe especial criada pelo fisco em 2017.
Em 14 de novembro de 2016, Dallagnol fez uma brincadeira com a possibilidade de Toffoli ser enquadrado pela força-tarefa da Operação. “Quem aposta que Toffoli cai até o fim da LJ? Por enquanto a aposta de que cai para mais, mas a coisa pode se inverter kkkk”, escreveu aos colegas do grupo Filhos do Januario 1, no Telegram.
Outros alvos
As mensagens obtidas também mostram que Dallagnol usou a delação da OAS para tentar barrar a indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça Humberto Martins para para a vaga aberta no STF com a morte de Teori Zavascki em 2017. Martins foi mencionado na delação de Léo Pinheiro, e Dallagnol voltou a procurar o assessor de Rodrigo Janot para que o procurador-geral alertasse o então presidente Michel Temer sobre o fato. “É importante o PGR levar ao Temer a questão do Humberto Martins, que é mencionado na OAS como recebendo propina…”, disse Dallagnol ao colega. “Deixa com ‘nós'”, respondeu Pelella.
À Folha, Martins disse nesta quinta-feira que os procuradores "passaram de todos os limites" e que ele sempre julgou contra os interesses da OAS no STJ. "O objetivo deles era me tirar [da disputa pela vaga no Supremo]. Mas quem sou eu para ir para o STF? Um simples mortal. Nunca disputei, nunca pedi, nunca quis isso", afirmou.
Em nota, a força-tarefa da Lava Jato afirma que Dallagnol "nunca solicitou à Receita Federal que investigasse ministros do Supremo Tribunal Federal ou familiares e tampouco orientou os trabalhos do órgão, sequer tendo conhecimento de quem são os auditores responsáveis por eventual ação". Os investigadores salientam que suas ações restringiram-se ao escopo de sua competência, ou seja, a primeira instância do Judiciário. "As informações sobre detentores de foro privilegiado que chegaram ao grupo sempre foram repassadas à Procuradoria-Geral da República, como determina a lei. Algumas dessas informações chegaram à força-tarefa porque ela desempenha o papel de auxiliar da PGR na elaboração de acordos, mas nunca por causa de investigações", acrescenta a nota.

Fonte: El País

62,8% são contra Eduardo Bolsonaro na embaixada nos EUA e 81,8% se opõem a garimpo em área indígena





“Vou nomear, sim. E quem disser que não vai mais votar em mim, lamento”, repetiu Jair Bolsonaro no mês passado, em uma das inúmeras vezes em que teve de defender sua decisão de indicar o filho Eduardo, de 35 anos, para posto de embaixador nos Estados Unidos. A resistência ao desejo do mandatário, que aparecia em comentários nas redes sociais e nas declarações até de aliados, agora tem uma cifra: 62,8% dos brasileiros, segundo uma pesquisa inédita da consultoria Atlas Político, se opõem a que Eduardo deixe seu mandato de deputado para assumir um dos cargos mais nobres da diplomacia brasileira —o que para ser tornar efetivo ainda depende da aprovação do Senado. Outros 29,1% se dizem favoráveis e 8,1% não quiseram ou não souberam responder.

O levantamento, com 2.000 entrevistados recrutados pela Internet e com dois pontos percentuais de margem de erro, foi feito entre o último domingo e segunda-feira, 28 e 29 de julho, e registra uma oposição da opinião pública ainda maior quando o tema é exploração de reservas indígenas e ambientais na Amazônia, outro tema caro ao presidente. Na pesquisa, nada menos que 81,8% de dizem contra a extração de madeira e minério nas áreas protegidas da floresta, contra apenas 12,9% que se dizem a favor

A pesquisa também mostra estabilidade para a aprovação de Jair Bolsonaro, que acaba de completar 200 dias na presidência. Sua aprovação está em 31%, em comparação aos 30,4% medidos pelo Atlas Político em junho. Já a desaprovação teve um pequeno repique, passando de 37,4% em junho para 39,3% agora. Pela primeira vez, há empate técnico entre quem tem imagem negativa de Bolsonaro (46,8%) e positiva (46,2%).]
"Uma boa porção de pessoas, mesmo entre os que têm imagem positiva de Bolsonaro ou são de sua base fiel, começa a discordar do presidente em assuntos pontuais, como no caso da Amazônia", diz Andrei Roman, do Atlas Político. Para o cientista político, ainda é cedo para saber se essas questões, como meio ambiente ou a escolha do filho para embaixada, tem potencial para minar seu apoio de forma mais significativa no médio prazo.


