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6/04/2019

Ex-ministros da Educação e da Justiça se unem contra planos de Bolsonaro


Não são poucas as vozes que pedem uma frente democrática suprapartidária para conter o que consideram ser ameaças à democracia promovidas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Diante da inação dos partidos e lideranças políticas, ex-ministros de vários Governos e vários espectros políticos vêm se unindo para alertar sobre o desmonte institucional e de políticas públicas em suas áreas. Nesta terça-feira foi a vez de onze encarregados da pasta de Justiça e seis da pasta de Educação. Os primeiros publicaram uma carta aberta na Folha de S. Paulo defendendo o controle de armas e munições e alertando para os "retrocessos" que o decreto assinado no dia 7 de maio, que facilita a compra e o porte nas ruas para diversas categorias, representa. Já os últimos se reuniram na Universidade de São Paulo (USP) de manhã e assinaram um comunicado no qual expressam preocupações urgentes, como a renovação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) em 2020 e a escalada retórica contra as liberdades e a autonomia universitária. Há cerca de um mês, oito ex-ministros do Meio Ambiente também se reuniram na USP para denunciar o desmonte promovido na área.
s autores da carta na Folha são Aloysio Nunes Ferreira, Eugênio Aragão, José Carlos Dias, José Eduardo Cardozo, José Gregori, Luiz Paulo Barreto, Miguel Reale Jr., Milton Seligman, Raul Jungmann, Tarso Genro e Torquato Jardim. Muitos estão vinculados a partidos adversários, como o PT e o PSDB, e formaram parte dos últimos quatro Governos: Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), Dilma Rousseff (2011-2016) e Michel Temer (2016-2018). Para que se tenha dimensão dessa união, Reale Jr. foi um dos autores do pedido de impeachment de Rousseff, que tinha Cardozo como ministro Justiça, substituído em seguida por Jungmann na gestão Temer. Apesar de suas diferenças ideológicas e atritos recentes, decidiram destacar seus pontos em comum: "Cada um de nós trabalhou para que fosse estabelecida no país uma política de regulação responsável de armas e munições", escreveram. "Independentemente dos partidos que estavam no poder e da orientação dos governos dos quais fazíamos parte, nosso compromisso sempre foi o de fortalecer avanços que consolidassem o Brasil como uma referência de regulação responsável de armas e munições para a América Latina e para o mundo", acrescentaram mais adiante.
Os ex-ministros, responsáveis pela área de Segurança Pública, explicaram que "a efetividade das políticas públicas depende de sua continuidade, monitoramento e avaliação constantes para que possamos aperfeiçoá-las e dar respostas a seus novos desafios". Eles acreditam que "o controle de armas e munições no Brasil é uma agenda central para o enfrentamento do crime organizado e para a redução dos homicídios", cujos índices continuam altíssimos mesmo com as políticas públicas vigentes —foram cerca de 64.000 em 2017. Por isso, demandam o "fortalecimento" dessas políticas postas em prática ao longo das últimas duas décadas, impedindo o que consideram ser "retrocessos".
Ao longo da campanha eleitoral de 2018, o então candidato Bolsonaro prometeu reiteradas vezes que seu Governo acabaria com o Estatuto do Desarmamento, aprovado pelo Congresso Nacional em 2003. A legislação proíbe que civis circulem com armas e munições pelas ruas e estabelece normas e restrições para a posse em casa, além de estabelecer mecanismos de controle de produção, circulação e comercialização. "De acordo com o Mapa da Violência, na década seguinte à sua aprovação, o Estatuto do Desarmamento ajudou a salvar a vida de cerca de 133.000 brasileiros", escreveram. "Apesar desses avanços, agora se articula o desmantelamento de uma lei largamente discutida, democraticamente votada e universalmente executada por diferentes governos", alertaram.
Eles terminam a carta fazendo um apelo. "Como ex-ministros e cidadãos, estamos convencidos de que ampliar o acesso às armas e o número de cidadãos armados nas ruas, propostas centrais dos decretos publicados pelo Executivo federal, não é a solução para a garantia de nossa segurança, de nosso desenvolvimento e de nossa democracia", argumentaram. "Ao invés de flexibilizar os principais pilares do controle de armas e munições de nosso país, precisamos proteger o legado das conquistas que protagonizamos e concentrar nossos esforços na função primordial do Estado: garantir o direito à vida e a segurança para todos", finalizaram.
Unidos pela Educação
Diante dos duros contingenciamentos — que podem se tornar cortes irreversíveis — na Educação e a escalada retórica contra professores e universidades, tida como uma ameaça a autonomia pedagógica e universitária, seis ex-ministros se reuniram também nesta terça para lançar um comunicado em conjunto. "O Brasil perdeu todo o século XX na educação, que o Constituinte colocou no alto das prioridades.  E os indicadores começaram a mudar para melhor. O que exige da nossa parte um compromisso com as políticas de Estado construidas nos últimos 30 anos", afirmou Fernando Haddad (PT), que dirigiu a pasta de Educação entre 2005 e 2012 durante os Governos Lula e Dilma Rousseff.