Mensagens publicadas pelo 'The Intercept' e outros veículos

Como em junho, o Atlas Político também perguntou se os entrevistados tomaram conhecimento das publicações do The Intercept com mensagens entre os procuradores da Operação Lava Jato e o então juiz Sergio Moro: 78,6% disseram saber sobre o tema. O ministro da Justiça, aliás, segue como o político mais popular do país (com 51,1% de imagem positiva), ainda que a imagem negativa tenha tido leve alta (40,8%). Há um empate entre os que consideram que Moro cometeu abusos no caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (44,4%), condenado por ele, e os que não creem nisso (43,8%). A maioria (55,3%), no entanto, considera que é "incorreto" que um juiz converse de forma privada com uma das partes do processo, como aparece nas mensagens.
Para 45,6%, os jornalistas que divulgaram as mensagens não devem ter nenhum tipo de punição.   Ante as insinuações e ameaças do presidente Jair Bolsonaro contra o jornalista Glenn Greenwald, fundador do The Intercept, 47,8% são contra a deportação do jornalista, contra 27,9% que são a favor.






7/15/2019

Acusados de assassinar jovem de 26 anos a facadas são presos em Parnaíba




 Foto: Arquivo Pessoal
Duas mulheres e um homem foram presos no início da manhã desta segunda-feira (15), acusados de assassinar uma jovem identificada como Gilmara Veras de Araújo, de 26 anos, na localidade Lagoa do Portinho, zona rural de Parnaíba.
De acordo com a soldado Rafaelle, do 2º Batalhão da Polícia Militar do Piauí, as três pessoas foram capturadas em uma residência situada na Rua Guarani Ferreira Linhares, no bairro Vicente de Paula. As mulheres permaneceram na casa, porém o homem tentou fugir.  
“Os três foram localizados na mesma casa. As duas mulheres ficaram na residência e o rapaz tentou fugir, mas a viatura conseguiu capturar. Eles estão, nesse momento, na Central de Flagrantes de Parnaíba”, relatou.
Entenda o caso
Uma jovem identificada como Gilmara Veras de Araújo, de 26 anos, foi assassinada a facadas na noite deste domingo (14), na localidade Lagoa do Portinho, zona rural de Parnaíba. Uma guarnição da PM foi acionada por volta de 19h20 e, ao chegar no local, encontrou o corpo da vítima cheio de perfurações de faca. O Samu chegou a ser acionado, mas Gilmara veio a óbito antes de ser socorrida. 

* Com informações do Gp1


PSB abre processo contra deputados que votaram a favor da reforma da Previdência

 Foto:Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O conselho de ética do PSB decidiu na manhã desta segunda-feira (15) abrir processo sobre deputados que votaram a favor da reforma da Previdência.
O presidente do conselho de ética, Alexandre Navarro, disse que a decisão final sobre o caso será do diretório da legenda, provavelmente, na segunda quinzena de agosto.
Na votação da proposta na semana passada na Câmara, 11 dos 32 deputados da bancada apoiaram o projeto, contrariando a orientação do partido, que havia fechado questão contra o texto.
Veja quem são os deputados do PSB que apoiaram a reforma:
Emidinho Madeira(MG)
Felipe Carreras (PE)
Felipe Rigoni (ES)
Jefferson Campos (SP)
Liziane Bayer (RS)
Luiz Flávio Gomes (SP)
Rodrigo Agostinho(SP)
Rodrigo Coelho (SC)
Rosana Valle (SP)
Ted Conti (ES)
Átila Lira (PI)

Código de ética

Segundo o código de ética da sigla, é vedado aos deputados descumprir as resoluções dos órgãos da legenda.
O conselho de ética do PSB é composto de três membros titulares e três membros suplentes. Cabe ao órgão opinar em todas as representações relativas à infidelidade partidária, quebra de princípios e deveres éticos e à violação do estatuto do partido.
O presidente do colegiado é o filiado Alexandre Navarro Garcia. Os outros dois titulares são Rafael de Alencar Araripe Carneiro e Tadeu Sávio Souza de Lira.
Processo
Com a abertura do processo, cada um dos parlamentares será chamado a se manifestar. Ao final da apuração, o conselho pode recomendar uma punição aos dissidentes. A decisão final caberá ao diretório nacional do PSB.
O código de ética do partido estabelece que o filiado que descumprirem as decisões tomadas democraticamente nos congressos do partido estará sujeito a medidas disciplinares que vão de advertência, censura pública, suspensão por doze meses, cancelamento da filiação até a expulsão do partido.

Divergências internas

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) também teve divergências internas com os parlamentares. Dos 27 deputados, 8 contrariaram as orientações do partido e votaram a favor da reforma.
São eles: Alex Santana (BA), Flávio Nogueira (PI), Gil Cutrim (MA), Jesus Sérgio (AC), Marlon Santos (RS), Silvia Cristina (RO), Subtenente Gonzaga (MG) e Tabata Amaral (SP).
Na próxima quarta-feira (17), o Conselho de Ética do PDT deve se reunir pela manhã para decidir se instala um processo para punir deputados que votaram a favor da reforma da Previdência.

* Com informações do G1


7/01/2019

Margarete quer incluir Esperança Garcia no Livro dos Heróis da Pátria



Foto: Assessoria Parlamentar
A deputada federal Margarete Coelho (PP-PI) apresentou um projeto de lei (PL 3772/2019) na Câmara dos Deputados propondo a inserção da piauiense Esperança Garcia no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Garcia foi uma escrava que viveu no Piauí reconhecida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como a primeira advogada piauiense.
Margarete Coelho ressalta, na proposição, que a escravidão balizou as relações humanas, sociais, políticas, econômicas e culturais do país ao longo de quase quatro séculos. “Essa situação foi uma das mais nefastas características da formação histórica brasileira. Os ecos desse passado de inaceitável injustiça repercutem, ainda hoje, na sociedade”, lamentou a deputada.
Ao justificar a inclusão de Esperança Garcia no rol dos heróis nacionais, Margarete destaca outras mulheres negras que foram heroínas, citando Maria Felipa, Dandara dos Palmares e Luiza Mahin. Incluir Esperança nessa lista “reafirma a identidade negra e feminina e oferece o justo reconhecimento de seu papel histórico no país”.
Esperança Garcia peticionou ao governador da época denúncias de maus-tratos a si, suas companheiras e seus filhos, além de informar sua separação do marido e o impedimento de batizar os filhos.

Na petição, escrita em 6 de setembro de 1770, Esperança Graça distingue-se por sua resistência, através da luta pelo direito e por sua atuação como membro da comunidade política que a escravizava.

 A Petição ao governador da Província de Nazaré do Piauí, escrita por Esperança Garcia:
A Petição ao governador da Província de Nazaré do Piauí, escrita por Esperança Garcia:
"Eu sou uma escrava de V.S.a administração de Capitão Antonio Vieira de Couto, casada. Desde que o Capitão lá foi administrar, que me tirou da Fazenda dos Algodões, aonde vivia com meu marido, para ser cozinheira de sua casa, onde nela passo tão mal. A primeira é que há grandes trovoadas de pancadas em um filho nem, sendo uma criança que lhe fez extrair sangue pela boca; em mim não poço explicar que sou um colchão de pancadas, tanto que caí uma vez do sobrado abaixo, peada, por misericórdia de Deus escapei. A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confessar a três anos. E uma criança minha e duas mais por batizar. Pelo que peço a V.S. pelo amor de Deus e do seu valimento, ponha aos olhos em mim, ordenando ao Procurador que mande para a fazenda aonde ele me tirou para eu viver com meu marido e batizar minha filha.
De V. Sa. sua escrava, Esperança Garcia.”
A escrita foi usada pela advogada como forma de denunciar inspetores das fazendas brasileiras que obrigavam os escravos a agir de acordo com as regras prescritas pelos colonizadores, mantendo a fé cristã e seguindo os preceitos do catolicismo. “Desta forma, a habilidade de usar o letramento como potencial reivindicatório evidenciou Esperança Garcia como símbolo de resistência ao regime escravocrata brasileiro”, conclui a deputada.
A professora-doutora de Direito da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Sueli Rodrigues, comprovou com estudos o diferencial de atuação da escrava, uma mulher à frente de seu tempo. A professora e advogada foi presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra na OAB-Piauí, de 2016 a 2018, e organizou o grupo de pesquisa que culminou com a instituição do reconhecimento concedido à Esperança Garcia. Os descendentes da escrava deram origem à cidade de Floriano, a 244 km da capita.