Além do petista, adversário de Bolsonaro nas últimas eleições, estiveram presentes José Goldemberg (Governo Fernando Collor), Murílio Hingel (Governo Itamar Franco), Cristovam Buarque (Governo Lula), Aloizio Mercadante e Renato Janine Ribeiro (os dois últimos do Governo Dilma). O ministro Paulo Renato Souza (PSDB), que ocupou o ministério durante o Governo FHC, morreu em 2011, mas a frente de ex-ministros contou com a colaboração de auxiliares do tucano na elaboração do comunicado. José Mendonça Bezerra Filho (DEM), que foi ministro do Governo Temer, declinou o convite, enquanto que Rossieli Soares, seu sucessor na pasta ainda na gestão do emedebista, não foi chamado por ocupar a secretaria de Educação do governo paulista de João Doria —o que poderia comprometer suas relações com o Ministério da Educação (MEC). Outros ocupantes da pasta, como Tarso Genro e Henrique Paim, foram acionados e não puderam comparecer ou não responderam.
Assim como os ex-ministros da Justiça, destacaram seus pontos em comum. "Somos pessoas com divergências, mas construímos o consenso diante da importância da educação. Um consenso que abrange direita, esquerda, organizações, sindicatos, municípios e estados", destacou Janine Ribeiro. "Sentimos uma ameaça nessa marcha que foi feita nessas décadas, embora mais devagar do que gostaríamos, com o risco à autonomia universitária, ao risco financiamento da educação de base nos estados... O que esta acontecendo é muito pior do que imaginávamos", alertou Buarque. "Estamos tentando dar nossa contribuição para que essa marcha não seja interrompida, mas, sim, acelerada", concluiu.
Os seis ex-ministros anunciaram a criação de um Observatório da Educação brasileira para dialogar com organizações, secretários municipais e estaduais e reitores sobre os desafios e ameaças de desmonte promovidas pelo Governo Bolsonaro. Asseguram que também estão abertos ao debate com o MEC, hoje gerido por Abrahaim Wintraub. Entre suas preocupações mais urgentes, destacaram a expiração do Fundeb em 2020, um fundo nacional que financia a educação básica nos estados e municípios e ajuda a promover uma política de valorização dos professores. Criado por FHC 1996 e renovado por Lula em 2006, deverá ser renovado a partir do ano que vem. Mas até o momento o Governo Bolsonaro não deu sinais de como isso será feito. "O Fundeb é um sonho acalentado por décadas pelos educadores brasileiros, que sempre defenderam a criação de um fundo nacional que garantisse um investimento mínimo por aluno não importando seu local de nascimento", explicou Haddad. Já Mercadante defendeu que no "Plano Nacional de Educação estão as principais metas e estratégias, uma bússola que mesmo em tempestade econômica deve ser preservada".
Outra preocupação urgente diz respeito à autonomia de professores e universidades. Bolsonaro ganhou as eleições denunciando uma suposta doutrinação marxista em colégios e centros de ensino superior, além da promoção do que chama "ideologia de gênero". Sua incendiária retórica continua a mesma, e Wintraub chegou a anunciar que cortaria recursos das instituições que promovem "balbúrdia" em seu campus. Contra esses cortes e discursos, milhares de estudantes e professores ocuparam as ruas de centenas de cidades nos dias 15 e 30 de maio.
"Quando Bolsonaro disse que queria regredir em 50 anos nos costumes, de alguma forma ele responsabilizou a Educação por essa imoralidade, que nós chamamos de liberdade", explicou Janine Ribeiro. "Viver com diversidade é da natureza da universidade. Tenho a impressão que esses ataques que vêm sendo feitos são mal dirigidos. Temos experiências de professores de direito que foram braço do regime militar", argumentou por sua vez Goldemberg, que foi reitor da USP nos anos 80.
As ideias do Governo para a área estão voltadas para a regulamentação do homeschooling—ensino feito em casa pelos pais—, combate a "ideologia de gênero" e a implantação do projeto Escola Sem Partido, que promete eliminar uma suposta doutrinação dentro da sala de aula —seus críticos apontam para a perseguição de professores e alunos. "A qualidade no Ensino Fundamental sempre melhorou. E no Ensino Médio também, ainda que menos. Se tiramos o foco disso, da aprendizagem, vamos piorar de novo. A escola vai perder a centralidade no processo do ensino", destacou Haddad. Os seis ex-ministros ainda aproveitaram a ocasião para defender Paulo Freire, patrono da educação brasileira. Sua obra é reconhecida internacionalmente e estudada nas mais importantes do mundo. Contudo, virou alvo de Bolsonaro, que promete extirpar o educador das escolas. "Ele é inconveniente porque fazia a associação entre alfabetização e uma ideia de conscientização e descoberta de que todos são iguais e têm que ter oportunidades, enquanto outros sistemas podem limitar essa proposição", destacou Hingel.