*Com informações da Assessoria Parlamentar


Bandeira amarela: luz mais cara para partir desta segunda


Foto: iStockphoto/Getty Images
A conta de luz está mais cara a partir desta segunda-feira (1º), por causa da bandeira tarifária utilizada como referência nas contas deste mês ser a amarela. Com a medida, as cobranças terão um acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatts-hora consumidos, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em comunicado divulgado na última sexta-feira (28).
O adicional retorna às contas após a autoridade reguladora ter definido bandeira verde em junho, situação em que não é cobrado acréscimo nas contas. No comunicado, a Aneel justificou a bandeira amarela pelo fato de julho ser um mês “típico da seca nas principais bacias hidrográficas do país”.
“A previsão hidrológica para o mês sinaliza vazões abaixo da média histórica e tendência de redução dos níveis dos principais reservatórios. Esse cenário requer o aumento da geração termelétrica, o que influenciou o aumento do preço da energia (PLD) e dos custos relacionados ao risco hidrológico (GSF) em patamares condizentes com o da Bandeira Amarela”, justificou a agência.
O sistema de bandeiras tarifárias foi criado, de acordo com a Aneel, para sinalizar aos consumidores os custos reais da geração de energia elétrica. O funcionamento das bandeiras tarifárias tem três cores, a verde, a amarela e a vermelha (nos patamares 1 e 2), que indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração.
O cálculo para acionamento das bandeiras tarifárias leva em conta, principalmente, dois fatores: o risco hidrológico e o preço da energia. Os recursos pagos pelos consumidores vão para uma conta específica e depois são repassados às distribuidoras de energia para compensar o custo extra da produção de energia em períodos de seca.

* Com informações da Agência Brasil

Governo começa a implementar ponto eletrônico para servidores públicos




Registro eletrônico não será obrigatório para 146 mil professores das universidade Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo/19-07-2016
BRASÍLIA — O Ministério da Economia informou, nesta segunda-feira, que irá implementar nos próximos 12 meses um sistema de ponto eletrônico para 410 mil servidores públicos federais. Atualmente, o controle é feito com registro em papel. A medida começou a ser aplicada para os funcionários da  Advocacia-Geral da União (AGU), da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e da Universidade Federal de Tocantins.
O sistema de ponto eletrônico, segundo o governo, também irá permitir a adoção do banco de horas para compensar a jornada extra. A adoção do banco de horas será feita pelos dirigentes dos órgãos e entidades, caso seja do interesse da administração.
As horas extras deverão ser autorizadas pela chefia e computadas como crédito. A medida não prevê pagamento pelas horas extras.
O registro eletrônico não será obrigatório para 146 mil professores das universidades públicas federais e servidores com funções comissionadas de nível 4 ou superior. Esses servidores comissionados são, por exemplo, secretários dos ministérios.
“Esse projeto visa substituir o registro manual pelo eletrônico, dentro das metas do Ministério da Economia de modernizar a administração pública a partir da transformação digital do governo federal”, disse, em nota, o secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal, Wagner Lenhart.
Segundo ele, haverá uma redução expressiva do número de profissionais que trabalham com gestão de pessoas e são responsáveis por esse controle.