5/31/2019

No Brasil, Obama pede valorização dos professores e diz que educação não é caridade




Barack Obama em evento em São Paulo. 
Em um dia marcado por protestos em defesa da educação, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que visita o Brasil, defendeu a importância do investimento na área para o desenvolvimento dos países. Em palestra em um evento sobre inovação digital em São Paulo, nesta quinta-feira, ele ressaltou que "dar educação e serviços sociais não é caridade" e, se um país não investe nas pessoas, provavelmente não será bem-sucedido.
Em sua terceira visita ao Brasil, Obama continua colecionando um número grande de fãs e é recebido como estrela. A fila para participar da palestra, que começou às 13h, dava voltas já às 9h. E os ingressos da área vipcustavam até 2.500 reais. Bastante carismático, ele começou o discurso dando boa tarde em português, reclamou do trânsito de São Paulo, contou que tinha encontrado Pelé na parte da manhã e revelou que tocava músicas de Tom Jobim para a esposa Michelle.
Diante de uma plateia de 10.000 pessoas —a maioria empresários, que ovacionaram todo o tempo o ex-presidente— , Obama disse que é necessário criar um sistema educacional que prepare crianças e jovens para o pensamento crítico. “As pessoas querem que os fatos se encaixem nas opiniões delas”, disse. “Acho que o mais valioso da educação é aprender a habilidade de analisar a realidade, mesmo quando isso é desconfortável e prova que aquilo que eu achava ser verdade está errado.”
O democrata elogiou ainda o poder que um professor tem de dar confiança a uma criança e criticou como a categoria é pouco reconhecida em alguns países. "Nos Estados Unidos, os professores também não são valorizados, em parte porque a maioria deles é mulher", disse o ex-presidente, que defendeu o modelo da Finlândia, onde a categoria é valorizada e "ganha tão bem quanto um médico". Apesar de discursar muitos minutos sobre a educação, Obama não fez nenhuma menção aos protestos desta quinta no Brasil e nem sobre o Governo de Jair Bolsonaro.
"Eu sempre falo, e nem sempre me ouvem, que os empresários deveriam ficar felizes em pagar impostos", afirmou ao defender que é essa arrecadação que permite a implementação de políticas públicas.
O ex-mandatário também defendeu uma maior inclusão de mulheres e afro brasileiros na política e na sociedade. "Se afro brasileiros não são incluídos, o país está desperdiçando talento. Se mulheres não estão incluídas, estão desperdiçando talento", afirmou. Segundo Obama, ele sempre fez questão de ter mulheres em sua equipe. "Se sua organização só tem homens brancos que parecem todos iguais, você está perdendo algo".
O ex-presidente contou que, após deixar a Casa Branca, decidiu focar seu trabalho em preparar novos líderes pelo mundo. “Avaliei que meu maior impacto seria o de inspirar outras pessoas a se envolverem e a encorajar as pessoas para que se engajem a fazer a diferença”, diz.
Dinheiro não traz felicidade
O americano confessou que, apesar de atualmente ter muito mais dinheiro do que ao longo de grande parte da sua vida, sua felicidade não está relacionada a esse tipo de riqueza. Obama criticou ainda que a acumulação de dinheiro e de bens seja hoje a medida para avaliar o sucesso de uma pessoa. “Nós ensinamos a nós mesmos que a nossa medida de sucesso é esta: quanto mais nós temos e quando mais nos apegamos a isso, melhor devemos ser. Mais alto é o nosso status”, disse. Para ele, essa forma de raciocínio pode explicar um pouco porque no Brasil, nos EUA e em muitas partes do mundo temos dificuldade em criar sociedades mais justas.
Ao fazer uma análise dos seus oito anos na Casa Branca, Obama celebrou o fato de não ter se envolvido em nenhum escândalo. "Ninguém foi preso. Erramos, não fomos perfeitos. Mas mantivemos a integridade. E fomos capazes de mostrar que é possível alcançar um grande poder sem corrupção". Ele também fez questão de mencionar o esforço de seu Governo nas negociações que deram início ao Acordo de Paris, embora seu país, agora sob comando de Donald Trump, não estivesse mais nele.
Obama foi fortemente aplaudido ao criticar as leis referentes à venda de armas nos Estados Unidos e lamentar não ter tido o poder de alterá-las. "Um dos dias mais difíceis no meu Governo foi quando houve um tiroteio em uma escola e eu não pude prometer aos pais que perderam seus filhos que eu mudaria as leis para que aquilo não acontecesse com outras crianças", disse. Para o ex-presidente, "as leis sobre armas nos EUA não fazem muito sentido".
O ex-mandatário encerrou sua fala pedindo que os brasileiros mantivessem o seu otimismo.  Apesar de considerar que muitas coisas não andam bem, Obama afirmou que o mundo nunca viveu tamanho progresso com elevado padrão de vida.
Fonte: El País


3/06/2019

Izalci: Educação precisa de mais recursos e menos discursos




Não se faz educação com discursos, mas com recursos, avaliou o senador Izalci Lucas (PSDB/DF), em audiência pública com o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, realizada nesta terça-feira (26) na Comissão de Educação de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado. Para Izalci, a educação brasileira está no fundo do poço.

Durante o encontro, o ministro Vélez Rodrigues  falou sobre as diretrizes e os programas prioritários do ministério para os próximos dois anos. Foram discutidos na reunião o Plano Nacional de Educação (PNE) que estabelece metas para melhorar a qualidade de ensino no país e a educação integral, além das mudanças que deverão ser realizadas na distribuição do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Entre outros pontos, Vélez Rodriguez falou sobre alterações que serão feitas nos projetos pedagógicos das escolas de ensino médio e fundamental e sobre a adoção de uma política nacional de alfabetização, para melhorar a capacidade de compreensão e de leitura dos alunos. O ministro ainda defendeu a valorização dos professores por meio de uma parceria com a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) no aperfeiçoamento dos docentes.
Sobre a valorização dos docentes,  Izalci destacou que é preciso investir mais em educação e expôs os problemas enfrentados pelos bolsistas da pós-graduação da Capes e pelos docentes da Unb que lhe foram trazidos por representantes das duas instituições.
“Estive com o Secretário Executivo do MEC semana passada para tratar desses dois casos. Um deles é sobre o fato de que a UnB pagou durante 30 anos um adicional para os professores e agora a Justiça decidiu pelo corte de 26% dos salários. O outro é a questão do reajuste para os bolsistas de pós-graduação da CAPES que não recebem correção nas bolsas há seis anos”, relatou ao pedir ao ministro que olhe com carinho as questões sugeridas.
O senador mencionou temas que considera carentes de atenção, como a questão das creches, da formação dos professores e o incentivo, porque assim, esses profissionais poderão continuar trabalhando. Ele afirmou que é preciso acabar com o abandono da educação.
Além disso, Izalci também levantou a necessidade da criação de uma subcomissão para debater o plano nacional de educação e informou que vai apresentar requerimentos para a realização de audiências públicas para tratar dos temas mais urgentes de forma separada.
“Teremos dois anos para debater com profundidade os temas. Desejo sucesso nessa caminhada, estamos todos do mesmo lado, a educação é suprapartidária”, concluiu o senador.
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3/04/2019

Presidente Bolsonaro anuncia Operação Lava Jato da Educação


Nesta segunda-feira (04), o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em postagem no seu perfil no Twitter, que há “fortes indícios” de que recursos públicos destinados à educação foram utilizados de forma indevida.
Na postagem, Bolsonaro ainda relatou que sua equipe anunciará medidas para solucionar o problema nos próximos dias.
“O Brasil gasta mais em educação em relação ao PIB [Produto Interno Bruto] do que a média de países desenvolvidos. Em 2003, o MEC [Ministério da Educação] gastava cerca de R$ 30 bilhões em educação e em 2016, gastando quatro vezes mais, chegando a cerca de R$ 130 bilhões, ocupa as últimas posições no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa)”, comentou Bolsonaro.
Há quase um mês, o governo anunciou o início da operação Lava Jato da Educação para investigar possíveis desvios como favorecimentos indevidos no Programa Universidade para Todos (ProUni), desvios no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), envolvendo o sistema S, concessão ilegal de bolsas de ensino a distância e irregularidades em universidades federais.
“Há algo de muito errado acontecendo: as prioridades a serem ensinadas e os recursos aplicados. Para investigar isso, o Ministério da Educação junto com o Ministério da Justiça, Polícia Federal, Advocacia e Controladoria Geral da União, criaram a Lava Jato da Educação”, afirmou o presidente.
Na primeira quinzena de fevereiro, o Ministério da Educação firmou acordo com o Ministério da Justiça para investigar estes indícios de corrupção e desvios na pasta e suas autarquias nas gestões anteriores. Bolsonaro acrescentou que a Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) também farão parte da iniciativa.
Fonte: Viagora

2/27/2019

Servidores estaduais da educação se voltam contra o governo de Wellington Dias



Servidores tentam convencer deputados a votar contra o projeto do governo -  Foto: Reprodução 


Nesta terça-feira (26), trabalhadores da educação do SINTE-PI estão mobilizados no pátio da Assembleia Legislativa reivindicando uma posição contrária dos deputados ao projeto de lei, incluso na mensagem nº 06, enviado pelo Governo do Estado para a ALEPI. A medida suspende as promoções e veda o reajuste de todos os servidores, inclusive os profissionais da educação.
Uma comissão está visitando os gabinetes dos deputados e tentando evidenciar o prejuízo do documento para os servidores públicos. Entre os representantes, o professor Fábio Matos, diretor de assuntos educacionais, explica o objetivo da atividade.  “A medida é danosa para o Estado do Piauí, é danosa para os servidores. Estamos pedindo que os deputados não aprovem a lei complementar”, afirma o professor.
Fábio Matos lembra ainda que por ser uma lei federal, LRF 11.738, garante o aumento salarial independente da Lei de responsabilidade fiscal. O artigo 22 garante que o reajuste pode ser pagamento por meio de sentenças judiciais ou previstas em leis.  A mobilização é uma das atividades da campanha salarial de 2019. Nesta quarta-feira (27), a diretoria do SINTE-PI estará presente em uma audiência com o Governo do Estado e com a CCJ para tratar sobre o reajuste e a lei complementar, respectivamente.


Fonte: Carta Piauí

2/26/2019

Ministro diz que errou ao pedir filmagem de crianças cantando hino




ministro da Educação Ricardo Vélez
O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, admitiu nesta terça-feira (26) que errou ao pedir que escolas filmem alunos cantando o Hino Nacional sem autorização e também decidiu retirar o slogan eleitoral de Jair Bolsonaro da carta enviada às escolas. Ao chegar ao Senado para uma audiência na Comissão de Educação, o ministro reconheceu o erro.
Na segunda-feira (25), uma mensagem dele enviada a escolas públicas e particulares de todo o país acabou gerando muitas críticas.
No documento, Vélez Rodríguez pedia que fosse lida uma carta aos alunos com slogan da campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo; Deus acima de todos”; que as crianças ficassem perfiladas diante da bandeira do Brasil para o Hino Nacional e depois filmadas.
Nesta terça-feira (26), o ministro disse que qualquer publicação terá autorização prévia:
“Slogan de campanha foi um erro, já tirei, reconheci, foi um engano. Quanto à filmagem, só será divulgada com autorização da família”, disse ele.
As mudanças foram feitas depois das críticas de educadores e instituições de ensino. Mas o novo comunicado que ainda será enviado às escolas mantém o pedido de filmagem das crianças cantando o Hino Nacional. A diferença é que a mensagem agora deixa clara a necessidade de autorização dos pais: “A gravação deve ser precedida de autorização legal da pessoa filmada ou de seu responsável”.
O ministério pede que os vídeos sejam enviados para o MEC e para a Secretaria de Comunicação da Presidência da República para “eventual uso institucional”. O ministério não deu mais detalhes.
Senadores questionaram o ministro. A líder do Progressistas, Daniella Ribeiro, comentou as mudanças na carta.
“O senhor reconheceu aqui, agora, pediu desculpas e disse que retirou, já foi retirado o slogan, mas fica aqui também o pedido para que haja, não há nada demais em ninguém tomar uma atitude e reconhecer que ela não é, não é correta e retirar”.
Na audiência, Ricardo Vélez Rodriguez falou de outros temas. O ministro defendeu a presença de policiais militares em escolas. Disse que inibe tráfico de drogas criando ambiente mais seguro e afirmou que não se trata de militarismo.
“Não é o militarismo, não é a violência, não. É o amor pelo brasil. Moramos num país fantástico, com muitas riquezas, muitas possibilidades. O renascimento desse espírito cívico renasce num ambiente pacificado, onde a violência não dita a regra e onde o interesse pelo estudo começa a crescer”, afirmou.
O ministro reforçou que é favorável ao sistema de cotas para compensar a qualidade do ensino básico e fundamental. Disse que o orçamento das universidades públicas é preocupante diante da crise na economia e defendeu aumento do número de alunos por sala de aula.
“Devemos encontrar uma forma de melhor gerir o nosso patrimônio público que não é privatizável que deve continuar patrimônio público. De que forma? A primeira: otimizando o rendimento das universidades públicas da sua região. A relação professor-aluno nas públicas ainda é folgada no Brasil: é de 1 para 11 ou 1 para 7. Quando no setor privado está 1 para 20. E quando em países, por exemplo, como os Estados Unidos, França ou Alemanha, é de 1 para 50 ou 1 para 60”.


Fonte: Jornal Nacional

2/25/2019

MEC pede que alunos cantem o Hino Nacional nas escolas do país


Por: Jornal Nacional
MEC pede que alunos cantem o Hino Nacional nas escolas do país


Uma publicação do Ministério da Educação pediu que escolas do país inteiro, públicas e privadas, filmem os alunos cantando o Hino Nacional e que leiam para eles uma carta com slogan da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro.
A carta assinada pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, chegou por e-mail a escolas de todo o país. A informação foi publicada no site do jornal “O Estado de S.Paulo” e confirmada pelo Jornal Nacional.
O ministro pede que a mensagem seja lida no primeiro dia de aula para todas as crianças. Diz assim: “Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de você, alunos, que constituem a nova geração”.
E repete o lema da campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”.
Segundo o próprio MEC, “no e-mail em que a carta foi enviada, pede-se ainda que, após a sua leitura, professores, alunos e demais funcionários da escola fiquem perfilados diante da bandeira do Brasil, se houver na unidade de ensino, e que seja executado o Hino Nacional”.
E que “para os diretores que desejarem atender voluntariamente o pedido do ministro, um representante da escola filme (com aparelho celular) trechos curtos da leitura da carta e da execução do hino. E que, em seguida, os vídeos sejam encaminhados por e-mail ao MEC e à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República”.
O MEC disse que “a atividade faz parte da política de incentivo à valorização dos símbolos nacionais”.
Mas a mensagem causou indignação em educadores. Uma das principais críticas é o pedido para filmar as crianças em ambiente escolar sem explicar o que será feito das filmagens e sem a autorização dos pais.
O diretor de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, criticou a iniciativa.
“Qualquer filmagem que lance mão de cenas de alunos, estudantes, obrigatoriamente precisam de autorização prévia por parte dos pais, inclusive quando se trata de menores de idade. É de fato um pedido que o Ministério da Educação faz que, de novo, não tem precedentes no passado recente do Brasil e que traz consigo uma série de questionamentos a respeito da sua legalidade e, mais do que isso, da sua pertinência, enquanto, de novo, aquilo que deve ser foco de atuação do Ministério da Educação num contexto de país onde o cenário da educação básica é extremamente grave”.
Em outra polêmica, no início de fevereiro, Vélez Rodriguez afirmou em entrevista que "o brasileiro viajando é um canibal; rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”.
Na época, a assessoria do ministro afirmou que ele estava se referindo a casos específicos de determinados jovens e não quis generalizar.
Ele também repetiu que a universidade não é para todos, que ela "representa uma elite intelectual para a qual nem todo mundo está preparado ou para a qual nem todo mundo tem disposição ou capacidade".
A assessoria explicou que, para o ministro, "o ensino superior está aberto a todos os estudantes que quiserem ingressar por livre escolha e não por imposição do mercado".
No fim do dia, o Ministério da Educação modificou a publicação. Acrescentou que fará uma seleção das imagens enviadas e que, antes de qualquer divulgação, o ministério vai solicitar autorização legal da pessoa filmada ou de seu responsável.


2/06/2019

Ministro da Educação causa polêmica com declarações



EduardoAnizelli/ Folha Press

Declarações recentes do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, têm causado polêmica. Entre outros assuntos, ele disse que a universidade não é para todos.
O ministro da Educação defendeu incluir a disciplina educação moral e cívica no currículo do ensino fundamental para os estudantes aprenderem o que é ser brasileiro e quais são os nossos heróis. Ele falou para a revista ‘Veja’. A entrevista saiu na edição desta semana.
Vélez Rodríguez disse que a volta de educação moral e cívica nas escolas é uma forma de ensinar o adolescente que viaja que existem contextos sociais diferentes e que as leis dos outros países devem ser respeitadas. Afirmou que o brasileiro viajando é um canibal:
“Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”, disse o ministro.
Na noite da segunda-feira (4), o ministro voltou a defender o ensino de moral e cívica em um vídeo na página do MEC.
“Eu vou dar muita ênfase a isso: a retomada desse processo de ensino de valores fundamentais, fundantes da nossa vida cidadã, tanto no ensino infantil como no ensino fundamental, ao longo de todo o ensino fundamental e por que não, continuando no nível universitário”?
O senador Major Olímpio, do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, apoia a proposta do ministro.
“Isso vai valorizar, vai ampliar a formação e a visão do cidadão brasileiro a partir da escola. Coisas mínimas que hoje se observa que as pessoas não sabem mais cantar o Hino Nacional, não conhecem o símbolo pátrios, então, isso é importante, não conhecem minimamente a estrutura de funcionamento do estado brasileiro”, disse.
Ainda na entrevista à “Veja”, Ricardo Vélez Rodríguez criticou a atriz e cineasta Carla Camuratti porque, segundo ele, colocou Dom Joãozinho - referindo ao príncipe regente Dom João VI, que chegou ao Brasil com a Família Real em 1808 - como um reles comedor de frango, sem nenhuma serventia, O ministro se referia ao filme “Carlota Joaquina”, que, na verdade, não é um documentário, mas uma paródia de um momento histórico. Carla Camuratti preferiu não comentar a crítica do ministro.
Na entrevista ele também repetiu que a universidade não é para todos, que ela representa uma elite intelectual, para a qual nem todo mundo está preparado ou para a qual nem todo mundo tem disposição ou capacidade.
Velez Rodríguez elogiou o programa Escola sem Partido e fez críticas ao que chama de ideologização precoce de crianças na escola. Ele afirmou que a escola não serve para fazer política, que “a ideologização nas escolas é um abuso, um atentado ao pátrio poder e uma invasão da militância em um aspecto que não lhe compete”. E ameaçou: “Quem praticar isso ostensivamente vai responder à legislação que existe neste país”.
Sobre a liberdade de ensino, disse que “liberdade não é fazer o que você deseja. Liberdade é agir, fazer escolhas dentro dos limites da lei e da moralidade. Fazer o que dá vontade não é ser livre. Isso é libertinagem. No Brasil, por força de ciclos autoritários, temos uma visão enviesada da liberdade. Liberdade não é o que pregava Cazuza, que dizia que liberdade é passar a mão no guarda. Não! Isso é desrespeito à autoridade, vai para o xilindró”.
A mãe de Cazuza, Lucinha Araújo, afirmou que o filho nunca disse isso e esclareceu que a frase é de autoria dos humoristas do Casseta e Planeta. Em uma carta aberta, Lucinha cobrou uma retratação. Nesta terça-feira (5) Vélez Rodríguez ligou para ela para pedir desculpas.
“Eu achei que ele, além de ser mal informado, foi leviano de dar uma declaração dessas. ‘Como é que o senhor pôs na boca do meu filho’. Ele disse: ‘Ah, senhora, mil perdões. Eu não sei como eu vou me desculpar’. Eu falei: ‘Quero que o senhor se desculpe publicamente’”.
No fim da tarde, o ministro da Educação se desculpou numa rede social. Disse que a conversa foi tocante e que combinou uma visita a ela quando for ao Rio. E finalizou: “O amor do coração de uma mãe por seu filho é algo valoroso”.
A presidente do movimento Todos pela Educação, Priscila Fonseca da Cruz, também criticou declarações do ministro e disse que o país precisa identificar e enfrentar os problemas reais da educação.
“O problema central da educação brasileira é que a gente não tem conseguido garantir aprendizagem dos nossos alunos, esse é o principal desafio. E como que a gente resolve esse desafio? Com formação de professores, escolas bem geridas, com tempo integral, com material didático de qualidade, com uma boa base nacional curricular. É assim que se resolve”, disse.
As declarações do ministro da Educação provocaram reações no Congresso. Na Câmara e no Senado já estão prontos pedidos para que Ricardo Vélez Rodríguez explique as declarações consideradas desrespeitosas, preconceituosas e que atacam direitos garantidos na Constituição.
No Senado, o líder da Rede, Randolfe Rodrigues, contestou o ministro e disse que a educação é direito de todos.
“Não se pode, a despeito de querer banir uma pretensa ideologização, tentar impor uma outra ideologia nas escolas. Na verdade, o que ele argumenta fere um princípio constitucional, que é o princípio
da liberdade de cátedra, e do pluralismo de ideias pelo qual está assentada a nossa educação. Está na nossa Constituição. Educação é dever de todos. É direito de todos e é dever do estado. Ele, ao se referir a universidade só para alguns, desconhece um princípio constitucional elementar”.
O deputado Alessandro Molon, do PSB, quer que o ministro vá ao plenário da Câmara dar explicações.
“Ele atacou de forma inaceitável a honra dos brasileiros chamando a todos de ladrões. E nós não aceitamos isso. Ele tem que vir à Câmara se explicar e pedir desculpas aqui ao povo brasileiro”.
A assessoria de Vélez Rodríguez divulgou uma nota em que declara que, ao falar sobre as universidades, o ministro queria dar ênfase à valorização do ensino básico e técnico e que, para ele, o ensino superior está aberto a todos os estudantes que quiserem ingressar por livre escolha, e não por imposição do mercado.
Sobre a declaração de que o brasileiro viajando é um canibal, a assessoria do ministro afirmou que ele estava se referindo a casos específicos de determinados jovens e não quis generalizar.



Fonte: Jornal Nacional

11/16/2018

Estação Cocal

Colégio da Polícia Militar abre 175 vagas para Ensino Médio

As inscrições para o teste seletivo começam dia 19 de novembro

Karol Gomes



O Colégio da Polícia Militar do Piauí divulgou edital que oferta 175 vagas para alunos do 1º ano do Ensino Médio em Tempo Integral para o ano letivo de 2019. Conforme o edital, as vagas serão preenchidas pelos candidatos classificados que obtiverem a maior pontuação no teste seletivo que está previsto para acontecer no dia 2 de dezembro deste ano.

O concurso terá quatro fases: 1ª Fase –Inscrição on-line 2ª Fase – Teste Classificatório 3ª Fase – Divulgação da Classificação dos Candidatos 4ª Fase – Matrícula.
As inscrições para participar do teste serão feitas no período de 19 a 23 de novembro no Centro Estadual de Tempo Integral Governador Mendes Arcoverde, mais conhecido como Colégio da Polícia Militar, que fica localizado na Rua Waldemar Martins; nº3360; Morada do Sol.
 (Crédito: Divulgação)
(Crédito: Divulgação)

O horário de atendimento é das 8h às 11h30 e das 13h30 às 16h. Vale ressaltar que a inscrição on-line não assegura a matrícula e é necessário a presença do pai ou responsável no ato da inscrição on-line presencial.
O local de prova do teste seletivo será divulgado no dia 28 de novembro a partir das 12:00h na própria Escola e nos sites: ( www.pm.pi.gov.br ) ( www.seduc.pi.gov.br) , onde os interessados deverão tomar conhecimento. A prova será composta por 10 questões de Matemática e 20 de Língua Portuguesa.

Meio Norte

5/10/2017

Estação Cocal

No Piauí, apenas 38,8% dos homens acima de 18 anos têm ensino fundamental completo

Relatório do Ipea, FJP e Pnud analisa a influência de etnia, gênero e situação de domicílio no IDHM do país. Estudo mostrou evolução no índice da popualção negra.

Segundo o documento “Desenvolvimento Humano para Além das Médias”, 36,8% dos homens do Piauí acima de 18 anos de idade tinham o ensino fundamental completo em 2010. A mesma pesquisa mostra que esse índice era um pouco melhor entre as mulheres, com 46,5%. Os dados foram tabulados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão da ONU, em parceria com a Fundação João Pinheiro e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e foram divulgados nesta quarta-feira (10).
O estudo analisa o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e outros 170 dados socioeconômicos por cor, sexo e situação de domicílio dos anos censitários de 2000 e 2010 para mostrar como a vida dos brasileiros mudou ao longo da década.
Sobre o Piauí, a pesquisa mostrou que houve redução das desigualdades sociais relacionadas a etnia, gênero e situação de domicílio (urbano ou rural). A renda das mulheres piauienses é 9,4% menor do que a dos homens, apesar do IDHM do sexo feminino ser maior (0,662) do que o do sexo masculino (0,615).
Já o IDHM separado por cor no estado mostra que os negros tiveram uma maior qualidade de vida de 2000 para 2010. No início do século 21, o índice era 0,453 e 10 anos depois o número chegou 0,628. Apesar da expressiva melhora, ainda é menor do que os índices dos brancos, que ficou em 0,699 em 2010. O hiato de desenvolvimento humano de negros, ou seja, a distância entre o IDHM desta população do Piauí e o limite máximo do índice, que é 1, foi reduzido em 68,01% entre 2000 e 2010.
O estudo mostrou ainda que a população rural e urbana no Piauí apresenta a uma enorme desigualdade no IDHM entre esses grupos. O índice de quem vive no meio rural é 0,525 e na zona urbana é 0,696. Dados referentes ao ano de 2010.

5/09/2016

Estação Cocal

Dilma Rousseff assina decreto de criação da Universidade do Delta

Da redação do Portal AZ 
A presidente Dilma Rousseff anunciou a crianção de novas universidades federais no Brasil, no Palácio do Planalto, na manhã desta segunda-feira (9), dentre elas, a Universidade Federal do Delta (UFD), no Piauí. A instituição terá sede na cidade de Parnaíba, localizada a 336 quilômetros da capital no litoral do estado.

A presidenta assinou uma exposição de motivos referente à autorização para criação da Universidade Federal do Delta. Após a assinatura do decreto, o projeto vai para o Senado Federal para aprovação na casa.

O governador Wellington Dias ressaltou o esforço do Governo Federal e da bancada do Piauí no Congresso Nacional “a criação da Universidade do Delta é um sonho de muitos anos, eu quero primeiro parabenizar a presidente Dilma, o ministro Mercadante, a nossa bancada federal, quero destacar aqui o trabalho do deputado Paes Landim que vem acompanhando esse processo, o deputado Assis Carvalho, a deputada Rejane – como Secretária de Educação, a senadora Regina, o senador Elmano Férrer. Todos que tem nesse processo agora nos últimos dias, trabalhado para que nesse plano de expansão pudéssemos contemplar a Universidade do Delta do Parnaíba”, disse o chefe do executivo estadual.

Dilma Rousseff destinou e está no orçamento do campus da Universidade Federal do Piauí (UFPI) de Parnaíba, o valor de R$ 9 milhões para o término do prédio do curso de medicina e também aquisição de equipamentos necessários para o bom funcionamento do curso.

Segundo o governador Wellington Dias, o lado bom da universidade em Parnaíba é que até para criar será barata para o tesouro federal em relação aos benefícios. “O que são nove, dez milhões de reais por ano para se ter uma universidade independente que vai atender o norte do Piauí, aquela região ali do Ceará, do Maranhão, ou seja, poder ter autonomia para planejar o seu trabalho”, afirma Dias.

Além do empenho político, a criação da Universidade Federal do Delta (UFD) conta com o trabalho técnico dos professores do campus Ministro Reis Veloso com o apoio do reitor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Arimatéia Dantas Lopes. O chefe do executivo estadual parabenizou o trabalho dos professores e a administração superior da Universidade Federal do Piauí que foi responsável pelo projeto. “Parabenizo também a própria direção da Universidade, através do reitor Arimatéia e toda sua equipe que se empenharam para tecnicamente viabilizar essa decisão de hoje”, afirma o governador.

O projeto da Universidade Federal do Delta elaborado por professores do campus Ministro Reis Veloso no ano de 2014, expôs ao Ministério da Educação, que Parnaíba tem todos os pré-requisitos essenciais para o ensino superior federal independente. Além da independência, a nova instituição estará apta a firmar parcerias para o desenvolvimento educacional, intelectual e social, que não refletirá somente na comunidade acadêmica, mas também para população de Parnaíba
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5/03/2016

Estação Cocal


2ª versão da Base Curricular revê polêmicas de história e de português

Versão preliminar foi questionada, sobretudo no conteúdo relacionado à história. Base passará por seminários e terá novo texto antes de votação.

Do G1, em São Paulo

O Ministério da Educação (MEC) apresentou nesta terça-feira (3) a segunda versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento tem a meta de determinar conteúdos mínimos que os alunos das 190 mil escolas do país terão que aprender a cada etapa da educação básica.

A BNCC é considerada fundamental para reduzir desigualdades na educação no Brasil e países desenvolvidos já organizam o ensino por meio de bases nacionais. A primeira etapa da Base foi criticada por falta de conteúdos de história, sobretudo Antiga e relacionado à Europa, de gramática e de literatura portuguesa. Os professores responsáveis pela revisão dizem que esses pontos foram incorporados na segunda versão.
Contribuições e próximos passos
O documento preliminar da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi apresentado em 16 de setembro de 2015. Ele ficou disponível para envio de sugestões até 15 de março e recebeu mais de 12 milhões de contribuições de instituições, educadores e público em geral.

O prazo final para que o documento final esteja pronto e aprovado é junho de 2016. A segunda versão da BNCC precisa agora ser submetida a seminários nas redes estaduais e municipais de ensino. Depois disso, a partir das contribuições dos seminários será elaborada a versão final que será, enfim, discutida e votada no Conselho Nacional de Educação (CNE).
Mudanças incorporadas
O ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, afirmou que a maior parte das críticas feitas ao documento foi incorporada à nova versão: ele relembrou, por exemplo, que o atual ministro Mercadante havia se queixado da falta de conteúdos sobre gramática, em língua portuguesa. 

Também citou as discordâncias que surgiram em relação à falta de literatura de Portugal na proposta curricular – ambas as observações foram consideradas. “É fabuloso vermos contribuições tão grandes na educação”, afirma Janine.
História: a polêmica nas Ciências Humanas
O professor que representou a área de Ciências Humanas destacou que a experiência de concepção da segunda versão da Base Nacional Comum Curricular foi enriquecida pelas diferentes formas de contribuição dos professores. Apontou que, nos anos iniciais da educação, houve uma integração maior entre as disciplinas de geografia e história e, nos finais, o destaque na ênfase à formação sociocultural e territorial do Brasil. 

Sobre o ensino médio, considerou que é a segunda versão é “um momento definitivo de incorporação da sociologia e filosofia na educação básica”. Segundo o professor, isso representa o enriquecimento da capacidade de contato entre diferentes culturas pelo aluno.

Também destacou a disciplina de história como o componente mais valorizado e disse que entre a primeira e a segunda versão do documento há um “salto de qualidade” porque valoriza a história africana e o protagonismo das culturas indígenas e afro brasileiras, mas sem abrir mão de questões ocidentais e processos de formação culturais do país. Por fim, destacou que o ensino religioso, que aparecia inicialmente dentro das Ciências Humanas, agora é apresentado como uma área isolada.

Retorno da gramática e da literatura portuguesa
De acordo com os envolvidos na revisão do conteúdo de português, a partir das contribuições não houve dúvidas sobre a necessidade de tornar presente os temas gramática, literatura e "o que ler na sala de aula". No caso da gramática, houve solicitações específicas para manter a gramática presente a partir do 6º ano. 

Segundo os revisores, para atender as demandas foi incluído um novo "eixo organizador dos objetivos de aprendizagem" no documento da segunda versão da BNCC. Ele prevê etapas mais específicas sobre o conhecimento da língua e sobre a norma padrão (regras, usos e gramática normativa). 

Outra polêmica envolveu o que ler e quando ler, sobretudo no ensino médio. Os professores cobraram - através da consulta pública - a inclusão da literatura regional, autores brasileiros e estrangeiros contemporâneos, além de cobrar especificamente a presença da literatura portuguesa. Na 2ª versão, os professores responsáveis pela revisão dizem ter contemplado essas contribuições, embora digam que optaram por não nomear autores, mas indicar parâmetros para o uso dessas referências.

Matemática: detalhamento de conteúdos
De acordo com professores que participaram do processo, o trabalho de revisão buscou dar mais clareza para os conteúdos e objetivos de aprendizagem. Segundo o professor de matemática Marcelo Câmara, os docentes que enviaram contribuições através da página da Base na internet pediam clareza e proximidade do conteúdo com o dia dia da sala de aula. De acordo com ele, a proposta ganhou detalhamento que atenderam as demandas dos professores.

Ciências da Natureza
A professora Edenia Maria do Amaral, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, ressaltou que a principal mudança em ciências da natureza é especificar com mais clareza os objetivos de cada item da proposta curricular. 

Foram pensados, de acordo com ela, temas que exijam demandas cognitivas maiores e menores. “Diversificamos os estudos das ciências no ensino fundamental”, afirma. Ela também ressaltou a importância de haver relação entre os temas abordados. “No ensino médio, fizemos uma proposta de unidades curriculares que abra a possibilidade de fazer arranjos flexíveis entre elas”, explica.

Críticas necessárias
Para o secretário estadual de educação do Amazonas, Rossieli Silva, a primeira versão do documento foi fundamental para o debate sobre os rumos da educação no país. “A primeira versão foi muito importante porque recebeu muitas críticas e através delas chegamos a um documento muito mais forte e com a cara da sociedade brasileira”, afirmou